A Apple está trabalhando para entrar no mercado de streaming, tornando-se mais uma concorrente para gigantes como Netflix e Amazon Prime. Mas, se as informações que temos até agora estiverem certas, a empresa de tecnologia não está simplesmente tentando tirar consumidores dos outros serviços de streaming – ela está, na realidade, tentando aumentar sua base de usuários de hardware.

De acordo com uma pesquisa de 2017, a Apple começou a perder o favoritismo entre consumidores dos Estados Unidos. A Amazon e o Google estão se tornando mais populares entre os usuários de tecnologia, fazendo com que a Apple decidisse entrar em um novo território. Mas, como a estimativa é que a Netflix tenha 147,5 milhões de usuários individuais somente neste ano, essa batalha pode não ser para tirar a gigante do streaming do trono, mas simplesmente dar mais um motivo para usuários de smartphones e smart TVs trocarem de aparelho. Pelo menos, parece ser esse o caso.

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Supostamente, a Apple vai adicionar um serviço de streaming entre seus serviços exclusivos – serviço este que não pode ser acessado a partir de aparelhos de outras marcas.

Segundo o jornal USA Today, os usuários teriam que ter um iPhone, iPad ou uma Apple TV para ter acesso ao serviço de streaming da Apple, enquanto usuários da Netflix e Amazon Prime podem acessar os serviços de qualquer aparelho.

Mas, com a contratação de funcionários com experiência de TV e um investimento de US$ 1 bilhão em projetos de entretenimento – incluindo uma série com a Oprah Winfrey –, a Apple pode criar empolgação suficiente para conseguir usuários de outros serviços.

Ainda assim, a Apple precisa correr muito para conseguir chegar perto da Netflix. Com uma receita de US$ 14,9 bilhões nos últimos 12 meses, o serviço de streaming tem capital suficiente para desenvolver e comprar alguns dos programas mais populares e amados da indústria. Então, manter sua posição como serviço de streaming mais popular pode não ser tão difícil assim.

O streaming pode ajudar a Apple a ganhar da Amazon?

Depois do lançamento do iPhone X no final de 2017, as vendas do começo de 2018 foram decepcionantes. Na época, muitos chegaram a se questionar se a Apple conseguiria se recuperar – uma preocupação que passou quando a empresa anunciou seus números de venda do segundo trimestre de 2018. Ainda assim, a maior concorrente da Apple, a Amazon, não está muito longe.

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Em um relatório da Forrester, empresa de pesquisa de mercado, James McQuivey explicou que, quando comparada com a Amazon, “os pontos fortes da Apple, que funcionam como uma assinatura da marca, não são mais a alavanca que costumavam ser”.

“Os serviços da Amazon e a estratégia baseada na conveniência superaram a abordagem que valoriza o produto da Apple, fazendo com que a Amazon tenha acesso mais rápido a novos mercados”, concluiu McQuivey.

Ainda segundo o relatório, a Apple vai perder ainda mais com o tempo, porque a Amazon tem mais significado para um número maior de pessoas. O fato de ter um serviço de streaming tão popular e conveniente pode ser apenas um dos motivos pelos quais os usuários estão dispostos a pagar US$119 por ano para serem membros do Amazon Prime nos EUA – além dos vários outros benefícios oferecidos pela empresa.

Talvez a Apple tenha percebido que seus produtos não são mais uma justificativa forte o suficiente para manter a popularidade da marca, e está disposta a ramificar seus serviços para manter seus consumidores empolgados com seus produtos.

Para fazer com que o público esteja atento, o serviço deve ser lançado na primeira metade de 2019, ficando disponível em aparelhos de mais de 100 países ao mesmo tempo.

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A empresa também planeja entrar no território da Amazon Prime ao oferecer a possibilidade para seus clientes de escolherem pacotes de canais de TV a cabo, assim como sua própria seleção de originais. Infelizmente, essa mudança vem tarde, já que a Apple já ficou para trás no quesito entretenimento.

Como o portal The Verge apontou, a Apple dominou o mercado de mídias digitais 15 anos atrás com o iTunes, software usado para descobrir, comprar e ver programas de televisão, música e filmes. Mas, apesar da predominância do iPhone no mercado de smartphones, a empresa perdeu sua posição para serviços como Spotify e Netflix. Baixos custos de adesão, grande variedade e a possibilidade de usar esses serviços com qualquer aparelho podem ter contribuído para que usuários rejeitassem o iTunes.

Será que a empresa vai conseguir mais espaço no mercado com um novo serviço de streaming? A resposta pode até não ser um “sim” muito seguro, já que a Apple ainda não está pronta para se aventurar fora de seus produtos. Mas talvez a nova estratégia os ajude a aumentar as vendas – ou pelos menos assuste a Netflix e a Amazon o suficiente para fazer com que elas ofereçam serviços melhores para seus consumidores.

Qualquer que seja o resultado, os consumidores terão os benefícios da competição de mercado.

*Chloe Anagnos é escritora, estrategista digital e publicitária.

Tradução: Gisele Eberspächer

©2018 Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês.

Fonte Oficial: Gazeta do Povo

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