SÃO PAULO  –  A atração de talentos é uma prioridade na minha carreira desde a época em que eu atuava como presidente de empresas. Agora, como coach de CEOs, percebo conversando com meus clientes que, com a transformação digital trazendo novas pressões e oportunidades a todos os negócios, atrair talentos se tornou ainda mais crucial. Nunca um líder, seja ele presidente ou supervisor, dependeu tanto disso. 

A lógica é clara. Quem já liderou grandes talentos sabe o quanto eles podem transformar resultados, trazendo inovações, novos negócios, ideias e caminhos para que metas sejam superadas. Atrair profissionais talentosos é hoje uma questão de vida ou morte nesse mundo corporativo tão competitivo. 

Mas se todo mundo que ter talentos em seus times, percebo que pouca gente sabe como atraí-los. A maioria acha que um ótimo salário e pacote de benefícios é o suficiente. Mesmo se fosse, sabemos que não temos todo o dinheiro do mundo no orçamento para oferecer quando a necessidade surgir. 

Antes de compartilhar meu novo aprendizado sobre esse tema tão relevante, vale a pena esclarecer qual é a melhor definição de talento. Não penso ser talento pessoas que executam bem e entregam o arroz com feijão direitinho. De forma nenhuma quero diminuir o valor dessas pessoas nas organizações – pelo contrário, elas são fundamentais e devem ser valorizadas pela liderança. Só não são talentos.

Talento para mim é outra coisa. Talentos são aqueles que fazem muito bem aquilo que você não faz, e que têm potencial para fazer bem melhor algo que você faz. 

Um evento de que participei no início deste mês me deu uma nova luz sobre como atrair talentos. Na Câmara Americana do Comércio (Amcham), assisti a uma palestra com Ram Charan, considerado um maiores consultores de negócio do mundo. Tenho muita admiração pela maneira tão pragmática com que ele encara os grandes desafios de liderança. Aos 80 anos, ele ainda esbanja energia e vitalidade que deixam muitos jovens comendo poeira. Disse que vai a China duas vezes por mês e faz em torno de 300 voos por ano. Para muitos, incluindo eu, é uma loucura. Para ele, é uma maneira de ter uma vida  plena. 

Ram Charan falou de vários temas, desde transformação digital a processos de inovação, e deu uma dica sobre atração de talentos que eu considerei uma contribuição valiosa para compartilhar.

Segundo ele, para atrair talentos você precisa oferecer para essas pessoas a chance de realizar na sua empresa ou departamento o que eles não poderiam realizar na empresa deles. Isso é tão ou mais importante que a remuneração em si. Um grande talento tem desejo de desafio de aprendizado e de reconhecimento. Talvez por isso muito deles estejam migrando para startups ou potenciais unicórnios. 

Vejo muitos líderes querendo atrair talentos só pela remuneração e por promessas. Conheço um que investiu muito nesse aspecto na montagem do seu time, e os resultados foram decepcionantes. Depois de dois anos, todos haviam saído, de um jeito ou de outro. O maior motivo: não conseguiram realizar o que esperavam. Nesse caso o líder não abriu mão do controle, e acabou extraindo o pior e não o melhor daquele grupo de profissionais talentosos. 

Se gerir grandes talentos não é para qualquer um, o mesmo vale para a atração de talentos. Se você não tem um pacote completo que inclua uma remuneração corrente mas que venha também com desafios e aprendizados, o melhor não é ter pessoas super especiais na sua equipe. O investimento pode não trazer o retorno adequado tanto para quem se esforçou para atrair como para quem decidiu vir. 

Quando isso acontece, é frustração para todos os lados. Mas se você procura desenhar uma oportunidade com as características que mencionei, vá em frente. Isso pode trazer muitos benefícios também a você. 

Sergio Chaia é coach de CEOs e de treinadores de atletas de alto rendimento, atua em conselhos de empresas e faz mentoria para empreendedores. 

Esta coluna se propõe a abordar questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Fonte Oficial: Valor.

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