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criminosos digitais aceleram ofensiva com ajuda da IA

O Brasil está diante de uma escalada preocupante de ameaças digitais e os números revelam que o problema pode ser muito maior do que parece. 

Somente nos seis primeiros meses de 2026, foram registradas 249,3 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos contra o país, segundo o relatório Cenário Global de Ameaças, elaborado pelo FortiGuard Labs, da Fortinet e apresentado durante o Fortinet Cybersecurity Summit Brasil 2026.

Mais alarmante ainda é a velocidade com que os criminosos estão avançando. 

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No período, foram identificadas 9 bilhões de varreduras ativas, atividade utilizada para localizar sistemas, dispositivos e possíveis pontos vulneráveis. O volume já supera em 44% o total registrado durante todo o ano de 2025.

O cenário indica uma transformação no comportamento dos atacantes. A inteligência artificial, especialmente os chamados sistemas de IA agêntica, começa a permitir que operações criminosas sejam conduzidas com maior automação, velocidade e sofisticação. 

Na prática, os criminosos conseguem ampliar suas ofensivas com menos esforço humano e maior capacidade de adaptação.

O cibercrime está se tornando uma operação empresarial

De acordo com Frederico Tostes, gerente da Fortinet Brasil, o cibercrime está entre as ameaças mais disseminadas e capazes de provocar grandes prejuízos financeiros em todo o mundo. O problema é que as organizações criminosas digitais estão deixando de atuar de maneira improvisada.

Elas estão assumindo características semelhantes às de empresas semiautônomas, utilizando tecnologia, automação e inteligência artificial para tornar seus ataques mais eficientes.

Os números ajudam a dimensionar o perigo.

Mais de 95% das atividades identificadas estão concentradas na etapa final da cadeia de ataque. Nesse estágio, foram contabilizadas aproximadamente 238 bilhões de tentativas de ataques de negação de serviço (DDoS) e 6.932 incidentes envolvendo ransomware.

O crescimento do malware também chama atenção. Em todo o ano de 2025, foram registrados aproximadamente 187,5 milhões de eventos relacionados à distribuição de malware. Apenas nos primeiros seis meses de 2026, esse número chegou a 406,8 milhões.

Em apenas meio ano, o volume já ultrapassou, com enorme margem, o registrado durante os 12 meses anteriores.

Trojans, botnets e cryptominers ampliam o cerco

A ameaça não se limita ao ransomware.

Os registros envolvendo trojans praticamente triplicaram, passando de cerca de 32 milhões em 2025 para 100 milhões somente no primeiro semestre de 2026.

As tentativas relacionadas a cryptomining chegaram a 69 mil ocorrências, ultrapassando o total contabilizado em todo o ano anterior. Também foram identificadas 976 mil tentativas de drive-by download e aproximadamente 42 milhões de atividades associadas a botnets.

Segundo Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil, o crescimento dos cryptominers demonstra uma estratégia criminosa voltada à exploração econômica de equipamentos comprometidos. Depois de invadido, um dispositivo pode deixar de ser apenas uma porta de entrada para o atacante e passar a ser utilizado continuamente como recurso computacional para gerar lucro.

E onde entram os dados pessoais?

É justamente nesse ponto que empresas e instituições precisam perceber que segurança cibernética e proteção de dados pessoais não podem mais ser tratadas como assuntos separados.

Um equipamento comprometido, uma credencial roubada ou uma vulnerabilidade explorada pode representar muito mais do que uma interrupção de sistemas. Dependendo do ambiente atingido, o invasor pode alcançar bases de dados, informações de empregados, clientes, fornecedores, documentos, credenciais e outros dados pessoais.

Por isso, a adequação à Lei nº 13.709/2018 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais precisa fazer parte da estratégia de prevenção.

A LGPD estabelece deveres relacionados à proteção dos dados pessoais e determina que controladores e operadores adotem medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados contra acessos não autorizados e situações acidentais ou ilícitas, como destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão indevida.

Isso significa que não basta esperar o ataque acontecer para descobrir se os dados estavam protegidos.

É necessário identificar previamente onde estão os dados pessoais, quais sistemas os armazenam, quem possui acesso, quais vulnerabilidades existem, quais medidas de segurança precisam ser implementadas e como a resposta a um eventual incidente será realizada.

O maior perigo pode ser acreditar que sua empresa não será atacada

O avanço das ameaças demonstra que a segurança não pode mais depender exclusivamente de ações pontuais realizadas depois de um incidente.

Com ataques cada vez mais automatizados e criminosos utilizando inteligência artificial para ampliar sua capacidade operacional, a velocidade da defesa precisa acompanhar a velocidade do ataque.

Isso exige uma abordagem estruturada, com segurança cibernética integrada à governança, gestão de riscos, proteção de dados pessoais, controle de acessos, monitoramento constante e ativo e resposta a incidentes.

A própria evolução do cenário apontada pelo relatório reforça a necessidade de uma defesa cibernética industrializada, apoiada por ferramentas capazes de detectar ameaças, investigar ocorrências e responder rapidamente, reduzindo a complexidade dos ambientes de segurança.

A questão deixou de ser “será que minha empresa será atacada?”

A pergunta mais urgente agora é:

“Se o ataque acontecer hoje, minha empresa estará preparada para impedir que os criminosos transformem uma vulnerabilidade em um desastre financeiro, operacional e envolvendo dados pessoais?”

Em um cenário no qual centenas de bilhões de tentativas de ataques já são registradas em apenas seis meses, ignorar a cibersegurança e adiar a adequação à LGPD pode significar entregar aos criminosos exatamente aquilo que eles estão procurando: vulnerabilidades e dados desprotegidos.



Fonte Oficial: https://www.contabeis.com.br/artigos/78976/brasil-sob-ataque-criminosos-digitais-aceleram-ofensiva-com-ajuda-da-ia/

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