SÃO PAULO  –  O Ibovespa operou em alta durante a manhã de hoje. Apesar da ausência de notícias capazes de influenciar fortemente os mercados, os investidores aguardam com certo otimismo a agenda prevista para essa semana, influenciando o movimento de valorização. Às 13h35, o índice subia 0,48%, aos 103.951 pontos.

Com a pausa na tramitação da reforma da Previdência, as expectativas giram em torno da divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos e da Europa e também das informações sobre a liberação do FGTS ao longo desta semana. A injeção de recursos na economia doméstica e alguma previsibilidade em torno de um corte de juros nas demais economias podem dar algum ânimo ao mercado brasileiro.

Os grandes destaques dessa manhã na bolsa foram JBS ON (4,35%), BRF ON (4,10%) e IRB Brasil ON (3,84%).

O setor frigorífico lidera os ganhos do Ibovespa após a divulgação de um relatório do Itaú BBA.

De acordo com o documento, o dado de que a febre suína que atinge a China já dizimou aproximadamente 25% do rebanho de suínos beneficia essas empresas, com perspectivas positivas para os próximos meses. A expectativa é de que, pelo menos durante os próximos seis meses, o cenário continue bom para as companhias.

Os analistas ainda destacam que as exportações de frango para a Ásia ainda devem aumentar. Estima-se que a China precisa importar de 29% a 330% a mais de frango contra a taxa atual de produção, com o Brasil sendo capaz de contribuir ainda mais com esse mercado.

A JBS continua como a principal indicação do Itaú BBA, ainda que a BRF se beneficie mais da situação da China de acordo com o relatório. Por isso, o banco atualizou o rating da BRF para um “desempenho superior” pela primeira vez em quatro anos.

“Nós temos visto a BRF passar por uma reviravolta após o ciclo de gestão anterior. Acreditamos que a nova administração preparou bem a empresa e seja capaz de se beneficiar diante dos momentos de dificuldade, o que poderia mudar nossas visões de longo prazo”, aponta o texto. O Itaú BBA espera que a BRF registre um Ebitda na faixa de R$ 1 bilhão pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2016.

De acordo com o analista Victor Beirute, da Guide Investimentos, sem muitas novidades vindas de Brasília, sobra espaço para um destaque adicional para as histórias específicas de algumas ações. “Em dias como hoje o investidor acaba procurando mais as especificidades de cada papel”, diz.

Já a alta vista nos papéis ordinários da IRB Brasil tem relação com a oferta de ações feita pela companhia, com preço de R$88. O papel, que acumula um recuo de 7,55% nos últimos 30 dias, encontrou espaço para correção, afirma Lucas Faria, sócio da Monteverde Investimentos.

Os principais destaques negativos desta manhã foram Usiminas PN (-2,13%), Metalúrgica Gerdau PN (-2,03%), Gerdau PN (-1,88%) e Vale ON (-1,52%). A queda de 2,8% no preço do minério de ferro na China afetou todas as empresas ligadas a commodity neste pregão, mas a Vale também é influenciada pela divulgação de relatório de produção e vendas relativo ao segundo trimestre.

O documento informa que a produção de minério de ferro da companhia atingiu 60,057 milhões de toneladas no segundo semestre, queda de 33,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

As vendas de minério de ferro, por sua vez, foram de 61,945 milhões de toneladas no segundo trimestre deste ano, 15,5% abaixo ao visto no mesmo período de 2018, mas 11,8% acima do primeiro trimestre deste ano.

“Esses números já eram esperados porque a Vale ainda sofre os efeitos do desastre de Brumadinho em sua produção, mas a soma disso com a queda no preço do minério lá fora acaba puxando a empresa para baixo hoje”, diz Lucas Faria.

Dólar

O dólar opera em leve queda, também na expectativa pela agenda de indicadores e eventos que pode dar mais clareza sobre o futuro da política monetária dos maiores bancos centrais do mundo. Por volta das 13h25, a moeda americana recuava 0,23%, aos R$ 3,7371.

Internamente, o noticiário fraco deixa os negócios à mercê do sinal do exterior. “O movimento hoje é tranquilo e com pouca volatilidade entre a mínima (R$ 3,7347) e máxima (R$ 3,7477). Esse ritmo tende a acelerar conforme nos aproximarmos do fim da semana, quando a agenda fica mais carregada”, diz Fernando Bergallo, diretor da FB Capital.

Principal evento da semana, o Banco Central Europeu (BCE) se reúne na quinta-feira com expectativa de iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário. Esta manhã, os títulos europeus carregavam uma probabilidade implícita de 50% de novo corte na taxa de depósito, atualmente em -0,40%. Participantes de mercado também aguardam possíveis alterações sobre outros dispositivos ao alcance da política monetária do BC da zona do euro, como a política de compras de ativos.

Analistas do Commerzbank acreditam que a autoridade monetária da zona do euro pode iniciar o novo ciclo de forma mais incisiva do que a maioria dos investidores espera, com um corte de 20 pontos-base na taxa de depósito. “Se o BCE quiser realmente ser reconhecido como proativo, ele não irá querer correr o risco de desapontar as já elevadas expectativas dos investidores”, diz o banco alemão.

A postura mais estimulativa do BCE e, possivelmente, de outros grandes bancos centrais no mundo pode estar limitando, ao menos até o momento, um movimento mais intenso de depreciação relativa da moeda americana, nota o Rabobank. “Embora a perspectiva de que o Fed vá cortar juros tenha diminuído a demanda pelo dólar, o tom mais dovish (favorável a estímulos) de outros BCs preveniram uma correção maior do índice do dólar, que continua a ser negociado acima da mínima de janeiro”, nota o banco holandês em relatório.

Um dado que pode ajudar a calibrar as expectativas sobre o Federal Reserve sai já na sexta-feira, quando os Estados Unidos divulgam a primeira leitura do PIB do segundo trimestre. O Fed se reúne na semana seguinte e os futuros dos fed funds embutem, no momento, uma chance de 75,5% de corte de 0,25 ponto porcentual, segundo cálculos do CME Group.

Internamente, os investidores aguardam novidades sobre as medidas de estímulos à economia prometidos pelo governo, em especial os detalhes sobre o programa de saques do FGTS, cujo anuncio foi adiado para esta semana. Também existe expectativa sobre como o novo governo lidará com a pressão crescentes dos grupos de caminhoneiros que ameaçam fazer novas paralisações. Esta manhã, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, confirmou que a nova tabela de frete – alvo das reclamações da categoria – será suspensa.

“Bolsonaro apoiou os caminhoneiros no ano passado porque era conveniente. Agora vamos ver como ele lidará, dentro do governo, com a pressão de um grupo que descobriu que pode para o Brasil”, com essas pressões diz Bergallo, da FB Capital. O profissional ressalta, por outro lado, que não vê risco iminente de uma greve acontecer nesse momento.

Juros

Os investidores do mercado de renda fixa entram cada vez mais em compasso de espera sem novidades de peso no campo político e com a proximidade da reunião do Copom. Nesse contexto, os DIs apresentam volume reduzido de negociação e mostram pouca oscilação nas taxas. O DI janeiro de 2025, por exemplo, vai de 6,94% no ajuste anterior para 6,93%.

“Só se o IPCA-15 vier muito fora da expectativa que devemos ter algum reflexo na curva. Fora isso, a liquidez está baixa e todos estão aguardando a reunião do Copom”, explica um operador. O dado de inflação será divulgado amanhã e, de acordo com a mediana das projeções coletadas pelo Valor Data com 28 consultorias e instituições financeiras, o índice avançou 0,14% este mês, contra alta de 0,06% de junho.

Além disso, está no foco do mercado as medidas do governo para estimular a economia, declarações polêmicas de Bolsonaro e as negociações envolvendo caminhoneiros. 

DI janeiro/2020 é negociado a 5,665% (5,68 % no ajuste anterior) e DI janeiro/2021 tem taxa de 5,50% (5,53% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Comentários/Comments

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do VIP CEO.