O C6 Bank, banco digital fundado por ex-executivos do BTG Pactual, inicia oficialmente sua operação nesta segunda-feira (5). O Banco Central autorizou a operação em janeiro deste ano. De lá para cá, o C6 Bank abriu 200 mil contas, entre funcionários e pessoas interessadas em testar o serviço com antecedência (chamados de “beta testers”).

O novo banco possui serviços para pessoas físicas e jurídicas. Os consumidores poderão escolher se desejam uma conta totalmente gratuita – com saques, transferências para qualquer banco (também disponível por SMS) e etiqueta para pagamento de pedágio sem filas. As contas podem ser abertas diretamente pelo aplicativo, através de um chatbot.

Ao invés de disponibilizar formulário para que os clientes preencham seus dados, o C6 Bank toma a dianteira e faz as perguntas para o cliente. “Tem coisa mais natural ao iniciar um relacionamento?” questiona Gustavo Torres, líder de inovação do banco, na coletiva de imprensa de lançamento.

O banco permitiu que os jornalistas simulassem a abertura de contas com dados falsos, em que alguns dos nomes disponíveis eram “Agostinho Carrara”, “Maria Isabel Carrara” “Princesa Leia” e “Homer Simpson” – nomes referências da cultura pop (ou que estão se tornando pop novamente, como o Agostinho).

Além da gratuidade em serviços de conta digital, o C6 Bank também possui uma publicidade focada no público jovem, contando até com a criação de uma música em sua campanha de lançamento. De acordo com Alexandra Paim, líder de marketing do C6, o público-alvo do banco são pessoas entre 25 e 50 anos.

As perguntas realizadas no chat são típicas de qualquer banco – ou quase. O chat pergunta se o cliente é ou possui proximidade com pessoas expostas politicamente. Já no formulário de dados para teste, este exclusivo para os jornalistas, a recomendação do C6 Bank é que a renda mensal preenchida fosse de R$ 5 mil ou mais, algo muito acima da média dos brasileiros.

O público-alvo que vai além do jovem (que são tipicamente o perfil dos bancos digitais brasileiros) também explica a criação do plano “Carbon”, o plano pago do C6 Bank. Os clientes que desejam ter mais benefícios poderão pagar R$ 85 por mês para terem facilidades como sala VIP em aeroportos, consultor de viagens, isenção de rolha em restaurantes, compra protegida, entre outros.

Os assinantes deste perfil já possuem acesso ao programa de pontos “Átomos”, em que é acumulado 2,5 pontos a cada dólar gasto. Eles não expiram. De acordo com Maxnaun Gutierrez, líder de produtos e pessoa física no C6, a expectativa é que, no futuro, clientes de qualquer plano tenham acesso ao programa de benefícios.

A inovação no C6 Bank

Luiz Marcelo Calicchio, sócio do C6 Bank, explicou que o objetivo é que o C6 seja “um banco completo para pessoa física e jurídica”. “Começamos a reunir as três características principais e cruciais para o nosso projeto: time com experiência no setor bancário, capital disponível para um investimento grande como esse e uma licença de banco completa. Esse é um setor regulado, é muito importante que tivéssemos a licença para montar nossa estratégia de maneira completa”, conta.

O capital investido para a criação do novo banco digital foi de R$ 500 milhões. A instituição não possui agências físicas, mas um prédio de 8 andares na Avenida Nove de Julho, em São Paulo, e mais de 500 funcionários. A empresa figurou em primeiro lugar nas mais amadas de sua categoria em 2019 pelo LoveMondays/Glassdoor.

O C6 Bank parece o resultado de uma mistura entre a cultura de bancos, empresas de tecnologia e startups (tendo criado, inclusive, um processo de aceleração para elas). Além dos serviços comuns oferecidos pelos bancos digitais (e, portanto, seus concorrentes), o C6 Bank chega ao mercado com dois grandes diferenciais: o C6 Taggy e o Kick.

O C6 Taggy é uma etiqueta (disponível para todos os clientes) que serve como um cartão de débito para o carro. O cliente cola a etiqueta no vidro e, quando passa por um pedágio, o valor é debitado automaticamente de sua conta corrente, sem taxas.

Já o Kick possibilita transferência bancária via SMS. Isso significa que o único dado que o cliente precisará é o número de telefone – cabe a quem receber a mensagem (e o dinheiro) o papel de preencher dados como conta bancária e CPF. Caso o formulário não seja preenchido em 30 dias, o valor retorna para a conta do cliente C6.

Consultores jurídicos

As empresas que optarem por abrir uma conta no novo banco digital terão consultores jurídicos à disposição para oferecer serviços. A expectativa é que os profissionais ofereçam os serviços mais adequados aos clientes. Eles não possuem metas a serem cumpridas, mas comissão por cada venda realizada.

Os consultores são profissionais autônomos contratados pelo C6 Bank. Eles possuem uma plataforma digital para se conectar com clientes e parceiros, adequando-se ao caráter digital da instituição, mas o contato humano ainda permanece como requisito. “Acreditamos no conceito ‘humanotech’, uma combinação de tecnologia com talento humano. Nesse mercado é muito importante o atendimento presencial muito próximo ao cliente”, conta Philipe Peregrino, líder de pessoa jurídica no banco.

Maquininhas de cartão são um dos serviços disponibilizados pela empresa para pessoas jurídicas. O valor é de R$ 60 por mês. Para os clientes que realizarem mais de R$ 5 mil em transações, há isenção da mensalidade. O tempo para o dinheiro “cair na conta” nas compras de débito é um dia, com taxa de 1,99%. Já nas compras de crédito, a taxa de antecipação é de 3,99% e, para os 30 dias até o recebimento, 3,69%.

Além dos produtos do próprio C6, os consultores jurídicos irão vender produtos de empresas parceiras do banco – aquelas que pertencem ao mesmo grupo. Um exemplo é a própria Paygo, empresa fornecedora de maquininhas.

Fonte Oficial: StartSe

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