Empresa é um misto de atacado e varejo, com proposta de vender alimentos, itens de higiene e limpeza a preços mais baixos (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press %u2013 30/10/12
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São Paulo – Nos últimos meses, muito se especulou a respeito do futuro do Walmart no Brasil. Desde que, há pouco mais de um ano, a empresa de investimentos Advent International anunciou a compra de 80% das operações brasileiras da rede americana, uma série de boatos dominou os debates entre os especialistas, desde uma possível entrada da Amazon no negócio até a transformação por completo das lojas existentes no país.

Ontem, o Walmart enfim anunciou o que fará de sua operação no Brasil. A primeira mudança será o nome da marca, que passará a ser chamada de Grupo Big. A segundo envolve a adoção de um novo modelo de negócios, mais focado no que o mercado chama de atacarejo, setor que mistura atacado com varejo e tem a proposta de vender principalmente alimentos e itens de higiene e limpeza a preços mais baixos do que os encontrados nos hipermercados e supermercados.

A companhia prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão nos próximos 18 meses para modernização e ampliação de suas lojas, de forma que elas possam competir no mercado de atacarejo. Os números explicam a nova estratégia. De acordo com pesquisa da consultoria Nielsen, 60% dos lares do país são abastecidos por produtos comprados nos atacarejos. Esse movimento levou a um aumento consistente das vendas, que subiram 12,8% no ano passado, um desempenho expressivo diante do crescimento modesto da economia.

O agora Grupo Big conta atualmente com 550 lojas e 50 mil funcionários em 18 estados brasileiros, além do Distrito Federal. A companhia afirma ser o terceiro maior conglomerado de varejo alimentar do Brasil. “As lojas de hipermercado Walmart nas regiões Sul e Sudeste passarão a se chamar Big, enquanto no Nordeste, todos os hipermercados serão Big Bompreço”, afirmou a companhia em comunicado à imprensa. “Até junho de 2020, a expectativa é concluir a reforma de 100 hipermercados”, concluiu a empresa.

Segundo o mesmo comunicado, a bandeira Sam’s Club terá 10 novas lojas em um período de um ano, sendo que a primeira deverá ser inaugurada nas próximas semanas. Outras três serão abertas até o fim de 2019. “Esse movimento faz parte do projeto de conversão de hipermercados em Maxxi Atacado e Sam’s Club”, informou o grupo.

A mudança de nome não deixa de ser curiosa. O Walmart é a maior rede varejista do mundo, líder com folga do mercado americano – o maior do planeta – e uma das empresas mais bem-sucedidas da história. A inclusão de uma nova marca se deve a razões econômicas. Apenas pelo uso do nome, a empresa precisa pagar royalties mensais aos americanos, donos da marca Walmart, de 0,7% das vendas. Com a mudança, essa obrigação é anulada.

“A nova estratégia vem em boa hora”, diz Eduardo Tancinsky, consultor especializado em marcas. “O Brasil vive um período de arrumação da casa que deverá culminar em crescimento sólido no futuro próximo. Tudo indica que o consumo voltará com força, beneficiando principalmente grandes redes varejistas”.

Surgido em 1995, o Grupo Big está consolidado no mercado brasileiro. O grupo tem oito bandeiras, entre hipermercados (Big e Big Bompreço), supermercados (Super Bom Preço e Nacional), atacado (Maxxi Atacado), clube de compras (Sam’s Clube) e lojas de vizinhança (TodoDia). O Grupo Big é o terceiro maior conglomerado de varejo alimentar do Brasil.

O Walmart jamais decolou no Brasil. Apesar do sucesso global, nunca conseguiu passar do terceiro lugar no       ranking do varejo brasileiro. Nas duas últimas décadas, a operação da rede no país ficou marcada pelo fechamento de lojas, trocas de presidentes e prejuízos constantes.

Até episódios de corrupção foram registrados. Em junho passado, o Walmart fechou acordo com autoridades nos Estados Unidos para encerrar uma investigação sobre práticas de corrupção fora do país. A empresa pagou US$ 282 milhões em multas por não ter agido para evitar a prática de atos ilícitos no Brasil, México, Índia e China. No Brasil, o Walmart informou ao Departamento de Justiça americano ter feito pagamentos indevidos a servidores do governo como contrapartida para facilitar a construção de lojas.

Fonte Oficial: EM.

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