Reunião no ICMBio debate impactos socioeconômicos da nova unidade de conservação no litoral sul do Rio Grande do Sul
A criação do Parque Nacional Marinho do Albardão motivou reunião, no dia 29 de abril, entre a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Fecomércio-RS, o Sindilojas Rio Grande e Região, o Sindigêneros e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O objetivo foi discutir os impactos socioeconômicos da nova unidade de conservação no litoral sul do Rio Grande do Sul.
Participaram da agenda representantes da Fecomércio-RS, do Sindilojas Rio Grande e Região, representado por seu presidente, Luiz Escobar, e do Sindigêneros do Rio Grande, representado pelo presidente Luís Castanha. Também estiveram presentes o coordenador do Executivo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC, Douglas Pinheiro, e as assessoras Graziele Paiva e Michele Trindade.
Durante a reunião, Luiz Escobar destacou que o Sindilojas Rio Grande e Região possui base territorial composta por importantes municípios da faixa costeira sul do Estado – Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Chuí, São José do Norte, Mostardas e Tavares. Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essas localidades concentram cerca de 271 mil habitantes, o que evidencia a relevância social e econômica da região para o Rio Grande do Sul.
A área é marcada por uma dinâmica econômica fortemente associada às atividades ligadas ao litoral e ao ambiente marítimo, como pesca, turismo, transporte, serviços e comércio. Nesse contexto, o setor comercial exerce papel fundamental na geração de empregos, na circulação de renda e na sustentação da atividade econômica das comunidades locais.
Embora reconheçam a importância das iniciativas voltadas à preservação ambiental e à proteção dos ecossistemas costeiros, as entidades do Sistema Comércio manifestaram preocupações quanto aos possíveis impactos socioeconômicos decorrentes da criação das unidades de conservação, especialmente sobre atividades produtivas que sustentam a economia local e regional.
Durante o encontro, foi ressaltado que o setor pesqueiro, já impactado nos últimos anos, passou a enfrentar novas restrições com a criação do parque. A limitação de acesso às áreas de pesca tem comprometido a principal fonte de renda de muitas famílias, além de provocar o deslocamento para áreas mais distantes ou menos produtivas, com aumento de custos e esforço operacional.
Também foram mencionadas tensões entre comunidades locais e os órgãos responsáveis pela preservação ambiental, bem como os impactos de ordem cultural, uma vez que a pesca integra a identidade e a tradição dessas populações. Diante desse cenário, muitos pescadores têm buscado alternativas de subsistência, como o turismo sustentável, a aquicultura ou outras atividades, que nem sempre se mostram viáveis ou suficientes.
A reunião teve como foco ampliar o diálogo institucional e compreender quais alternativas podem ser construídas para conciliar a proteção ambiental com o apoio social e econômico às comunidades afetadas. A CNC reforçou o seu compromisso com a busca de soluções equilibradas que promovam o desenvolvimento sustentável e considerem a realidade econômica e social do litoral sul gaúcho.
Foto: Michele Trindade