RIO E SÃO PAULO  –  (Atualizada às 14h53) Depois de dizer que ouviu uma explicação “plausível” de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, há dez dias, o senador eleito Flávio Bolsonaro afirmou na tarde desta terça-feira que não sabe se a movimentação atípica encontrada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na conta bancária do ex-motorista seria evidência de uma “rachadinha”, prática em que parlamentares recebem parte ou todo o salário de funcionários lotados em seus gabinetes.

“Se for isso, é errado. Mas é isso? Você sabe se é isso? Eu não sei se é isso. Não posso acusar”, disse, depois da cerimônia de diplomação de eleitos realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) no auditório da Escola de Magistratura do Estado. 

Filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, Flávio reafirmou que quem deve dar explicação é Fabrício Queiroz – sobre quem, entretanto, não se sabe o paradeiro. “Tem que perguntar para ele. Eu queria que ele já tivesse falado, mas o que posso fazer? Ele está se preservando. Não está se escondendo de ninguém. Ele tem que dar explicação para o Ministério Público. Não cabe a mim. Não posso falar por atos de terceiros. Repito: se errou, vai pagar. Ponto final. Não passo a mão na cabeça de ninguém”, disse.

Relatório do Coaf mostra movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz e depósitos de salários para outros funcionários que não iam regularmente ao gabinete. Ainda segundo o Coaf, um cheque de R$ 24 mil do ex-assessor de Flávio foi pago à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

“Todo mundo trabalhava. Aquilo não é quartel. Nada impede a pessoa de ter outra atividade. Tem problema nenhum. No quartel é que bate ponto. Estava de férias pela Polícia Militar. Ele estava na coordenadoria militar por vários meses sem ganhar um real”, disse, sobre o ex-assessor.

O parlamentar afirmou que “tudo funciona bem no meu gabinete”. “Vocês estão criando aí no imaginário das pessoas o que não é verdade. Sempre trabalhamos super direitinho. Deixa eu trabalhar, não tem nada de errado no meu gabinete. Eu nem li sobre o que está sendo acusado”, afirmou.

Aliado de Flávio, o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o defendeu. “A situação não é dele, é do assessor dele. Esclarecimento? Não tem nada contra ele. Vai explicar o quê?”, disse, ao sair da solenidade.

Eduardo Bolsonaro

Em São Paulo, Eduardo Bolsonaro (PSL), deputado federal mais votado do Estado, reiterou que cabe ao ex-motorista do irmão explicar a movimentação flagrada pelo Coaf. “O assessor tem a vida dele particular. Você está querendo me dizer que eu tenho que saber o que ele pagou na conta dele? O que entrou, o que saiu da conta dele? É complicado, né? A nossa parte é não atrapalhar a investigação. Quem vai dizer o que é certo e o que é errado são os órgãos de investigação, não somos nós.”

Na solenidade de diplomação de políticos eleitos pelo Estado na Sala São Paulo, no centro da capital paulista, Eduardo afirmou que as investigações sobre movimentações financeiras atípicas e incompatíveis com o patrimônio de ex-assessores da família do presidente eleito não afetam a credibilidade do novo governo.

“Não tem interferido, não. Setenta e cinco por cento das pessoas estão confiantes no futuro do governo Bolsonaro”, disse o deputado eleito, referindo-se à pesquisa Ibope divulgada na semana passada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ao ser questionado se os Bolsonaro não deveriam dar explicações mais detalhadas sobre as atividades de seus assessores, o deputado esquivou-se: “Gente, eu sou Eduardo Bolsonaro, deputado federal eleito por São Paulo. Essas questões pertinentes ao Flávio e aos assessores dele, a melhor pessoa para falar é ele, não sou eu”.

Em seguida, confrontado com o fato de que se tratam de cargos comissionados, continuou: “Prazer, eu sou Eduardo Bolsonaro, deputado federal eleito por São Paulo. As questões pertinentes aos gabinetes Flávio e Jair Bolsonaro devem ser tratadas com eles”.

Ele também citou a oposição para tentar desviar o foco dos questionamentos de jornalistas sobre o caso específico do Coaf. “A oposição que tem um ex-presidente na cadeia. E está com diversos outros tramando costuras políticas para justamente evitar que outros integrantes de seu partido venham à cadeia [sejam presos]. Isso aí você não vai ver a gente fazendo, pode ter certeza.”

“Como eu falei, se o Ministério Público, a Justiça ou quem quer que seja falar que alguém mereça uma condenação, nós não vamos fazer vaquinha, fazer passeata dizendo que é perseguição política, nada disso. A gente tem que ter o discernimento e a responsabilidade de arcar com qualquer coisa que seja. A gente não pode se precipitar pra dizer quem é que está certo e quem é que está errado. Meus caros, um abraço pra vocês”, disse Eduardo.

Fonte Oficial: Valor.

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