SÃO PAULO  –  A estatal paranaense Copel está aguardando uma manifestação do BNDES a respeito da venda da participação que seu braço de participações, a BNDESPar, tem na companhia, de 26,4% das ações com direito a voto e 24% do total. Segundo Daniel Slaviero, presidente da Copel, o banco já “sinalizou” interesse em vender essa fatia.

“O BNDES tem falado em sair de ativos e gerar liquidez e a Copel, pelos levantamentos que temos, é o sexto maior investimento da BNDESPar”, disse Slaviero, ao participar de evento com investidores e analistas realizado pela Apimec, em São Paulo, nesta quarta-feira.

Segundo Slaviero, houve uma sinalização do BNDES de que o banco vai buscar essa venda, mas a companhia ainda não foi procurada oficialmente para comentar o assunto. “Estamos aguardando a manifestação deles, mas estamos abertos para discutir uma saída do BNDES que valorize as ações e fortaleça a companhia”, disse Slaviero.

Uma oferta subsequente de ações do BNDES não está descartada, mas Slaviero destacou que o banco ainda não os procurou e não mencionou a possibilidade.

Conclusão de venda da Compagas

Por outro lado, a Copel espera concluir até o primeiro semestre de 2021 a negociação do novo contrato de concessão da Compagas, distribuidora de gás natural do Paraná, e sua privatização, disse Slaviero. A Copel tem 51% da empresa, enquanto Gaspetro e Mitsui têm, cada, 24,5% da distribuidora de gás.

O processo de venda da companhia é complexo porque passa pela renovação da sua concessão, que vence em 2024, com a agência reguladora do Paraná (Agepar). O problema é que há uma lei estadual que antecipou esse prazo para janeiro de 2019. Desde então, a Compagas vem operando por meio de liminares, que, segundo Slaviero, já foram confirmadas na Justiça nas primeiras instâncias.

“A renovação da concessão é o ponto de partida para voltarmos a falar no desinvestimento da Compagas”, disse Slaviero. Segundo o executivo, hoje a Compagas negocia com o governo do Estado essa nova concessão. Ele lembrou que a Agepar criou um grupo estadual para discutir a questão do gás, que deve resultar em políticas e diretrizes que nortearão seu trabalho na hora de calcular qual serão as condições do novo contrato da Compagas, como quais investimentos e outorga serão necessários a empresa desembolsar.

“O plano estadual fala também de gás, biogás, incentivos fiscais para quem sabe termos um porto de GNL no litoral, que é algo que olhamos, e inclusive a questão da extração do gás de xisto por fracção”, disse Slaviero. Segundo ele, há várias empresas fazendo estudos do potencial de gás de xisto no Paraná.

A companhia, por meio das interações com o governo paranaense, também discute a renovação da lei estadual que antecipou o fim da concessão da Compagas para janeiro deste ano, vista como “inócua e só traz instabilidade”. O formato de venda da distribuidora de gás ainda não foi discutido.

Ainda sobre desinvestimentos, o executivo lembrou que, neste momento, está sendo elaborada a modelagem da venda da Copel Telecom. A operação deve ser concluída em março do ano que vem, por meio de um leilão a ser realizado na B3.

Possíveis investimentos

A estatal paranaense avalia participar dos leilões A-6 de outubro e de transmissão de dezembro, mas contará com uma estratégia de alocação de capital conservadora. “Olhamos os leilões com grande atenção, desde que sejam projetos com sinergia com nossa estrutura atual”, disse Slaviero, se referindo aos ativos de transmissão no Sul e Sudeste e aos ativos de geração eólica e solar no Rio Grande do Norte. A companhia fará “rigorosa análise” de viabilidade dos projetos, usando os aprendizados dos erros do passado, quando a alocação de capital gerou problemas para a companhia e atrasos na entrega de obras.

Segundo Adriano de Moura, diretor financeiro e de relações com investidores da Copel, as sinergias é que podem justificar a competitividade da companhia nos leilões, que têm sido muito disputados e protagonizados por empresas estrangeiras.

Além dos leilões, a Copel também avalia ativos já operacionais, como foi o caso de Uirapuru, uma linha pequena na qual a Eletrobras era sócia e foi adquirida pela paranaense ano passado. Ele citou, como possíveis exemplos de aquisições a serem feitas no futuro, a hidrelétrica Mauá, na qual tem 51% e a Eletrosul tem 49%, e também a linha de transmissão Mata de Santa Genebra, na qual tem 50,1% e Furnas tem 49,9%.

“São exemplos de oportunidades brownfield que olharíamos porque conhecemos bem os ativos, podemos ser competitivos”, disse Slaviero. Projetos em fase de construção, porém, não devem ser objeto da Copel, já que ainda envolvem riscos consideráveis nessa etapa.

Além do leilão A-6 de geração, a Copel também avalia desenvolver projetos voltados para o mercado livre de energia. A companhia não espera uma grande demanda no leilão previsto para outubro.

Fonte Oficial: Valor.

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