Os EUA chegaram a um acordo para suspender as tarifas sobre tomates produzidos no México e, ao mesmo tempo, implementar restrições à importação exigidas pelos produtores da Flórida. O acordo, que também encerra uma investigação de dumping pela administração Trump, deve evitar a calamidade do setor mexicano de exportação de tomates, o maior do mundo. Também é provável que evite picos nos preços do produto nos supermercados e restaurantes dos EUA.

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O acordo foi fechado nesta semana (20) em Washington, segundo informou um grupo de associações da indústria agrícola mexicana em comunicado conjunto. O pacto de levantar a barreira tarifária provisória de 17,6%, em vigor desde maio, permitirá que os produtores mexicanos recebam depósitos bancários suspensos, que sejam criados preços de referência na importação e que entre em vigor um preço 40% maior para os tomates orgânicos. A falta de um acordo poderia ter levado a impostos ainda maiores, de 25%.

Tornar as tarifas permanentes ameaçava atingir a indústria agrícola mexicana, que envia cerca de US$ 2 bilhões em tomates para os EUA anualmente, um dos principais itens da pauta de exportações mexicanas entre frutas e vegetais, além de abacates. Os produtores da Flórida, por sua vez, disseram que o México estava injustamente prejudicando os fazendeiros americanos em relação ao preço. Acusação negada pelos mexicanos.

Desde 1996, o Departamento de Comércio e os produtores mexicanos têm operado sob o chamado “acordo de suspensão”, que adia a investigação de qualquer caso antidumping em troca de compromissos de produtores mexicanos, como não vender abaixo de um preço de referência.

Embora o acordo tenha sido atualizado e renovado várias vezes, o governo Donald Trump deixou o tratado completamente em maio, cobrando tarifas provisórias e relançando a investigação de dumping. Pelo novo pacto, os produtores mexicanos prometem fazer inspeções de qualidade em 92% dos caminhões que cruzam a fronteira. Mas o Departamento de Comércio dos EUA acredita que apenas 66% dos caminhões acabarão sendo inspecionados. Os produtores americanos exigiam que todos os tomates fossem inspecionados, o que o México argumentou ser logisticamente impossível. “O esboço do acordo também fecha brechas anteriores, que permitiram vendas abaixo dos preços de referência”, informou o Departamento de Comércio em um comunicado na quarta-feira (21).

O Departamento informou também que o novo mecanismo de inspeção vai impedir a importação de tomates “de baixa qualidade”, o que segundo o governo americano tem “efeitos supressores de preço” para o mercado mais amplo. Um estudo divulgado no início deste ano por economistas da Universidade Estadual do Arizona – e encomendado por uma associação comercial representando importadores de tomates mexicanos – mostrou como os preços da maioria das variedades de tomate aumentariam se as importações mexicanas caíssem pela metade.

Mas a
magnitude do aumento depende de muitas variáveis, incluindo as condições da
estação climática na época do crescimento das plantas. A oferta é geralmente
muito mais restrita nos meses de inverno da América do Norte, quando muitos
produtores abandonam o mercado. A análise diz que um colapso das importações
mexicanas, associado, por exemplo, a uma onda de frio em janeiro ou a um surto
de doença nas plantações da Flórida, poderia ter dobrado os preços de muitas
variedades de tomates.

Fonte Oficial: Gazeta do Povo

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