O empresário Ricardo Alencar diz que em torno de 70% das vendas da rede Center Pão são feitas por meio de cartões (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)

Já se foi o tempo em que o cliente chegava na loja e precisava pagar com dinheiro em espécie ou, então, apenas “namorava” a vitrine, sem fazer a compra, pela falta de recursos. Agora, a pessoa chega, experimenta e leva, sem a preocupação de enfiar a mão no bolso. Essa “tranquilidade” é possibilitada pelo cartão de crédito, cada vez mais usado, sobretudo, em tempos de crise. As vendas por essa modalidade tiveram um verdadeiro salto no Brasil. Somente no primeiro semestre deste ano, os cartões movimentaram R$ 850 bilhões no país, com crescimento de 18% em relação aos seis primeiros meses de 2018. Os cartões de crédito responderam por R$ 534 bi- lhões (alta de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior), o que representa 63% de todo volume movimentado pelas vendas por cartões.

Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs), que, com base nos resultados do primeiro semestre, acaba de divulgar projeção do crescimento do setor de cartões em 2019. Segundo a entidade, todas as compras com o “dinheiro de plástico” – cartões de crédito, débito e pré-pagos – no decorrer do ano devem movimentar em torno de R$ 1,84 trilhão – crescimento entre 17,5% e 19% em relação ao ano anterior, sendo que, antes, a previsão era um intervalo de alta entre 15% e 17%. Do total previsto, as vendas por cartão de crédito poderão chegar a R$ 1,154 trilhão, considerando o mesmo percentual de 63% da movimentação por esse tipo de cartão do primeiro semestre.

Mas se facilita para o consumidor, as vendas pelo cartão de crédito trazem impactos para o empreendedor, acarretando a necessidade de mais recursos para o giro do negócio. Isso porque o comerciante só vai receber o pagamento em sua conta 30 ou até 45 dias depois da venda. Nesse caso, qual estratégia deve usar para não ficar descapitalizado e repor os estoques? Uma opção é a busca de financiamento para capital de giro, mas seguindo algumas recomendações, como observa o consultor do Sebrae Minas Eric Darioli.

Primeiramente, é preciso consultar as taxas de juros das modalidades de crédito disponíveis no mercado e levar em consideração essas taxas na formação do preço final de venda do produto, evitando prejuízos. O valor de venda também não pode ficar muito acima do preço de mercado, em desvantagem com os concorrentes

Eric Darioli, consultor do Sebrae-MG

CAPITAL DE GIRO

Na mesma linha, a economista Ana Paula Bastos, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), salienta que a busca de financiamento para capital de giro depende da “necessidade urgente” do empresário, porém, alerta, mesmo precisando do aporte financeiro, o lojista deve observar se a taxa de juro do empréstimo não é maior do que a taxa de administração da operadora do cartão de crédito. “Ele precisa verificar se não compensa esperar pelo recebimento da operadora do cartão em vez de pegar o dinheiro no banco”, pondera a economista.

O empresário Ricardo Alencar, diretor da rede Center Pão – supermercado e padarias – em Montes Claros, lida com essa situação e conta como buscou uma solução na prática. “Recorremos ao financiamento de capital de giro.” Ele lembra que, hoje, algumas instituições financeiras liberam os empréstimos para capital de giro de maneira facilitada, bastando ao comerciante apresentar as notas fiscais emitidas pelos fornecedores. Segundo Alencar, atualmente, em torno de 65% a 70% das vendas da Center Pão são feitas por meio de cartões, que comercializa cerca de 8 mil itens em todas as unidades da cidade, que emprega 205 funcionários.

O empresário lembra que sempre é bom tomar alguns cuidados antes de receber o empréstimo. “A gente aconselha a pessoa a não abusar, não tomar o financiamento acima do giro de suas vendas. Se fizer isso, ela vai ter dificuldades na hora de pagar o empréstimo.

Proprietária de uma empresa de armarinho e fabricante de uniformes em Montes Claros, a empresária Geralda Aparecida Silva Lopes conta que mais de 50% de suas vendas são feitas pelo cartão de crédito. “Dividimos o valor da mercadoria em até três vezes, sem acréscimo. Assim, as pessoas compram fiado pelo mesmo preço à vista”, informa, ressaltando as vantagens do sistema para o consumidor.

Como alternativa para “não passar aperto” com o prazo para receber,  ela busca entendimento com os fornecedores, ampliando o prazo de pagamento das mercadorias adquiridas. “Pagamos as mercadorias com os prazos de 30, 60 e 90 dias”, explica Geralda Aparecida.

Fonte Oficial: EM.

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