As startups estão cada vez mais presentes no varejo, usando tecnologias como big data, inteligência artificial e robótica para aprimorar processos internos, transformar a experiência de compra do cliente e mesclar os canais de compra.

De acordo com um estudo realizado pelo hub de inovação OasisLab, o total de startups brasileiras de varejo subiu de 115 para 194 em menos de um ano.

StartSe separou três delas que estão despontando nesse cenário. Confira:

Amaro

A startup surgiu para reinventar a moda no Brasil. Criada em 2012 por Dominique Oliver, a Amaro começou como um comércio eletrônico. O diferencial sempre foi manter tudo “em casa”, da produção até o marketing. Em 2015, a startup resolveu abrir sua primeira loja física com experiências digitais.

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O espaço segue o conceito de omnichannel. As clientes podem experimentar as peças da coleção e receber as compras em casa. Nos provadores, elas têm acesso à telas interativas e podem pedir outras peças ou checar o que há de novo na coleção. Já as etiquetas das roupas possuem um QR Code, que pode ser escaneado pelo celular. Assim, a cliente pode realizar a compra ali mesmo ou enquanto volta para casa.

A startup também aposta na comunicação próxima das clientes e no uso de big data. Todo a jornada de compra é acompanhada de perto, com avaliação dos serviços. Os dados ajudam a Amaro a identificar tendências, tornar a experiência de compra mais completa e transformar tecnologias em soluções reais.

Pelo comércio eletrônico, por exemplo, as clientes podem acessar uma funcionalidade e descobrir em poucos minutos o seu tamanho ideal de roupa. Basta colocar algumas informações que são cruzadas com dados de outras consumidoras com perfis semelhantes. A empresa desenvolve internamente seu aplicativo e funcionalidades com ajuda de um time de cientistas de dados.

Hoje, a Amaro tem 16 lojas físicas e lança cerca de dez mil novos produtos por ano. Em setembro de 2018, ela entrou como a única empresa de seu segmento para a lista LinkedIn Top Startups de 2018, que indica as 25 startups mais cobiçadas para se trabalhar no Brasil.

Rappi

Criada em 2015 e com investimento dos principais fundos do Vale do Silício, a Rappi surgiu na Colômbia com a promessa de entregar qualquer coisa em poucos minutos — e, em seis meses de operação, 200 mil pessoas se cadastraram apenas na cidade de Bogotá.

“A Rappi não nasceu apenas como um serviço de entrega. Nós resolvemos os problemas das pessoas”, afirmou Tiago Barra, diretor de crescimento da startup no Brasil. O desempenho chamou a atenção de todos, e a empresa foi selecionada pelo Y Combinator, uma das aceleradoras mais prestigiadas dos Estados Unidos.

Pouco depois, recebeu cerca de 50 milhões de dólares de investimentos. Assim, a empresa começou sua expansão, chegando no Brasil em julho de 2017. Na prática, os clientes têm acesso a mais de 500 estabelecimentos parceiros e podem comprar desde produtos de supermercado a remédios e eletrônicos. O usuário encontra o mesmo preço das lojas físicas, tendo apenas o custo da entrega, que pode variar de acordo com a distância.

Durante o processo, um funcionário fica encarregado da compra e conversa com o cliente sobre o pedido por um chat. Os entregadores ficam com o valor total da entrega. Segundo Barra, a tecnologia tem um papel essencial neste processo, já que a empresa funciona como um marketplace que conecta supermercados, farmácias e restaurantes.

“A tecnologia tem o papel de unir tudo isso da melhor maneira possível, com um custo acessível para o usuário e honesto para os entregadores”, diz o executivo. A startup ganha dinheiro na negociação com os estabelecimentos parceiros, que pagam um percentual das compras realizadas pelo aplicativo.

Hoje, a Rappi, presente em 14 cidades do Brasil, cresce 30% no número de entregas por mês. Além disso, os pedidos são feitos em mais seis países: Colômbia, México, Argentina, Chile, Uruguai e Peru. Hoje, a startup possui 3,6 milhões de usuários (800 mil no Brasil) e dois mil funcionários. Mas pretende ir além.

Até novembro, o negócio espera receber 11 mil pedidos por hora, e nos próximos três anos, projeta chegar a 80 milhões de usuários. Em outubro de 2018, a Rappi se tornou um unicórnio, termo usado para designar uma startup avaliada em 1 bilhão de dólares ou mais.

Para Tiago, o futuro do varejo será repleto de experiências mais práticas e ágeis. “Não acredito que as lojas físicas vão deixar de existir, mas vão encontrar novas formas de chegar ao consumidor. A Rappi é uma empresa que traz vendas incrementais para o mercado. Não estamos roubando o espaço de ninguém, mas criando canais mais interessantes e cômodos”, explica.

Loggi

Quem vive em grandes metrópoles, como São Paulo, sabe o quanto o trânsito intenso pode atrapalhar o cotidiano. As entregas feitas por motoboys sempre foram uma opção para aqueles que não querem perder tempo. Nesse cenário, a Loggi nasceu em 2013 com o objetivo de modernizar essa profissão e facilitar o acesso ao serviço.

Tudo é online. O cliente acessa a plataforma, pelo computador ou celular, e se conecta diretamente com o motoboy, definindo o trajeto que ele deverá fazer, recebendo uma estimativa de preço. O pagamento é feito pelo próprio aplicativo, que permite acompanhar o deslocamento em tempo real. As entregas são realizadas por moto ou bicicleta, e os motoristas parceiros são remunerados de acordo com as viagens que realizam.

A startup, que tem sede em São Paulo e atua em 30 cidades (13 delas são capitais), virou também um importante ator no varejo. “Hoje, o cliente não consegue comprar com facilidade no e-commerce por conta da logística. O Brasil é um país atrasado, e a experiência do consumidor final nem sempre é colocada em primeiro lugar”, diz Francesco Losurdo, diretor de comércio eletrônico e expansão da Loggi.

Foi assim que a startup passou a oferecer seu serviço  para estabelecimentos que querem se diferenciar e ter uma entrega mais ágil, conectando transportadores, centros de distribuição e entregadores. “Temos como propósito conectar o Brasil, reinventando a logística com a tecnologia. Para isso, combinamos a economia compartilhada e softwares de inteligência”, conta Losurdo.

Na prática, clientes como Amazon, Via Varejo, Mercado Livre e Magazine Luiza podem direcionar os seus produtos para centros de distribuição com robôs da Loggi, que fazem a triagem de produtos e definem as melhores rotas.

Em outubro de 2018, a startup recebeu 100 milhões de dólares de investimento da Softbank. Com o dinheiro, além de melhorar sua plataforma de tecnologia, a Loggi, que hoje tem 520 funcionários, investirá em robótica e engenharia.

“Somos uma startup inteiramente voltada para inovação, não temos apenas uma área para isso. Queremos investir na experiência do usuário final, aumentar nossa estrutura e melhorar ainda mais nossa tecnologia e nossos algoritmos”, diz Losurdo. A Rappi também entrou para a lista LinkedIn Top Startups de 2018.

Especial Varejo do Futuro

Fonte Oficial: StartSe

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