São grandes as chances de os juros nos Brasil e nos Estados Unido permanecerem estáveis ao longo deste ano. Nesta segunda, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic em 6,5% ao ano, uma situação que se repete há 12 meses. Horas antes, o Federal Reserve, o BC americano, também tinha decidido manter inalterada a taxa básica de juro. 

 Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, o cenário externo está muito favorável para o Brasil e abre espaço para a manutenção dos juros básicos nos atuais níveis por um bom tempo. 

 Mas este ambiente benigno não significa que o mercado financeiro vai andar na linha nas próximas semanas. Nesta segunda, o Ibovespa – principal indicador da Bolsa brasileira – fechou em baixa de 1,55%, a 98.041 pontos e o dólar caiu 0,61%, encerrando o dia na marca de R$ 3,766. 

Rafael Panonko, da Toro Investimentos, aponta que a volatilidade no mercado financeiro vai acompanhar o ritmo da tramitação da reforma previdenciária. “O mercado vai estar mais atento a essa questão do que a aspectos internacionais.” 

 Decisões não surpreendem, mas trazem novidades 

 As decisões não surpreenderam o mercado, mas os comunicados das duas instituições deram pistas que indicam para uma estabilidade no cenário para os juros em 2019. 

 Nos Estados Unidos, houve uma revisão para baixo das projeções para o crescimento da economia e o comunicado de que não fará um aperto na política monetária. “Isto sepulta a possibilidade de alta em 2019”, ressalta José Pena, economista-chefe da Porto Seguro Investimentos. 

É uma tendência mundial, que já foi referendada por outras grandes economias mundiais. A China está em um processo de injeção de recursos na economia, na tentativa de impedir uma queda no crescimento. E o Banco Central Europeu (BCE) tenta conter o fraco crescimento da região. 

No Brasil, o Copom trouxe duas novidades: a primeira, apontando para uma melhora nos fatores que mantém contida a inflação e a segunda, sinalizando que o Banco Central fará uma análise mais aprofundada e demorada antes de tomar uma eventual decisão de reduzir a Selic, atualmente em 6,5% ao ano.  

Razões da desaceleração  

Segundo Pena, a greve dos caminhoneiros, o processo eleitoral, a crise na Argentina e o menor crescimento da economia mundial estão causando a desaceleração da atividade econômica. Não é o que pensam entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apontam que os juros elevados estão inibindo a expansão da atividade econômica.  

Nas últimas quatro semanas, o mercado tem se mostrado menos otimista quanto ao futuro. Pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central junto a bancos e corretoras – o Relatório Focus – mostra que, nas últimas quatro semanas, as projeções do PIB para 2019 caíram de 2,48% para 2,01%. As da produção industrial de 3% para 2,57%.  

Para Pena, o Copom quer ver se há uma dissipação desses impactos sobre a economia e aguarda a tramitação da reforma da Previdência antes de tomar uma decisão sobre novos cortes no juro básico.

Fonte Oficial: Gazeta do Povo

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