SÃO PAULO  –  As taxas de DI de longo prazo tiveram, nesta terça-feira (13), a maior queda em duas semanas. O gatilho do movimento, entretanto, não veio de uma mudança estrutural da economia, que costuma movimentar esse trecho. Profissionais de mercado apontam que o ajuste – de caráter mais técnico – veio com a leitura de que o ciclo de corte de juros está chegando ao fim, revertendo a dinâmica que vinha perseverando no mercado. Alguns players apostam que, após corte final da Selic em março, o BC deve sinalizar a interrupção da flexibilização monetária.

Até então, os juros mais curtos vinham caindo com as apostas de Selic mais baixa, enquanto os longos se movimentaram num ritmo bem mais lento. Como resultado, a distância entre as duas pontas – chamada de inclinação da curva de juros – aumentou por dez sessões consecutivas, desde 26 de fevereiro.

Nesta terça-feira, que também contou com ventos favoráveis a ativos de risco no exterior, foi a vez de buscar esse “prêmio” acumulado em duas semanas. A diferença entre o DI janeiro de 2021 e o DI janeiro de 2025, por exemplo, cedia 6 pontos-base no fim da sessão regular, a 135 pontos, depois de marcar, na segunda (12), o maior nível desde 28 de dezembro.

Outro ajuste foi observado no DI janeiro de 2027. A taxa caía 10 pontos-base, a 9,770%, na maior baixa em termos percentuais em duas semanas quando cedeu 15 pontos. E vale destacar que, dez sessões atrás, o que motivava a baixa também era uma questão técnica: as novas regras do CMN para aplicações em renda fixa, que buscavam justamente tirar distorções no mercado.

O quadro de juro longo em nível elevado e iminência do fim do ciclo da Selic tendem a deixar o “prêmio” na parte mais longa da curva mais atrativo do que os trechos intermediários, explicam operadores de mercado. “Não que seja a opinião majoritária (sobre um futuro sinal do Copom), mas vemos algumas casas se movimentando nesse sentido”, diz um operador.

O que se espera, em geral, do comunicado do Copom – que acompanhará sua decisão para Selic no próximo dia 21 – é a manutenção de um certo grau de flexibilidade para a trajetória do juro básico, sem fechar totalmente a porta para novos cortes. “O BC deve endurecer um pouco o tom e indicar que o ciclo realmente está terminando, mas não parece que vai se fechar a novas surpresas da inflação”, diz um gestor.

Para o economista-chefe da Garde, Daniel Weeks, o que pode mudar essa perspectiva e levar a mais cortes de juros é a expectativa de inflação de 2019, que aos poucos se tornará o ano mais relevante para a política monetária. “O BC não deve fechar totalmente a porta (para cortes de juro além de 6,50%), mas vai olhar mais as expectativas para 2019”, diz.

A pausa nos cortes da Selic, após março, confere tempo para a autoridade monetária reavaliar o cenário e até postergar uma futura alta de juros. A leitura prospectiva da política monetária também enfrenta a eleição no Brasil, aceleração da inflação no mundo e até uma redução de liquidez nos países desenvolvidos.

Vai ser um mundo com menos liquidez”, diz o sócio e gestor da Modal Asset, Luiz Eduardo Portella. “Faço parte do grupo que acredita que o BC para (de cortar juros) em 6,5%, em vez de cair mais, e consegue postergar uma alta das taxas”, acrescenta.

Fonte Oficial: Valor.

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