Com a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes passará a comandar o ministério da Economia. Ele liderará uma equipe influenciada pelo pensamento liberal da escola de Chicago, formada tanto por técnicos com passagens por diversos governos quanto por executivos vindos do mercado, sem experiência no setor público.

Caberá a esse grupo reequilibrar as finanças públicas e executar medidas para acelerar o crescimento da economia. Uma das medidas mais importantes deve ser a reforma do sistema de aposentadorias

Uma parte do time de Guedes é composta por servidores públicos, que fizeram carreira trabalhando em diversos governos. 

Um deles é Marcelo Guaranys, escolhido por Guedes para ser seu braço direito, o secretário-executivo da pasta. Ele é funcionário do Tesouro Nacional e foi presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) no governo Dilma Rousseff e subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil da gestão de Michel Temer. 

A lista de servidores que trabalharam em outros governos inclui o secretário-adjunto de Fazenda, Esteves Colnago, o secretário-adjunto de Desburocratização, Gleisson Rubin, e o secretário-adjunto de Previdência, Leonardo Rolim.

Pensamento liberal e escola de Chicago

Vários membros da nova equipe são ex-alunos da Universidade de Chicago, berço do pensamento liberal, que deverá guiar a política econômica brasileira a partir do ano que vem.

Essa escola defende ideias como Estado enxuto, contas fiscais e inflação sob controle e estímulo à livre concorrência. 

Além de Paulo Guedes, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Joaquim Levy, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, estudaram na universidade norte-americana.

Executivos sem experiência no setor público

Uma parte da equipe de Guedes não tem nenhuma experiência em gestão no setor público.

É o caso do futuro presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e do futuro diretor de Política Monetária, Bruno Fernandes. O primeiro fez carreira no Santander, e o segundo, no Itaú Unibanco. 

Além deles, o futuro presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, e o secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, são executivos com carreiras no setor privado. Guimarães trabalha no mercado financeiro há 20 anos, e Mattar é fundador da Localiza, empresa de aluguel de carros. 

Veja abaixo a lista dos integrantes da equipe de econômica.

Paulo Guedes, ministro da Economia

Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo/AE

Guedes é PhD pela Universidade de Chicago, nos EUA, e fez carreira no mercado financeiro, sendo um dos fundadores do banco Pactual (hoje BTG Pactual) e da BR Investimentos (atual Bozano Investimentos).

Marcelo Guaranys, secretário-executivo do Ministério da Economia

Ueslei Marcelino/Folhapress
Imagem: Ueslei Marcelino/Folhapress

Formado em Economia e Direito, é mestre em Direito Público pela Universidade de Brasília (UnB). É servidor de carreira do Tesouro Nacional e foi subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil no governo Temer. Guaranys também foi diretor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) no governo Dilma Rousseff.

Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial de Fazenda

Marcos Oliveira/Agência Senado
Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Foi coordenador-geral da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Rodrigues Júnior é servidor do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e consultor de política econômica do Senado. É engenheiro formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), mestre pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e doutor em Economia pela UnB (Universidade de Brasília).

Paulo Uebel, secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital

Danilo Verpa/Folhapress
Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e mestre em administração pública pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Foi secretário municipal de Gestão de São Paulo, presidente da WeWork Brasil e presidente global do Lide, o Grupo de Líderes Empresariais. Antes, foi diretor do Instituto Millenium, fundado por Guedes.

Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 Foi diretor de Planejamento, Crédito e Tecnologia do BNDES, presidente do Instituto de Performance e Liderança e executivo do banco JP Morgan. Tem mestrado e doutorado em Economia pela Universidade da Califórnia e é sócio-diretor do Ibmec Educacional.

Marcos Cintra, secretário especial de Receita 

Wilson Dias/Agência Brasil
Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil

É PhD em Economia pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). É amigo de Guedes e participou da equipe de transição.

Rogério Marinho, secretário especial de Previdência 

Agência Brasil
Imagem: Agência Brasil

Marinho foi o deputado federal que relatou, na Câmara dos Deputados, a reforma trabalhista, aprovada em 2017. Se candidatou à reeleição em 2018, mas não se elegeu. Foi secretário de Planejamento da Prefeitura de Natal (RN), vereador e presidente da Câmara Municipal da cidade, além de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte. 

Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desmobilização 

Divulgação
Imagem: Divulgação

É fundador e presidente do conselho da Localiza, empresa de locação de veículos, e membro do Instituto Millenium, fundado por Guedes para promover o liberalismo econômico.

Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais 

Keiny Andrade/Folhapress
Imagem: Keiny Andrade/Folhapress

Formado em Ciência Política e Economia e doutor em Sociologia das Relações Internacionais pela USP (Universidade de São Paulo). Também é diplomata, integrante do conselho consultivo do Fórum Econômico Mundial e diretor do laboratório dos Brics na Universidade Columbia.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Divulgação/Banco Central
Imagem: Divulgação/Banco Central

Neto do economista liberal de mesmo nome (Roberto Campos, ministro do Planejamento no governo Castelo Branco), que morreu em 2001. Campos Neto foi responsável pela tesouraria do Santander, banco no qual ingressou em 2000 como chefe da área de renda fixa internacional.

Tarcísio Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura

Luis Macedo 27.ago.2015/Câmara dos Deputados
Imagem: Luis Macedo 27.ago.2015/Câmara dos Deputados

Assim como Bolsonaro, estudou na Academia Militar das Agulhas Negras. Foi diretor-executivo do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) durante o governo Dilma Rousseff, entre 2011 e 2015, e é consultor legislativo na Câmara dos Deputados.

Bento Albuquerque Júnior, ministro de Minas e Energia

Luis Kawaguti/UOL
Imagem: Luis Kawaguti/UOL

Ingressou na Marinha em 1973 e foi diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico. No exterior, atuou como observador militar das forças de paz das Nações Unidas em Sarajevo, na Bósnia-Herzegóvina.

Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras

Adriano Machado/Reuters
Imagem: Adriano Machado/Reuters

Doutor em Economia pela FGV, Castello Branco é amigo de Paulo Guedes e também estudou na Universidade de Chicago. Foi executivo da mineradora Vale por 15 anos e fez parte do conselho da administração da Petrobras entre 2015 e 2016, indicado pela então presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

Joaquim Levy, presidente do BNDES

Elza Fiúza/Agência Brasil
Imagem: Elza Fiúza/Agência Brasil

Formado pela Universidade de Chicago, assim como Guedes, Levy foi ministro da Fazenda no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). Após a passagem pelo ministério, foi diretor financeiro do Banco Mundial.

Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil

Adriano Machado/Reuters
Imagem: Adriano Machado/Reuters

PhD em Economia pela Universidade de Chicago, foi professor da FGV, diretor do BNDES e presidente do Sebrae. É também colaborador do Instituto Liberal-RJ.

Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal 

Adriano Machado/Reuters
Imagem: Adriano Machado/Reuters

PhD em Economia pela Universidade de Rochester, com especialização em privatizações, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, com passagem por diversas instituições, como os bancos Bozano, Simonsen, BTG Pactal e Brasil Plural.

Veja os demais integrantes da equipe econômica: 

  • Esteves Colnago, secretário-adjunto especial de Fazenda 
  • Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional 
  • Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica 
  • José Levi Mello do Amaral Júnior, procurador-geral da Fazenda Nacional
  • Gleisson Rubin, secretário adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital
  • Igor Calvet, secretário-adjunto de Produtividade Emprego e Competitividade
  • João Paulo Fachada, secretário-adjunto de Receita
  • Leonardo Rolim, secretário-adjunto de Previdência
  • Bruno Fernandes, diretor de Política Monetária do BC
  • João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC
  • Carlos Vianna, diretor de Política Econômica do BC
  • Tiago Berriel, diretor de Assuntos Internacionais do BC
  • Carlos von Doellinger, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Fonte Oficial: UOL

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