Sete em cada dez famílias paulistanas (75,5%) estão endividadas atualmente, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). É o maior patamar desde novembro de 2022, quando esse número era de 76,3%.
Foi a segunda alta consecutiva: em julho, o indicador estava na casa dos 74,8%, um avanço de 0,7 ponto porcentual (p.p.) [gráfico 1]. Antes, em junho, era de 74,1%. Em números absolutos, pelo menos 3,4 milhões de lares têm alguma dívida na cidade.
[GRÁFICO 1]
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
12 meses
Fonte: FecomercioSP
Por outro lado, a inadimplência ficou estável, ao passar de 20,2%, no mês anterior, para 20,4%, agora, um aumento de 0,2 p.p. Vale dizer que o indicador continua bem abaixo do registrado em agosto do ano passado (22,7%), sugerindo que as contas desses lares seguem sob controle.
Na avaliação da FecomercioSP, os números de agosto confirmam a trajetória de alta do endividamento na capital paulista, sem a correlativa piora na capacidade de pagamento. Não é à toa que a parcela das famílias que não têm condições de pagar as dívidas em atraso subiu para 8,4%, abaixo dos patamares mais altos da série histórica.
Endividamento está maior entre as famílias de renda mais alta
O avanço do endividamento em agosto foi puxado, principalmente, pelas famílias de maior poder aquisitivo. Entre lares com renda superior a dez salários mínimos, o porcentual de endividados subiu de 65,4% para 67%, uma alta significativa de 1,6 p.p.
A inadimplência nesse grupo, por sua vez, recuou de 9% para 8,8% [gráfico 2].
[GRÁFICO 2]
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
Classe social
Agosto de 2026
Fonte: FecomercioSP
Já entre lares com renda de até dez salários mínimos, o endividamento cresceu de forma mais moderada, passando de 78,1% para 78,5%. A inadimplência nesse grupo subiu de 24,6% para 24,9%, abaixo dos 27,1% observados em agosto do ano passado.
Tempo de atraso no pagamento das dívidas diminuem
O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas recuou novamente, de 64,3 dias, em julho, para 64,1 dias, em agosto, seguindo a trajetória de queda dos últimos meses. Também houve diminuição nas dívidas em atraso superior a 90 dias, que passou de 50,4% para 49,3%, o que pode indicar que parte das famílias conseguiu regularizar dívidas mais antigas.
Já a parcela média da renda comprometida com o pagamento de dívidas ficou estável em 26,2%, patamar considerado saudável e abaixo dos 26,5% de um ano antes. Mesmo com o endividamento no maior nível em quase quatro anos, esses lares não têm destinado uma grande parte da renda ao pagamento de débitos.
O tempo médio de comprometimento de renda também se manteve estável, em 6,8 meses, abaixo dos 7 meses observados em 2025 [gráfico 3].
[GRÁFICO 3]
Tempo de comprometimento com dívida
Agosto de 2026
Fonte: FecomercioSP
A intenção de contrair crédito ou financiamento nos próximos três meses ficou praticamente estável (10,4%). Na composição dessa intenção, o uso para pagamento de dívidas recuou de 13,7% para 11,6%, enquanto o pagamento de contas apontou uma leve alta para 7%.
De forma geral, o resultado de agosto mantém um tom relativamente positivo, visto que a inadimplência permanece estável, o tempo médio de atraso segue em queda e o comprometimento da renda continua controlado, favorecidos por uma inflação mais amena nos últimos meses.
No entanto, o endividamento no maior nível desde novembro de 2022 — somado às incertezas nos campos político e econômico — deixa a situação das famílias paulistanas em um ponto de atenção, uma vez que, com a renda próxima do limite, a margem de folga é estreita e qualquer choque mais forte de inflação ou desemprego tende a se refletir rapidamente na inadimplência.
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Fonte Oficial: https://www.fecomercio.com.br/noticia/endividamento-das-familias-paulistanas-permanece-no-maior-nivel-em-quase-quatro-anos-1