O uso da inteligência artificial aliado a ações de integridade e monitoramento de riscos foi o principal destaque do webinar INTEGRideias, realizado na última quarta-feira (23) pela Controladoria-Geral da União (CGU). O evento reuniu gestores, servidores públicos e especialistas para compartilhar experiências práticas voltadas ao fortalecimento da integridade no setor público.
A diretora de Integridade Pública da CGU, Simone Gama, ressaltou a importância do encontro como um local de diálogo e de compartilhamento de soluções. “O INTEGRideias é um espaço criado para promover a troca de experiências voltadas à gestão da integridade no setor público, com diálogos sobre as diferentes possibilidades de implementação dessas iniciativas em nossos órgãos ou entidades”, destacou.
O chefe do Núcleo de Governança e Integridade do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Bruno Cabral, destacou que a integridade pública moderna exige uma abordagem estratégica e integrada com ferramentas que possam auxiliar os administradores, baseadas em análise de riscos. “Não se trata apenas de controle, mas de criar mecanismos que permitam identificar riscos e agir preventivamente. A governança precisa estar conectada aos processos e às decisões”, afirmou.
Em sua palestra sobre o “Radar de Integridade do IFPB: Modelo de monitoramento da Integridade”, Cabral analisou a importância da gestão de riscos estratégica e o mapeamento de processos como ferramentas essenciais para a administração pública.
Para Bruno, a compreensão e o gerenciamento adequado dos riscos trazem mais segurança para os servidores e eficiência para os processos. “O risco sempre vai existir. O que precisamos é conhecê-lo, tratá-lo e, em muitos casos, conviver com ele de forma controlada”, explicou. Para ele, o mapeamento de processos permite maior clareza das atividades, padronização e redução de falhas, além de facilitar a identificação de pontos críticos.
Na sequência, o diretor da Secretaria de Governança da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Jonatan Soares, apresentou a experiência “Processos que pensam, riscos que se antecipam: o poder da IA na gestão pública”.
O destaque de sua fala foi a aplicação da inteligência artificial no apoio às atividades de governança e integridade, incluindo a análise de documentos normativos, o preenchimento automatizado de formulários para mapeamento dos processos e a identificação de riscos com base em dados históricos. “Quando o processo está bem desenhado, qualquer pessoa consegue executá-lo com mais segurança. Isso reduz retrabalho e melhora a qualidade das entregas”, destacou Jonatan.
O diretor também enfatizou o potencial da tecnologia para transformar rotinas administrativas, ao automatizar tarefas e ampliar a produtividade das equipes. Apesar dos benefícios, alertou para a necessidade de uso responsável das ferramentas, destacando que a validação humana e a normatização institucional são fundamentais para garantir a confiabilidade dos resultados. “A inteligência artificial não substitui o julgamento técnico. Ela precisa ser utilizada com critério, revisão e responsabilidade”, afirmou.
Ao final, Soares reforçou que o futuro da gestão pública está na integração entre processos, pessoas e tecnologia. “Quem conseguir fazer isso estará à frente”, concluiu.