Enquanto todas as demais classes de renda mostraram quedas em relação ao primeiro semestre de 2019, a classe E se sobressaiu
(Arte: TUTU)

A concessão do auxílio emergencial por até cinco meses e a antecipação do pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário foram decisivos para impedir uma degradação da renda das famílias no primeiro semestre deste ano. Entretanto, tais medidas para mitigar os impactos da crise econômica gerada pelo covid-19 têm características de atuação limitada e pontual, sem a possibilidade de contribuir para o aumento tradicional de consumo no fim do ano.

Na análise do primeiro semestre, estudo elaborado pela Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) aponta que o total da massa de rendimentos das 70,5 milhões de famílias de todas classes sociais (A, B, C, D e E) cresceu, de forma agregada, 3,3% em relação ao mesmo período de 2019, alcançando R$ 1,91 trilhão. Isso representa um acréscimo de R$ 63,9 bilhões sobre o montante dos seis primeiros meses do ano passado. A renda média mensal familiar alcançou R$ 4.558, ou seja, 2,6% acima da média de 2019, no mesmo período.

Saiba mais sobre a situação econômica e política do País:
O que esperar da economia e da política nos próximos meses?
Queda do PIB reforça necessidade de que governo assegure sobrevivência de pequenas empresas
Proposta da Reforma Administrativa precisa evoluir; ouça

Já no resultado individual, como 85% destes aumentos nas transferências federais foram destinadas à classe E – composta por 46,5 milhões de pessoas (17 milhões de famílias) –, o recebimento financeiro para essa faixa de renda foi praticamente oito vezes (779%) superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Sendo assim, enquanto todas as demais classes de renda mostraram quedas em relação ao primeiro semestre de 2019, tanto no total da massa de renda semestral como na média mensal familiar, a classe E obteve resultados positivos – 62,7% e 61,5%, respectivamente.

As quedas se deram de forma diretamente proporcional ao nível de rendimento, ou seja, o grupo com maior redução foi a classe A, seguida por B, C e D. Importante destacar que, para o estudo, o critério adotado pela FecomercioSP para definição de classes de renda, de acordo com a média de rendimento familiar mensal, foi o seguinte.

Classe A: acima de R$ 16.900.
Classe B: entre R$ 11.600 e R$ 16.900.
Classe C: entre R$ 2.640 e R$ 11.600.
Classe D: entre R$ 1.950 e R$ 2.640.
Classe E: até R$ 1.950.

Com o decorrente crescimento do desemprego por causa da redução nas vendas das empresas – e sem o auxílio emergencial –, 24% da população (justamente os mais carentes) teriam sofrido queda de 0,4% na renda. Apesar de as parcelas do auxílio terem sido, recentemente, estendidas, o valor do auxílio emergencial foi reduzido para R$ 300 – metade da quantia concedida nos primeiros cinco meses do programa.

Pagamento do 13º salário

O rendimento advindo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também auxiliou essa faixa de renda no primeiro semestre de 2020 em comparação a 2019. Enquanto o rendimento do trabalho da classe E caiu R$ 781 milhões em 2020; relativamente ao primeiro semestre de 2019, a renda com a antecipação do décimo terceiro cresceu R$ 864 milhões (compensando a perda salarial desse grupo de famílias). Com isso, a classe E passou a consumir novos itens básicos. Embora a antecipação do décimo terceiro tenha dado bons resultados, as vendas de fim de ano devem ser afetadas, uma vez que grande parte do dinheiro que sustenta o aumento tradicional do consumo na época, já foi gasta.

 

Fonte Oficial: FecomercioSP

Comentários/Comments

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do VIP CEO.