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O que empresas maduras podem aprender com startups

* Por Luciane Calabria

Conhecidas pelo caráter inovador e pela capacidade de corrigir rapidamente a rota e assumir riscos, as startups têm muito a ensinar às empresas maduras que buscam diferenciação e originalidade. Em momentos de mudanças tecnológicas rápidas, essa lógica de operação pode representar uma vantagem competitiva, uma vez que a adaptabilidade é um de seus atributos. Isso é particularmente positivo no contexto atual, em que a inteligência artificial força as empresas a repensar seus modelos de negócio em ciclos cada vez mais curtos.

As novas dinâmicas de mercado impulsionadas pela IA exigem pensamento crítico e capacidade de  resolver problemas complexos, competências que são potencializadas por times diversos não só em gênero, mas também em experiência, formação e repertórios. Essa diversidade contribui para ampliar perspectivas e reduzir a reprodução de velhos vieses em novos produtos.

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Um caminho para recalibrar a bússola e aliar a maturidade de empresas consolidadas à agilidade das startups é a contratação de profissionais oriundos desse ecossistema. Eles trazem consigo uma bagagem de experimentação, além da capacidade de adaptação contínua e escuta ativa – uma cultura que ajuda a garantir que o uso de IA não seja apenas implementado, mas resolva problemas reais dos usuários.

Além disso, reduzir burocracias e conferir mais dinamismo aos processos contribui para criar um ambiente mais favorável à diversidade, à inovação e à atração de novos talentos – algo fundamental para reter profissionais da geração Z; afinal, eles formam a base atual e o futuro da força de trabalho, mas buscam propósito, autonomia e culturas organizacionais menos hierárquicas em troca da fluência digital e da agilidade de adaptação, essenciais para alcançar a inovação.

É claro que pode haver um choque de mentalidades ao adotar essa lógica de operação. Empresas tradicionais geralmente buscam mitigar grande parte dos riscos antes de um lançamento, o que pode acabar engessando o processo. Já os profissionais de startups costumam atuar com a mentalidade do produto mínimo viável, testando hipóteses rapidamente e em pequena escala. Se for para errar, que seja rápido e barato, gerando aprendizado e correção de rota antes de investir milhões.

Uma liderança com DNA de startup também pode facilitar, por exemplo, iniciativas de open innovation. Ou seja, em vez de tentar desenvolver tudo do zero internamente, a organização madura passa a ter facilidade em fazer parcerias, investir ou até adquirir startups menores para acelerar sua transformação digital.

Uma empresa consolidada, por outro lado, possui ativos que muitas startups levam anos para construir: uma base sólida de clientes, geração de caixa, canais de distribuição e credibilidade. Não se trata de transformar grandes empresas em startups, mas de incorporar características desse ecossistema sem abrir mão das vantagens construídas ao longo do tempo. A organização que conseguir preservar essa solidez e, ao mesmo tempo, incorporar maior capacidade de experimentação, adaptação e velocidade pode obter o melhor das duas lógicas de operação. Mais do que uma tendência, essa é uma necessidade. Afinal, empresas que não adaptarem sua mentalidade à velocidade das transformações correm o risco de perder relevância.

* Luciane Calabria, diretora de P&D e Inovação na eSales

Fonte Oficial: https://startupi.com.br/o-que-empresas-maduras-podem-aprender-com-startups/

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