Historicamente, a cibersegurança costumava operar de forma isolada, focada em prevenções generalistas e respostas reativas a ataques. Porém, atualmente, impulsionada pela inovação, ela está se desvinculando dessas ações pontuais e fragmentadas e se tornando cada vez mais um pilar estratégico e integrado a diferentes áreas das empresas. Nesse cenário, as corporações estão investindo em tecnologias emergentes para suprir a necessidade do mercado por novas soluções de segurança digital e também para se destacar dos seus concorrentes.
Essa mudança de postura é extremamente positiva e tem se mostrado a mais eficaz, pois permite identificar e corrigir fragilidades com antecedência, em vez de adotar uma posição puramente defensiva, reagindo apenas quando o sucesso dos negócios já estiver em risco. É justamente nesse contexto que a evolução das tecnologias baseadas em dados ganha protagonismo: ao acessar e analisar grandes volumes de informações, essas ferramentas conseguem identificar padrões e detalhes que, muitas vezes, escapam do olhar humano, registrando o histórico completo de movimentações que levaram a ataques cibernéticos e viabilizando a antecipação de ameaças futuras com base em erros e acertos do passado.
Além disso, a análise de tendências de crimes digitais no mercado permite prever possíveis mecanismos utilizados por hackers, o que fortalece a tomada de decisão e o planejamento de segurança. Esse monitoramento passa, então, a ser um fator essencial da cibersegurança, reduzindo riscos no lançamento de novos produtos e serviços e garantindo inovação e expansão para novos públicos sem comprometer a continuidade dos negócios.
Nesse processo, a validação das soluções em ambientes controlados e simulações de ataques ou invasões permite testar diferentes cenários de operação, expondo questões como compatibilidade com sistemas existentes, usabilidade e necessidade de acesso a determinados espaços digitais para funcionar de forma plena. A partir disso
Quando uma inovação exige, por exemplo, um nível de conhecimento tecnológico superior ao que determinado colaborador possui, torna-se menos provável que ele identifique comportamentos incomuns ou suspeitos. Portanto, antecipar esse tipo de fragilidade ajuda a liderança a aprimorar tanto o desenho da solução quanto os processos e capacitações necessárias, elevando a segurança e a robustez do produto final.
As empresas, por sua vez, ao lançarem produtos e soluções no mercado sem comprometer a segurança do cliente, fortalecem a confiança na marca, preservando relações duradouras. De acordo com o relatório de Preparação Cibernética 2024 da Hiscox Cyber Readiness, 43% das empresas entrevistadas perderam clientes após sofrer ataques, e 47% tiveram dificuldade em atrair novos consumidores após um incidente. Dados como esses não deixam dúvidas de que investir em segurança proativa influencia positivamente na imagem das companhias e na relação que criam com o público.
O Índice de Inteligência de Ameaças X-Force 2024 da IBM destaca que o roubo e uso de credenciais de usuários legítimos é uma das principais táticas de ciberataques. Para os criminosos, captar credenciais válidas é mais fácil, considerando a quantidade que são vazadas diariamente, seja por meio de links falsos, reutilização de senhas em sites não confiáveis e comprometimentos por malware. Medidas como criptografia de ponta a ponta, autenticação multifator, gerenciadores de senhas para credenciais únicas e fortes, além de políticas claras de acesso, são exemplos de como evitar ao máximo o acesso de quem tenta se infiltrar, quando integradas desde o início.
Portanto, incorporar a cibersegurança no centro do desenvolvimento de inovações, além de uma medida defensiva, é uma estratégia essencial para a sustentabilidade empresarial. No Brasil, onde investimentos em tecnologia disparam, adotar essa abordagem transforma a cibersegurança de custo reativo em vetor de crescimento, protegendo clientes, reputação e futuro competitivo.
*Paulo Lima é CEO da Skynova
Fonte Oficial: https://www.contabeis.com.br/artigos/79343/ciberseguranca-estrategica-pilar-essencial-para-empresas/