A alta para perto de R$ 4,20 do dólar nesta quinta-feira, 14, não deve ser tomada com surpresa, já que esse é um evento recorrente nos processos pré eleitorais, disse o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo de Oliveira, na abertura do Fórum Brasileiro das Incorporadoras, promovido pela Abrainc, em São Paulo.

“Se atualizarmos o câmbio de 2002, daria a mais de R$ 8,00. O que estamos assistindo é 50% do nível de estresse de 15 anos atrás e isso mede a evolução que tivemos enquanto econômica e País”, citou.

De acordo com ele, o comportamento não é minimamente comparável com o que o País viveu nas últimas cinco décadas, “em que a economia tinha dependência de uma ou duas commodities agrícolas, para uma economia ainda de commodities mas diversificada”.

Oliveira relembrou que o Brasil convive com equilíbrio da balança, reservas internacionais, inflação controlada e um regime institucional sólido.

“O impacto da eleição nas nossas vidas e decisões econômicas é menor, porque já avançamos em várias pautas, o que fará com que nenhum dos candidatos ande para trás em pautas já consolidadas”, previu.

De acordo com ele, qualquer que seja o presidente eleito, haverá continuidade aos grandes avanços obtidos, embora “cada um deva colocar seu encaminhamento, pode ter mais ou menos impacto no crescimento”.

Presidente do BNDES prevê crescimento de 3% nos próximos anos

O presidente do banco de fomento ainda previu crescimento de 3% ao ano da economia brasileira nos próximos anos, “sem problemas”. “Mas precisamos fazer a reforma da previdência”, acrescentou.

Oliveira comentou ainda sobre a importância do setor imobiliário e de construção para o crescimento do País, lembrando que a construção residencial responde por 25% dos investimentos e que, somado à infraestrutura alcança os 50%. “A saída para o País é o investimento. Portanto, é a construção que terá de andar. A saída para o Brasil é o crescimento do mercado imobiliário, da construção e da infraestrutura e qualquer um que assuma vai buscar esse caminho”, comentou.

Oliveira observou ainda que se a taxa de juro permanecer no atual nível por dois anos, os R$ 6 trilhões de recursos que estão “parados” em fundos de renda fixa, reservas dos fundos de pensão e das seguradoras e nos Family offices podem irrigar o setor.

Oliveira ponderou que é preciso entretanto concluir a regulamentação das (Letra Imobiliária Garantida (LIGs), implementar as mudanças recentes no mapa e avançar em novos instrumentos financeiros. Ele citou ainda como essencial que se aumente a segurança jurídica no setor.

Fonte Oficial: Estadão

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