Empresário e empreendedor, qual dos dois termos você tem lido e escutado mais recentemente? Apesar de não existir um jeito certo e um errado de se definir alguém como empresário ou empreendedor, e de os termos estarem separados por uma linha muito tênue, a cada ano mais empresários querem ser vistos também como empreendedores.

Nos últimos anos, o termo ficou mais popular. Uma pesquisa no Acervo Estadão mostra a ascensão da palavra: da década de 1980 para a de 1990, quintuplica o número de citações a “empreendedor” em reportagens impressas deste jornal. E dali em diante, o número continua crescendo, enquanto “empresário” cai em citações dos anos 2000 para a década seguinte.

Para entender a questão, é necessário conhecer a origem do termo que se popularizou a partir do anos 1950. O economista austríaco Joseph Schumpeter, considerado o pai do empreendedorismo, definiu o empreendedor como aquele que promove destruição criativa, substituindo algo existente por uma experiência nova.

Luiza Trajano, fundadora e presidente do conselho da rede Magazine Luiza. Foto: Nilton Fukuda/Estadão 

Ou seja, o empreendedor é aquele que enxerga novas oportunidades, procura novas soluções e está sempre em busca da inovação. “O empreendedor gera novos mercados que muitas vezes não existiam”, diz o professor de empreendedorismo e inovação do Insper Marcelo Nakagawa.

Em outra frente, o empresário é aquele que tem a função de gestor do negócio, de fazê-lo perpetuar, aproveitar as oportunidades da melhor forma e fazer a empresa crescer. Apesar disso, Nakagawa pontua que empresários de ramos mais tradicionais e que buscam inovação também podem ser considerados empreendedores.

Para o diretor do Departamento da Micro, Pequena, Média Indústria e Acelera Fiesp, Sylvio Gomide, a destruição proposta por Schumpeter não necessariamente virá de um concorrente, ela pode vir de dentro da empresa. “Mate você sua empresa enquanto há tempo, antes que seu concorrente faça isso”, diz ele, citando uma frase conhecida no Vale do Silício e que explica por que muitos empresários também estão sendo reconhecidos como empreendedores.

Além disso, para Gomide, a tecnologia pode ser tanto a principal aliada da empresa como a principal ameaça e por isso é fundamental um empresário ter as duas características. “Ser apenas um empresário está com os dias contados, ele tem que sempre buscar novas tecnologias para reinventar o negócio.”

Abilio Diniz, fundador da rede Pão de Açúcar, atual Carrefour. Foto: Ueslei Marcelino/REUTERS

Abilio Diniz, fundador da rede Pão de Açúcar, atual Carrefour. Foto: Ueslei Marcelino/REUTERS

Além dele, o gerente regional do Sebrae-SP no Grande ABC, em Santo André, Paulo Cereda, também acredita que é de grande importância os empresários buscarem ser empreendedores para manterem seus negócios competitivos. “Hoje, as empresas competitivas são aquelas onde o empresário carrega a característica do empreendedor.”

Fundada em 1987 como recicladora de cartuchos, a Multilaser conta hoje com mais de 3.000 funcionários, mais de 3.500 produtos e faturou R$ 2,4 bilhões no ano passado. Segundo seu CEO, Alexandre Ostrowiecki, o crescimento só foi possível por ele saber conciliar as duas competências. “O empreendedor caça as oportunidades e o empresário filtra as oportunidades. Você tem que transitar pelas duas coisas e saber fazer as duas para continuar crescendo.”

Segundo os especialistas, vale ressaltar que, mesmo que o termo empreendedor tenha ganhado força nos últimos anos, o trabalho do empresário continua sendo vital para uma empresa, pois as competências são complementares.

“Ao mesmo tempo em que é importante dar o passo para a inovação, é importante igualmente saber gerir esta ideia para aproveitar as oportunidades que ela irá trazer e saber como fazer a empresa crescer com ela”, pontua o superintendente de negócios do Desenvolve SP, Rafael Bergamarschi.

* ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES

Fonte Oficial: Estadão PME

Comentários/Comments

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do VIP CEO.