No grupo de alimentação e bebidas, a alta mensal foi de 0,83%. Entre as faixas de renda, a variação chegou a 1% para a classe E
Impactado pelo avanço nos preços dos combustíveis e dos alimentos influenciados pela Guerra no Irã, que acelerou a cotação do petróleo, o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) subiu 0,72% em março. O índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), mensurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), acumula alta de 4,92% nos últimos 12 meses, enquanto nos três primeiros meses do ano há uma expansão de 2,09%. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a alta é de 1,88% [gráfico 1].
[GRÁFICO 1]
Custo de vida por classe social — série histórica
Fonte: IBGE/FecomercioSP.
De acordo com a FecomercioSP, o cenário se intensificou em razão das pressões inflacionárias associadas ao conflito no Oriente Médio, que passou a refletir, direta e indiretamente, no orçamento das famílias da RMSP. Mesmo com o cessar-fogo, a normalização tende a ser mais lenta. No momento, a atenção se intensifica, já que os grupos de alimentação e transportes respondem por quase 45% do orçamento médio familiar, o que compromete o equilíbrio financeiro das casas e contribui para aumento da inadimplência.
Famílias de renda mais baixa são as mais afetadas
O aumento no custo de vida está relacionado ao avanço mais intenso nos preços dos combustíveis e dos alimentos, repercutindo ainda mais nas classes de renda mais baixa, com variações de 0,93% para a classe D e de 0,86% para classe E. Para a classe A, a elevação foi de 0,61%.
No acumulado dos últimos 12 meses, as classes de menor poder aquisitivo também foram as mais afetadas: 5,34% para classe E, e 5,22% para a classe D. Para as classes B e A, 4,57% e 4,78%, respectivamente — visto que a distribuição de despesas é mais concentrada em grupos de alta representatividade para as classes de menor poder aquisitivo [tabela 1].
[TABELA 1]
Custo de vida por classe social — março de 2026
Fonte: IBGE/FecomercioSP
Alta no transporte, com óleo diesel subindo 14,4%
O grupo de transporte foi um dos mais afetados quanto à elevação no custo de vida, avançando 1,47%. O óleo diesel apresentou alta de 14,4%, ao passo que a gasolina subiu 4,4% e o etanol, 1,3%. No segmento de serviços, por sua vez, as passagens aéreas apontaram aumento de 7,8%. Por faixa de renda, a expansão média foi ainda maior, com 2,77% para a classe D e 2,5% para a classe E, com variações significativas superiores às observadas nas classes de maior renda (0,83% para a classe B e 0,87% para a classe A).
[TABELA 2]
Custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo — acumulado do ano
Fonte: IBGE/FecomercioSP
No grupo de alimentação e bebidas, a alta mensal foi de 0,83%. Entre as faixas de renda, a variação chegou a 1% para a classe E e acima do 0,79% registrado para a classe A. Esse comportamento reflete, sobretudo, a elevação mais acentuada dos preços da alimentação no domicílio (0,89%) em comparação com a alimentação fora do domicílio (0,73%), componente que pesa mais fortemente no orçamento das famílias de menor renda. Em março, o feijão-carioca, com alta de 15,6%, o tomate (12,2%) e os cortes de carne — como acém (5%), alcatra (2,9%) e costela (2,3%) — foram os principais itens que encareceram nos supermercados.
Os itens eletroeletrônicos, como o microcomputador, com alta de 3,3%, e o televisor, com elevação de 2%, foram responsáveis pelo avanço de 1,13% nos artigos do lar. O grupo de habitação foi influenciado por produtos ligados a obras e reformas, como revestimento de piso e parede (2,4%), além de cimento e tijolo, também com crescimento de 2,4% — peso mais relevante para as famílias de maior renda.
Em saúde e cuidados pessoais, houve aumento tanto no varejo — em itens de higiene e beleza — quanto nos medicamentos, com destaque para hormônios (2,7%) e antibióticos (2,6%). Os planos de saúde registraram aumento médio de 0,5%, enquanto os serviços odontológicos subiram 0,2%. Para o próximo mês, a tendência é de manutenção da pressão, em virtude do período de reajuste dos medicamentos.
Na análise da FecomercioSP, a elevação recente na cotação da arroba bovina e os fatores sazonais que reduzem a oferta de alguns itens, além do encarecimento dos custos logísticos — pressionados pela alta do óleo diesel —, começa a ser repassado aos preços, o que tende a pressionar o grupo de alimentos dos lares nos próximos meses.
Inscreva-se para receber a newsletter e conteúdos relacionados
Fonte Oficial: https://www.fecomercio.com.br/noticia/precos-dos-alimentos-e-dos-combustiveis-puxam-alta-do-custo-de-vida-na-rmsp