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Imprevisibilidade na logística global acelera o uso de IA para antecipação de riscos

A crescente instabilidade nas cadeias de suprimentos globais e o avanço de restrições comerciais estão acelerando a adoção de sistemas de inteligência artificial por empresas de importação e exportação. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que novas tarifas e medidas regulatórias afetaram cerca de US$ 2,64 trilhões em importações mundiais entre outubro de 2024 e outubro de 2025 — valor mais de quatro vezes superior ao registrado no período anterior. Diante desse cenário de incerteza, a tecnologia passa a ser empregada para consolidar dados, antecipar riscos operacionais e otimizar a tomada de decisões no comércio exterior.

A pressão sobre o setor logístico manteve-se ao longo de 2026. Conforme dados da Comissão das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o comércio global de bens atingiu US$ 13,7 trilhões no primeiro semestre, o que representa um crescimento de 12,5% em comparação ao mesmo período de 2025. No entanto, segundo a entidade, o avanço está associado em parte ao aumento estimado de 5% nos preços dos bens no segundo trimestre, impulsionado por interrupções em rotas marítimas, tensões na oferta de energia e alta nos custos de transporte.

Para Luiz Policarpo, fundador e CEO da Einship, LogTech brasileira focada em inteligência de dados —, o impacto do cenário atual ultrapassa a elevação das despesas operacionais. “Oscilações repentinas podem comprometer margens de lucro, provocar rupturas de estoque, atrasar linhas de produção e afetar o cumprimento de contratos. Há ainda um desafio operacional crescente relacionado ao excesso de informações dispersas entre sistemas, planilhas, fornecedores e diferentes plataformas, dificultando a identificação rápida de problemas e oportunidades”, destacou o executivo.

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De acordo com o especialista, o uso de soluções tecnológicas e de IA não tem como finalidade prever eventos imprevistos, mas mapear vulnerabilidades das operações. A integração de dados internos com informações de mercado permite analisar dependências de fornecedores, concentração de rotas e históricos de preços em tempo real. “A previsibilidade hoje não está relacionada a adivinhar o futuro, mas a entender onde a empresa está mais exposta e quais alternativas possui para reagir rapidamente. Quanto mais inteligência existe sobre a operação e sobre o mercado, menor é o impacto das mudanças inesperadas”, afirmou Policarpo.

A automação de processos repetitivos e a análise de grandes volumes de dados por meio de linguagem natural também têm sido apontadas como fatores de ganho de eficiência operacional. Conforme relatou o executivo, o processamento automatizado permite reduzir o tempo dedicado por equipes de comércio exterior à busca e ao cruzamento manual de informações. “Durante muito tempo, profissionais de comércio exterior gastaram boa parte do dia procurando informações em diferentes fontes. A inteligência artificial muda essa lógica ao transformar dados complexos em análises acessíveis e acionáveis, permitindo decisões mais rápidas e fundamentadas”, disse o fundador da Einship, acrescentando que o sistema atua no auxílio ao planejamento e à negociação.

O avanço da inteligência artificial na logística corporativa sinaliza uma transição em que algoritmos passarão a ponderar milhares de variáveis simultaneamente — incluindo rotas, custos e fornecedores — para sugerir cenários de menor risco. Segundo a avaliação do setor, decisões de caráter estratégico e negociações de alta complexidade continuarão dependendo da validação e da supervisão humana. “A cadeia logística do futuro não será aquela que evita todas as rupturas. Será aquela capaz de identificar sinais mais cedo, avaliar impactos rapidamente e reagir antes que uma mudança se transforme em prejuízo. A inteligência artificial será cada vez mais um copiloto estratégico nesse processo”, concluiu Policarpo.

Fonte Oficial: https://startupi.com.br/imprevisibilidade-na-logistica-global-acelera-o-uso-de-ia-para-antecipacao-de-riscos/

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