BRASÍLIA  –  O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), se encontrou nesta quinta-feira com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e voltou a defender que os atos criminosos que acontecem há mais de duas semanas no Estado sejam classificados como terrorismo.

“Nunca aconteceu o que está acontecendo, o modus operandi que esses criminosos estão atuando, você utilizar bombas para explodir viadutos, usar bomba para derrubar torre de energia, isso só pode ser classificado como terrorismo”, disse.

O governador afirmou que conversou com Moro sobre a possibilidade de alterar a lei antiterrorismo no Congresso. A ideia tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que fez declarações semelhantes na semana passada.

“Hoje em dia eu não posso tipificar essas ações como terrorismo, tem que haver uma mudança. São organizações criminosas, que estão reagindo a ações fortes do Estado de dentro do sistema prisional, tentando intimidar”, afirmou. “Isso precisa ser classificado como terrorismo.”

Segundo Camilo, a ação conjunta com o governo federal tem surtido efeito. Nesta quarta-feira, por exemplo, foram registrados somente dois ataques no Ceará. Mesmo assim, ele pediu a Moro o envio de mais 90 agentes penitenciários ao Estado.

O governador também afirmou que ainda avaliará a necessidade de prorrogar a permanência dos agentes das tropas federais que estão no Ceará por mais tempo. A princípio, a Força Nacional foi descolada para ficar 30 dias no Estado – prazo que se esgota no início de fevereiro. 

“Inicialmente foi 30 dias, vamos acompanhar como vai ser, para a gente tomar outra decisão”, disse o governador.

Camilo defendeu que o combate ao crime organizado é um problema que precisa ser enfrentado pelo governo federal, pois ultrapassou as fronteiras dos Estados. 

“Nenhum Estado sozinho vai combater o crime organizado. A violência no Brasil chegou a um patamar que é preciso uma pactuação nos Estados, é preciso rever as leis deste país, é preciso chamar o Poder Judiciário para estar junto, e quem precisa coordenar isso é a União”, disse.

Os atos criminosos no Ceará começaram em 2 de janeiro já somam mais de 200 em 46 cidades. 

Os ataques são uma retaliação ao enrijecimento das regras do sistema prisional no Estado, promovido pelo secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque. Segundo o governo estadual, mais de 370 pessoas foram presas acusadas de envolvimento nas ações.

Fonte Oficial: Valor.

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