A startup pernambucana Musique, especializada em arquitetura sonora e inteligência de áudio para o varejo físico, atingiu a marca de mais de 5.000 pontos de venda atendidos em 14 países da América Latina. Criada em 2016 pelo administrador André Domingues em parceria com o executivo de tecnologia Renato Alves, a empresa desenvolveu um modelo de negócios baseado em trilhas sonoras estratégicas e acervo próprio para redes varejistas, hoteleiras e do segmento de academias.
A trajetória da empresa teve início após a transição de carreira de André Domingues, que atuou como gerente de suprimentos na Odebrecht e concluiu pós-graduação no exterior antes de fundar a startup durante a recessão econômica de 2015. “Arrisquei pois não tinha outra alternativa: ou eu fazia isso, ou ficava no LinkedIn procurando emprego e esperando. Hoje agradeço por não ter encontrado, porque senão teria me rendido ao mundo corporativo de novo”, afirmou o executivo sobre a criação da empresa.
Entre 2017 e 2019, a startup operou com a curadoria de playlists comerciais. Em 2023, a empresa reformulou seu modelo de atuação ao estruturar uma equipe própria de compositores. Atualmente, o acervo autoral da plataforma conta com mais de 15 mil músicas, formato que permite a personalização das trilhas sonoras e a eliminação de repasses de direitos autorais a entidades arrecadadoras, segundo a empresa.
Após nove anos de operação financiada exclusivamente pelos sócios (modelo bootstrapped), a Musique captou seu primeiro aporte externo em 2025 junto à HiPartners, fundo de venture capital voltado para retail techs. De acordo com a empresa, a entrada do fundo viabilizou o acesso comercial a executivos de marketing de grandes redes, atendendo clientes como Ri Happy, Raia Drogasil, Marisa e Volvo.
“Na primeira conversa, o investidor perguntou se eu tinha interesse em receber aporte. Eu respondi que não precisava do dinheiro e perguntei o que mais ele tinha para oferecer. Ele disse que tinha conexão com todas as grandes redes varejistas do Brasil. Foi aí que eu topei”, relatou Domingues. Conforme comunicado da organização, o principal obstáculo no desenvolvimento do negócio esteve associado à percepção do mercado sobre a aplicação do áudio em ambientes comerciais. “Sempre tivemos um bom produto. O nosso grande desafio nunca foi construir a solução, foi convencer o mercado a enxergar a música como estratégia, e não como entretenimento”, destacou o fundador.
Com a consolidação do aporte financeiro e a entrada na carteira de grandes marcas corporativas, a Musique planeja dar sequência à expansão de sua operação no mercado latino-americano, fortalecendo a adoção de tecnologias multissensoriais e a automação de gestão sonora no setor varejista.
Fonte Oficial: https://startupi.com.br/como-a-musique-transformou-a-inteligencia-sonora-no-varejo/