SÃO PAULO  –  Cada vez mais, presidentes de empresas têm se manifestado sobre temas sociais e políticos, adotando um perfil que especialistas já começam a chamar de “CEO ativista”. Agora, um estudo de professores europeus aponta que essa atitude pode ajudar na hora de a empresa recrutar profissionais. 

Pesquisadores da Universidade de Bath e da Imperial College London, do Reino Unido, e da francesa Audencia Business School fizeram estudos com mais de mil participantes baseados nos Estados Unidos. Os experimentos criaram situações em que CEOs se manifestavam sobre causas como imigração e casamento entre pessoas do mesmo sexo, e depois mediu a disposição de os profissionais se candidatarem a uma vaga naquela empresa. 

Os participantes se mostraram cerca de 20% mais interessados em trabalhar em uma empresa com um CEO “ativista”, com visões mais humanistas em temas como imigração e casamento gay. Os resultados apareceram entre participantes de diferentes perfis, e mesmo entre pessoas de orientações políticas variadas. 

Andrew Cane, professor da escola de negócios da Universidade de Bath, diz que esse último ponto surpreendeu os pesquisadores. “Os participantes não necessariamente precisaram concordar com as opiniões. Os funcionários parecem querer que seus CEOs assumam posições mais liberais e humanistas independentemente da sua posição pessoal”, diz.

Em um levantamento da empresa de comunicação Edelman com mais de 33 mil pessoas de 28 países, entre eles 1.150 brasileiros, 56% disseram que não respeitam CEOs que permanecem em silêncio diante de assuntos importantes. No Brasil, 60% afirmaram que os presidentes devem “assumir a liderança em movimentos de mudança”. 

Um estudo da Harvard Business School e da Universidade de Duke mediu o impacto de um caso específico ocorrido em 2015. Em uma coluna publicada no “The Washington Post”, o CEO da Apple, Tim Cook, se apôs a uma lei aprovada no Estado americano de Indiana que permitia que negócios se recusassem a atender clientes por razões religiosas. Várias personalidades e executivos se posicionaram contra a medida por achar que ela aumentaria a discriminação contra pessoas LGBTI. 

Os pesquisadores consultaram mais de 5 mil pessoas para entender se a posição de Cook teve influência na opinião pessoal deles sobre a nova lei, e que tipo de impacto teria na predisposição dos participantes a comprar produtos da Apple. 

Entre aqueles que já se diziam a favor da legalização do casamento gay, o apoio à lei que permitia usar a religião para recusar serviços caiu de 14,3% para zero quando os participantes foram informados de que Cook era contra a medida. Já entre os participantes contrários ao casamento gay, o apoio à lei se manteve estável, em torno de 90%. No entanto, quando esses participantes foram informados que “algumas pessoas consideram a medida discriminatória” – sem a conexão com Cook ou outros executivos – esse número caiu para 70%. 

Entre participantes simpáticos ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, a disposição para comprar produtos da Apple aumentou após eles saberem como Cook se posicionava. Já entre os que eram contra a legalização do casamento gay, a opinião de Cook não fez diferença. 

Fonte Oficial: Valor.

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