O uso de novas tecnologias no ambiente produtivo como inteligência artificial, veículos autônomos e robôs deve provocar um acréscimo de US$ 15,7 trilhões no PIB global até 2030, segundo a consultoria PwC.  Isto corresponde, aproximadamente, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), à riqueza gerada por todos os países do mundo em dois meses.

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Os acréscimos virão por meio de ganhos de produtividade e otimização de processos. E quem mais vai ganhar são a China, Estados Unidos e Canadá, onde o uso dessas tecnologias é mais avançado. “40% dos ganhos mundiais ocorrerão nessas regiões”, diz Tomás Roque, sócio da PwC Brasil. Europa e países mais desenvolvidos da Ásia também terão ganhos relevantes.

Segundo Roque, muitos desses países já vem se preparando para esses cenários há tempo. É o caso dos Estados Unidos, onde em 1968 foi criado o Instituto para o Futuro, uma ONG que ajuda empresas no planejamento de longuíssimo prazo.

Países da América Latina, onde o processo de utilização da robotização e da inteligência artificial é mais lento, terão só 5% dos benefícios gerados pelo incremento do uso de tecnologia no processo produtivo. “São países que no futuro tendem a ser provedores de mão de obra e compradores de tecnologia”, destaca Roque.

Os setores que tendem a ser mais beneficiados são os de varejo, serviços financeiros e serviços de saúde.

Segundo a PwC, os segmentos em que há grandes possibilidades de automação são transporte e armazenamento, indústria, construção, serviços administrativos e comércio. No transporte, o principal impacto vem dos veículos autônomos. E há países, como a Índia, que já vem reagindo, com a proibição deste tipo de veículo.

As novas tecnologias e os impactos no mercado de trabalho

O uso dessas tecnologias terá um impacto profundo no mercado de trabalho, com o surgimento e o desaparecimento de profissões. Roque afirma que as profissões mais afetadas serão justamente as que envolvem processos repetitivos, análise e processamento de dados.

“São setores que contratam mão de obra extremamente mecanicista”, complementa o professor Marco Túlio Zanini, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (Ebape/FGV).

Ele aponta que profissionais que são meros operadores de máquinas ou que se consideram extensão das máquinas e robôs também não terão espaço no novo ambiente de trabalho.

As profissões menos afetadas são aquelas que estão em um contexto “mais humano” e que dependem de criatividade, liderança, adaptabilidade e colaboração.

Outro impacto no mercado de trabalho será uma ‘polarização’ cada vez maior entre profissionais mais técnicos e os mais criativos. “Competências que serão muito cobiçadas neste novo ambiente são saber analisar dados, trabalhar com modelos estatísticos, operacionalizar plataformas digitais e ter um conhecimento preditivo”, destaca Roque.

Além de entender de tecnologia e ter habilidades digitais, o professor da Ebape/FGV destaca que o profissional do futuro terá de ter uma visão holística dos negócios com os quais está envolvido.

“Também terá de saber se conectar com outras equipes, principalmente aquelas que lidam diretamente com o produto e o mercado e ser capaz de entender os elementos determinantes que podem ajudar no desempenho do negócio. A tecnologia vai criar muitas possibilidades a serem exploradas.”

Zanini destaca que estão se abrindo novas frentes de trabalho para quem trabalha nas áreas de tecnologia da informação (TI), robótica, mecânica e programação. “Também serão beneficiadas áreas como compliance, finanças e contabilidade, por causa da necessidade de controles internos.”

Preocupação com o futuro

Uma pesquisa mundial feita pela PwC sinaliza que 37% das pessoas estão preocupadas com os novos cenários no ambiente de trabalho. 74% dizem estar preparadas para aprender novas habilidades ou serem retreinadas para que possam manter sua empregabilidade no futuro. Três em cada cinco acreditam que poucas pessoas terão estabilidade e ficarão muito tempo no emprego.

Segundo a PwC, é necessário um aumento nos investimentos em educação para ajudar as pessoas se adaptarem às mudanças tecnológicas ao longo de suas carreiras. E esses recursos não devem vir só do governo, como também de empresas, sindicatos e organizações não governamentais, aponta a consultoria.

Uma estratégia que o governo deve seguir, conforme Zanini, é o de desenvolver políticas públicas destinadas a facilitar a aprendizagem das novas tecnologias. “Políticas limitantes estarão fadadas ao fracasso, pois colocarão a sociedade no rumo do atraso”, enfatiza. “Mas não dá para depender exclusivamente do governo.”

O especialista aponta que o Brasil tem plenas condições de surfar na onda desse novo modelo no ambiente de trabalho, assim como já aconteceu com a Índia. “Somos consumidores de novas tecnologias. Também temos uma cultura de fácil assimilação a elas e um grande mercado”, sintetiza.

Fonte Oficial: Gazeta do Povo

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