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A próxima disputa corporativa não será por IA, mas por quem consegue governá-la

A discussão sobre inteligência artificial nas empresas entrou em uma nova etapa. Depois da adoção inicial de ferramentas generativas voltadas para produtividade e automação de tarefas, organizações começam a discutir como estruturar operações capazes de tomar decisões em tempo real, com supervisão humana e governança contínua. Esse modelo foi definido pela NTT DATA como “autonomia orquestrada por humanos” durante um bate-papo com jornalistas realizado no CUBO nesta semana.

Segundo os materiais apresentados pela companhia, o conceito parte da ideia de que a IA deixa de apenas automatizar processos específicos e passa a atuar em redes de decisão empresariais, aprendendo e executando ações em escala, mas dentro de limites definidos por pessoas. O modelo prevê definição humana de metas e regras, supervisão proporcional ao risco e mecanismos permanentes de rastreabilidade e reversão das decisões automatizadas.

Impacto operacional da IA

A discussão surge em um momento em que empresas ampliam investimentos em inteligência artificial, mas ainda encontram dificuldades para transformar esses investimentos em impacto operacional. Dados apresentados pela NTT DATA mostram que 80% das empresas já utilizam IA generativa em alguma função e que o investimento global na área ultrapassa US$ 300 bilhões anuais. Apesar disso, apenas 12% das organizações são consideradas líderes em maturidade operacional em IA. Além disso, 80% ainda não reportam impacto material nos resultados de negócio, enquanto 42% dos projetos foram abandonados em 2025 por falta de transformação operacional prévia.

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Outro dado destacado pela companhia indica que 86% dos líderes empresariais afirmam que suas organizações ainda não estão preparadas para adotar IA de forma ampla.

A avaliação apresentada pela empresa é que o problema não está apenas na tecnologia, mas na estrutura operacional das organizações. Segundo especialistas, muitas empresas continuam operando com processos fragmentados, controles posteriores à execução e ciclos de tomada de decisão incompatíveis com ambientes de negócios mais voláteis e orientados por dados em tempo real.

Assim, a NTT DATA argumenta que a atual lógica de melhoria incremental já não é suficiente para responder à velocidade de mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e novos modelos de negócio. Em vez de operações desenhadas para estabilidade, a empresa projeta um cenário em que organizações precisarão recalibrar continuamente seus sistemas operacionais.

Segundo Daniela Griecco, head de Data & Analytics da NTT DATA, a transformação altera o papel das equipes dentro das empresas. “Todo processo de evolução humana partiu de evolução tecnológica, e estamos vivendo mais um desses momentos”, afirma.

De acordo com ela, o trabalho humano tende a migrar de funções operacionais para atividades de interpretação, validação e definição de critérios de atuação dos sistemas inteligentes. “O papel do C-level e das equipes vai mudar, e haverá uma ressignificação das carreiras para ter capacidade de operar nesse sistema autônomo. As operações serão cada vez mais independentes e modulares”, diz.

Evolução dos processos com IA

Relatórios apresentados pela empresa indicam uma evolução em quatro etapas: automação assistida, copilotos de IA generativa, agentes especializados e sistemas multiagentes orquestrados. Nesse último estágio, empresas passam a operar com forças de trabalho híbridas, compostas por pessoas e sistemas autônomos integrados.

A companhia também projeta mudanças estruturais nos modelos operacionais corporativos até 2030. Entre elas estão a substituição de processos isolados por sistemas interdependentes, decisões humanas por decisões algorítmicas auditáveis e controles posteriores por validações anteriores à execução das ações.

Outro ponto central da discussão envolve governança. A NTT DATA defende que operações autônomas exigirão estruturas de controle capazes de definir quais decisões podem ser tomadas automaticamente, quais precisarão de supervisão parcial e quais dependerão obrigatoriamente de aprovação humana.

De acordo com a companhia, os modelos de supervisão em três níveis. Em operações de baixo risco, como geração de relatórios internos ou respostas automáticas, a autonomia poderia ser plena, com revisão posterior por amostragem. Em situações de risco médio, como aprovações financeiras de baixo valor, haveria autonomia com alertas para intervenção humana. Já em contextos críticos, como decisões regulatórias, contratos sensíveis ou aplicações ligadas à saúde e segurança, o humano permaneceria no centro do processo decisório.

A empresa também defende requisitos permanentes de rastreabilidade, auditoria e reversibilidade das decisões automatizadas, incluindo mecanismos de interrupção imediata de operações consideradas anômalas.

O estudo projeta ainda que a vantagem competitiva das empresas passará a depender mais da velocidade de adaptação operacional do que apenas da estratégia comercial ou de produto. Segundo a análise, organizações capazes de recalibrar rapidamente suas operações diante de mudanças regulatórias ou de mercado tendem a construir vantagens acumulativas baseadas em dados, regras operacionais e aprendizado contínuo.

Bruno Magalhães, head de Business Process Services da NTT DATA, afirma que a transformação já começou e que as tecnologias necessárias para esse novo modelo operacional já estão disponíveis. “Em cinco anos, a diferença entre uma empresa que lidera o mercado e uma que apenas sobrevive não estará em sua estratégia de produto, nem em sua capacidade comercial, mas em sua autonomia de operação”, afirma.

“As tecnologias que marcarão o futuro, como robótica, blockchain, digital twin e edge computing, já estão aqui, não precisamos inventá-las. Se as companhias seguirem o modelo de hoje, não serão mais competitivas. Hoje, elas têm a mentalidade de melhorar, quando precisam adotar a mentalidade da transformação”, completa.

A análise apresentada pela NTT DATA também aponta impactos no mercado de trabalho. Dados do relatório “Future of Jobs”, do World Economic Forum, citados pela companhia, estimam a criação de 170 milhões de novos empregos até 2030, ao mesmo tempo em que 92 milhões de funções devem ser deslocadas. O levantamento indica ainda que 59% da força de trabalho precisará passar por processos de requalificação antes do fim da década.

Fonte Oficial: https://startupi.com.br/a-proxima-disputa-corporativa-ntt-data/

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