Quando terminou o ensino médio em Puerto Madryn, na região da Patagônia, o economista Federico Vega, 37 anos, tinha duas opções.

A primeira era permanecer na cidade de 60 mil habitantes, procurar emprego e seguir a vida no pacato município. A segunda, que lhe atraia mais, ainda que desse um pouco de frio na barriga, era ganhar o mundo. Vega escolheu a segunda alternativa.

Hoje, quem olha para o bem-sucedido fundador e presidente da Cargo-X, startup que se tornou conhecida como a ‘Uber dos Caminhões’, não imagina as estradas esburacadas pelas quais ele passou. A priori, de bicicleta.

Fundada em 2016 em São Paulo, a Cargo-X emprega 300 funcionários, que trabalham para conectar 350 mil caminhoneiros a oito mil empresas embarcadoras de mercadorias.

O sucesso como empreendedor não veio da noite para o dia. Os pais de Vega não tinham dinheiro para bancar os seus estudos fora. E ele só possuía uma “magrela”, como chamava a sua bicicleta. Vega decidiu que o seu primeiro passo seria sair de sua cidade.

Ele foi pedalar pelas estradas da Argentina e do Brasil para visitar os amigos, conterrâneos que tinham ido estudar fora. Hoje, ele conta que este foi o seu primeiro contato com o universo dos caminhoneiros e do transporte de cargas rodoviário.

“Eu dormia nas paradas de caminhoneiros, o lugar mais seguro para passar a noite. Comecei a conhecer um pouco de como funciona o mercado de transporte de cargas, seus problemas, como a infraestrutura ruim e o roubos de cargas”, conta.

Trajetória empreendedora 

A experiência da juventude, fora de casa, ensinou muito a Vega. Ele constatou também que grande parte dos caminhões viajam vazios ou procurando cargas. Mais tarde, quando ingressou na faculdade de Economia, na Universidade Argentina da Empresa, continuou estudando os desafios do ramo de logística. Após a faculdade, com o auxílio de uma bolsa de estudos, Vega foi fazer um mestrado em finanças na Inglaterra.

Para pagar o crédito estudantil, Vega ingressou no banco J.P. Morgan, em Londres. No banco, teve uma carreira meteórica, tornando-se vice-presidente de vendas. Ainda assim, a vontade de ter o próprio negócio era maior do que o sonho de se tornar banqueiro. Cansado de trabalhar no mercado financeiro, ele cruzou novamente o Atlântico e foi parar no Chile. Lá, fundou a primeira startup do seu ramo atual, a TransportarOnline, que se expandiu para Argentina e Brasil.

“Ali eu vi que existia uma oportunidade no mercado brasileiro de transporte rodoviário de cargas, e era muito maior do que eu imaginava”, conta. Pesquisas estimam que o Brasil escoa de 60%, segundo a Confederação Nacional do Transporte, a 75%, segundo estudo da Fundação Dom Cabral, de tudo o que produz pela malha rodoviária.

A Cargo X começou como uma rede social de caminhoneiros. Agora é um aplicativo mobile que identifica caminhões ociosos e faz a triangulação de rotas usando machine learning e big data. Vega estima que a CargoX vá faturar em 2018 entre R$ 100 e R$ 200 milhões. Resultado dos investimentos em tecnologia.

O fornecimento de capital de giro, seguro de cargas e documentação do frete gerou não apenas eficiência ao embarcador, que consegue movimentar cargas com menos sinistros, como também aos motoristas, que aumentaram o rendimento mensal em até 30%.

Investidores: um desafio no Brasil

O presidente da CargoX, no entanto, atravessou estradas sinuosas, pavimentadas por humilhações e recusas, antes de meter o pé no acelerador e fundar a empresa em 2016.

“Um dia, um investidor me questionou: você quer mudar uma das indústrias mais complexas do Brasil, em um dos países mais complexos do mundo? E você não sabe nada de logística? E sequer fala português”, conta o empreendedor.

Para Vega, esse é o perfil de investidor que faz com que muitos empreendedores inexperientes fiquem pelo caminho. A crítica do fundador da CargoX, que ficou entre 2011 e 2016 sem captar 1 real para montar sua companhia, se estende para todo o mercado de investimento do país.

“O investidor brasileiro geralmente não aporta capital em companhias early-stage, e não investe mais do que 5 milhões de dólares. Se você está tentando inovar, pior ainda”, diz Vega.

Ele conta que pensou em desistir do sonho muitas vezes. Vega conta que os investidores lhe apresentavam dados que contestavam o seu plano de negócios. “Falavam que eu não ia chegar a lugar algum, que apenas perderia dinheiro”.

Manobrar e dar meia-volta, porém, não era uma opção. A resiliência de Vega foi recompensada no início de 2016, quando Oscar Salazar, cofundador da Uber, aportou US$ 1 milhão de dólares na empresa.

“O nosso grande propósito aqui é fazer a indústria de transportes de cargas mais eficiente no Brasil e na América Latina. Como empreendedor, o que me inspira são as pessoas que trabalham comigo. No futuro, quando a empresa for bem grande, meu sonho é vê-las com muito sucesso em suas carreiras”, diz Vega.

Raio-X da CargoX

Ano de fundação: 2016

Sede: São Paulo (SP)

Número de funcionários: 300

Ramo de atuação: Tecnologia e transporte

Modelo de Negócios: Oferece aplicativo mobile que conecta caminhoneiros com embarcadores de carga.

Fundador: Federico Vega, argentino, 37 anos, graduado em economia pela Universidade Argentina da Empresa, com mestrado em mercado financeiro internacional pela Universidade de Southampton

Por que fundou a empresa: “Para melhorar a eficiência no transporte de cargas no Brasil e América Latina.”

Fonte Oficial: StartSe

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