Método substitui dedicação de vários meses a um plano de negócios com o dobro ou triplo de tempo no desenvolvimento de um protótipo
(Arte: TUTU)

*Por Vitor Magnani

Se você é empreendedor, provavelmente já deve ter ouvido de alguém a importância de ter um plano de negócios bem-estruturado, com o maior nível de detalhes possível, como projeções de receita, lucro, fluxo de caixa para os cinco anos seguintes, e por aí vai. A orientação era esgotar praticamente todos os recursos em uma visão única do produto, com a construção de uma primeira versão, que poderia levar meses ou até anos para ser lançada. Sem falar no risco de descobrir, só depois de muito tempo e investimento, que os consumidores não querem seu produto. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que esse era o caminho ideal para validar sua ideia, mas a metodologia Lean Startup chegou para mudar isso.

O conceito Lean pode ser traduzido como “enxuto” e é aplicado sempre que se busca eliminar desperdício de tempo, custo ou recursos a fim de chegar a uma qualidade maior o mais rápido possível. A metodologia traz à tona algumas práticas valiosas, como o Produto Mínimo Viável (MVP, do inglês Minimum Viable Product), no qual o investimento inicial é mais baixo – apenas referente aos recursos necessários para testar o projeto – e oferece um ciclo de feedback que orienta o desenvolvimento no futuro. Assim, todos os recursos não essenciais são deixados de lado e a produção contém apenas as características mais importantes.

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Quando se pensa em um MVP, sua criação deve se basear em três pilares:

• Mínimo: o produto contém apenas recursos básicos e o que não for crucial fica para uma próxima etapa;

• Produto: a produção deve ser interessante para o seu público-alvo, tendo uma aplicação bem clara;

• Viável: significa que o produto tem potencial e chance de criar valor para as pessoas.

Isso quer dizer que em vez de você se dedicar vários meses a um plano de negócios, ao estudo de mercado e com o dobro ou triplo de tempo no desenvolvimento de um protótipo, a proposta é colocar em circulação um produto minimamente viável. Uma vez no mercado, o segundo passo é colocá-lo na rua para o cliente final testar. É nesse momento que você começa a receber críticas, elogios, dúvidas e planeja as melhorias de seu produto a partir das respostas desses primeiros consumidores. Entre erros e acertos, entra em cena um outro conceito, bastante comum no mundo das startups: pivotar. A expressão significa mudar rapidamente pontos do modelo de negócio de acordo com a necessidade.

Essa etapa de construção e validação do produto é conhecida como customer development, pois está baseada em trabalhar de acordo com o feedback do cliente. Isso pode parecer intuitivo e muitos acreditam que não precisa de processos. Um erro grave. Há, de fato, uma metodologia composta por quatro passos que deve ser aplicada com rigor, mas com flexibilidade, de acordo com o tipo de negócio da startup:

– Customer Discovery: Os questionamentos pertinentes a este tópico podem ser considerados da seguinte maneira: o produto resolve um problema? Há um mercado no qual essa demanda exista? Antes de desenvolver algo, discuta ideias com seu sócio, equipe ou alguém de confiança e liste as características e funcionalidades que esse produto deve ter em termos de prioridade.

– Customer Validation: Os clientes pagariam pelo meu produto? Essa é a etapa que dura mais tempo, pois o empreendedor precisa validar todos os blocos do modelo de negócio. Alguns questionamentos são fundamentais: como o cliente está usando o produto? Quais são as áreas mais utilizadas? Como ele resolve aquele problema que você identificou no início? Do que o cliente sente falta? Qual o modelo de cobrança ideal?

– Customer Creation: É nessa etapa que é feito o marketing launch, o lançamento da empresa de maneira mais formal. Para entrar nesse estágio, a startup precisa ter uma receita operacional de, pelo menos, dez mil reais mensais, porque quando a empresa chega nesse patamar significa que conseguiu provar o valor do seu negócio, e agora deve focar em execução de marketing e vendas.

– Company Building: É o momento em que a organização tem o desafio de crescer e chegar ao público mainstream. Trata-se de uma fase em que o foco será estruturar seus departamentos e seus processos de operação para suportar a escala e conseguir crescer.

Resumindo: O MVP nada mais é do que um instrumento de teste para o seu produto ou serviço com um mínimo de funções que, a partir do feedback de uso das pessoas, são incluídos ou modificados alguns mecanismos. Isso o ajuda a antecipar problemas ou, até mesmo, redefinir sua estratégia de negócio. Afinal de contas, qual a melhor forma de validar sua ideia senão na prática, certo?

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*Vitor Magnani é coordenador-executivo do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP.
Artigo originalmente publicado na Forbes Online em 22 de abril de 2021.

Fonte Oficial: FecomercioSP

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