Investigadores chineses também anunciaram que He Jiankui realizou pesquisa ilegalmente para conseguir fama pessoal e lucro

O futuro do cientista chinês He Jiankui que, no ano passado, declarou ter editado os genes de duas bebês para torná-las imunes ao HIV, parece ser incerto agora que o governo chinês anunciou que Jiankui será punido por quaisquer violações da lei, apesar de não ter esclarecido quais punições ele poderá enfrentar. Investigadores chineses anunciaram também nesta segunda-feira (21) que o cientista “realizou a pesquisa ilegalmente para conseguir fama pessoal e lucro”, de acordo com nota divulgada pela agência de notícias estatal da China, a Xinhua News. 

Segundo informações reportadas pela agência de notícias EFE, Jiankui também sofreu consequências da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, em Shenzhen, onde ele trabalhava. A universidade anunciou nesta segunda sua demissão: “com efeito imediato, a SUSTech irá rescindir o contrato de trabalho com o Dr. Jiankui He e encerrar todas as suas atividades de ensino e pesquisa na SUSTech”, disse o comunicado da universidade.

Os investigadores chineses afirmam que Jiankui contou com cientistas estrangeiros em sua equipe, conforme relatou o jornal de Hong Kong “South China Morning Post”. Jiankui também é acusado de “utilizar tecnologia de segurança e efetividade incerta”.

Em nota oficial, o governo diz que o cientista evitou a supervisão, arrecadou fundos e organizou especialistas por sua conta para realizar a pesquisa sobre edição genética de embriões humano com fins reprodutivos, algo que é proibido pela lei chinesa. 

“Esse comportamento viola seriamente a ética e a integridade da pesquisa científica, está em séria violação de regulamentações nacionais relevantes e cria uma influência perniciosa domesticamente e fora do país”, afirmou a nota oficial do governo.

Entenda o caso

Em novembro, He Jiankui disse ter usado uma tecnologia de edição genética conhecida como CRISPR para alterar os genes embrionários de duas gêmeas. 

CRISPR é a sigla em inglês para Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. A metodologia defende o uso de uma enzima específica que permite isolar um determinado gene para que, dessa forma, o DNA receba a informação de que não deve ler aquele trecho. Jiankui chegou a explicar em vídeo publicado no YouTube por ele mesmo como se deu o processo de fertilização que seguiu até o nascimento das gêmeas Lulu e Nana, nascidas em novembro. “Os resultados indicaram que a operação funcionou corretamente, como estava previsto”, disse Jiankui no vídeo. 

O caso levantou indignação internacional da comunidade científica que condenou a prática do cientista.  Mais de 120 acadêmicos da comunidade científica chinesa assinaram uma declaração de que “qualquer tentativa” de fazer mudanças em embriões humano mediante modificações genéticas é “uma loucura” e que dar à luz a estes bebês teria “um alto risco”.

 


Fonte Oficial: IDG Now!.

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