Agências de viagens precisam aproveitar este período para rever o modelo de negócio e tornar o turismo doméstico mais atrativo
(Arte: TUTU)

Embora a pandemia de covid-19 tenha afetado consideravelmente o turismo, os destinos domésticos, se prejudicados em termos de faturamento, ao menos conseguiram despertar mais interesse de potenciais viajantes dispostos a conhecer o País – ainda que muito em razão das restrições de viajar para fora.

De qualquer modo, as agências de viagens precisam aproveitar este período para rever o modelo de negócio e tornar o seu principal produto – o turismo doméstico – mais atrativo. “Não podemos pensar que, quando abrirem as fronteiras, o turismo interno vai acabar. Agora é o momento de tornar sustentável o turismo doméstico”, afirmou a fundadora e mentora da RP Travel Education, Rogeria Pinheiro, no webinário Embarcando em Soluções Criativas, realizado na última terça-feira (23) como parte da série Mulheres Empreendedoras.

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À frente de uma empresa cuja função é contribuir para que agentes e consultores de viagens aprimorem e estruturem os negócios de acordo com as necessidades do mercado, Rogeria destacou que “o Brasil é um destino difícil de ser operado e vendido por falta de informação” e que as pequenas agências, afetadas sobremaneira pela pandemia, precisam “sair do piloto automático” para ganhar clientes.

Por outro lado, ressaltou que, apesar de o setor ser um dos mais prejudicados pela pandemia, “várias iniciativas floresceram” nesse período. 

“Primeiro, tivemos a oportunidade de olhar para o turismo interno de uma maneira mais madura e objetiva, perceber que o Brasil tem muitas peculiaridades – não é só feito de resorts. Segunda coisa, as pessoas enxergaram que o turismo de experiência é o turismo do presente”, indicou. “Por isso, reforço a importância do atendimento, de saber olhar para cada cliente como um indivíduo único e entregar para ele uma experiência diferente”, acrescentou.

Rogeria também contou que, desde que o surto de coronavírus começou a impactar o funcionamento dos negócios, muitos pequenos empreendedores têm procurado o serviço de mentoria para vencer a crise. Avaliando as empresas, ela descobriu que muitas cometem erros típicos de falta de planejamento, como não criar um fundo de reserva para se manter em períodos de baixa no faturamento.

“A minha sensação é que as agências de pequeno porte acabavam trabalhando muito no fluxo da demanda. A grande maioria tem uma competência muito grande na parte operacional – era uma funcionária ou entusiasta que se tornou uma agência –, mas poucas têm conhecimento sobre a estrutura de um negócio”, resumiu.

Como o setor é bastante favorecido em feriados, as empresas se veem prejudicadas pela antecipação das datas na capital paulista, ainda que compreendam que seja uma tentativa de frear o avanço do contágio de covid-19. Sobre isso, Rogeria apontou que a adoção do home office tende a impulsionar as viagens no futuro. “As pessoas estão sedentas por viajar. Como o [trabalho] remoto ficou tão normalizado, acho que a falta de um feriado oficial não vai impedir as pessoas de viajar mais para a frente”, presumiu.

Negócios administrados por mulheres

Na transmissão, Rogeria e a presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Mariana Aldrigui, pontuaram que grande parte das agências de viagens é fundada ou gerida por mulheres. “É uma experiência incrível ajudar as mulheres a enxergar o poder que têm. Muitas me procuravam para dividir as decisões que já tinham tomado, só não tinham com quem compartilhar”, relatou a empreendedora.

Mariana, por sua vez, destacou a capacidade de mulheres fazerem negócios de um jeito mais convidativo ao cliente. “A gente vê a necessidade de um olhar feminino, que não precisa vir de uma mulher. É um olhar de acolhimento, um olhar que coloca as coisas numa perspectiva maior, que não fica só necessariamente [focado] no resultado financeiro imediato”, sugeriu.

 

Fonte Oficial: FecomercioSP

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