Operadores com os robôs colaborativos: tendência é de que profissões de base tecnológica apresentem demanda acelerada nos próximos quatro anos
(foto: Leo Lara/FCA Divulgação %u2013 3/11/17)

O Brasil vai precisar qualificar 10,5 milhões de trabalhadores para atividades industriais nos níveis superior, técnico, curso profissional e aperfeiçoamento nos próximos quatro anos, segundo o Mapa do Trabalho Industrial do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O universo da mão de obra qualificada para as fábricas até 2023 equivale a 80% do total de desempregados no Brasil atualmente (12,8 milhões). O estudo do Senai, que será divulgado hoje, mostra ainda que a estimativa é de que o aumento de vagas para condutor de processo robotizado no período será de 22,4%, quase três vezes mais do que a expansão média de 8,5% prevista para as ocupações industriais. “Esse resultado reflete as mudanças tecnológicas e a automação do processo de produção, que demandará cada vez mais profissionais na área de implementação de processos robotizados”, diz o estudo.

 

“A inserção da tecnologia na indústria está ganhando velocidade e, tanto para quem está desempregado quanto para quem está entrando no mercado de trabalho, o aprendizado deve ser uma premissa. Já a empresa deve estar atenta à questão da competitividade”, afirma o gerente de Estudos e Prospectiva da Diretoria de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra, responsável pela elaboração do Mapa do Trabalho Industrial do Senai.

 

De acordo com ele, os números regionais estão sendo finalizados, mas essa tendência de maior inclusão de funções de base tecnológica nas linhas de produção ocorre com mais rapidez nos estados do Sudeste e do Sul. “Pela complexidade da estrutura industrial dessas regiões”, explica Guerra. A instituição ligada à CNI, que oferece cursos com conhecimentos de base industrial, estima que as áreas que mais vão demandar formação profissional são transversais, com os profissionais trabalhando em pesquisa e desenvolvimento, controle de produção e desenhistas industriais, que atuam em várias áreas.

 

Nessa especificação será necessário qualificar 1,7 milhão de trabalhadores. Nas ocupações tradicionais da indústria, metalmecânica (1,6 milhão), construção (1,3 milhão) e logística e transporte (1,2 milhão) são as que mais vão demandar trabalhadores qualificados, seguidas das indústrias de alimentos (754 mil), informática (528 mil), eletroeletrônica (405 mil) e energia e telecomunicações (359 mil).

Oportunidades Segundo o Senai, a demanda por qualificação prevista no Mapa inclui, em sua maioria, o aperfeiçoamento de trabalhadores que já estão empregados, com apenas 22% necessitando de capacitação para entrar mo mercado de trabalho. Ainda de acordo com a instituição, a formação vale também para reposição em vagas já existentes e que se tornam disponíveis por aposentadoria e afastamentos do trabalho, entre outros motivos. “O Mapa sinaliza as áreas para oferta de cursos por parte do Senai para quem está entrando no mercado e para que está no mercado e não correr risco de ficar desatualizado”, diz Márcio Guerra. Hoje, o Senai conta com 580 unidades em todo o país, que atendem até 2,3 milhões de alunos anualmente, com cursos de aperfeiçoamento, técnico e de nível superior.

 

Para o diretor-geral do Senai, Rafalel Lucchesi, conhecer o mercado de trabalho, qualificar-se adequadamente e se manter atualizado por meio de cursos de aperfeiçoamento são maneiras de aumentar as chances de conseguir e manter um emprego. “É importante também que as pessoas conheçam as tendências para, se desejarem, adequar seus projetos de vida às necessidades do mundo do trabalho”, avalia Lucchesi, em nota distribuída à imprensa. No nível técnico, por exemplo, a área de transporte e logística exigirá a formação de 495.161 profissionais, enquanto a metalmecânica demandará a qualificação de 217.703 técnicos.

Carreiras promissoras O Mapa mostra ainda que a tecnologia é a base dos novos empregos que apresentam as maiores taxas de crescimento no período. Segundo o estudo, além dos condutores de processos robotizados, terão crescimento na demanda por profissionais qualificados as áreas de pesquisa de engenharia e tecnologia (17,9%), de engenharia de controle e automação, engenharia mecatrônica e afins (14,2%), de direção de serviços de informática (13,8%) e de operação de máquinas de usinagem CNC (13,6%). Embora o número de empregos gerados nessas atividades ainda seja baixo em relação ao total de vagas criadas na indústria, a tendência é de que profissões com base tecnológica tenham crescimento acelerado.

 

“O mundo vive a 4ª revolução industrial e o levantamento mostra que o Brasil, mesmo diante das dificuldades, está se inserindo aos poucos na Indústria 4.0”, avalia Lucchesi. Ele lembra que, para atender a essa demanda por qualificação o Senai está preparado para formar profissionais nessas áreas. “Com a qualificação adequada, terão mais oportunidade de empregos”, acrescenta o diretor-geral do Senai. “O que a gente percebe no Mapa é uma exigência crescente de conhecimento tecnológico, mas há necessidade de habilidades que dependem do comportamental e a formação tem que fazer a fusão da tecnologia com o emocional”, diz Guerra. 

Risco de faltar mão de obra

Apesar de haver um batalhão de 12,8 milhões de desempregados no país e de a indústria estimar a necessidade de 10,5 milhões de trabalhadores qualificados nos próximos quatro anos, o país pode voltar a ter problemas com oferta de mão de obra no futuro. “O desafio no Brasil, quando a economia se recuperar é que vai haver uma demanda maior por trabalhadores qualificados e aí quem está no mercado, para se manter tem que entender a necessidade de se desenvolver”, afirma o gerente de Estudos e Prospectiva da CNI, Márcio Guerra, responsável pela elaboração do Mapa do Trabalho Industrial do Senai. O estudo mapeou a necessidade de empregos e a qualificação necessária até 2023.

 

Guerra admite que há o risco de a indústria tem problemas de mão de obra. “O Brasil, crescendo a 1,5% ou 2% num período de três anos vai começar a haver dificuldade com mão de obra qualificada”, admite o gerente da CNI. Para ele, há risco de a situação vivida no Brasil nos primeiros anos deste século quando houve o que se chamou de “apagão de mão de obra”. Para explicar o risco, Guerra lembra que muitos dos desempregados hoje são oriundos da indústria – que cortou postos de trabalho – e, portanto, têm alguma qualificação. “Dependendo da velocidade da mudança, com o país voltando a crescer, se esse trabalhador não se aperfeiçoar tecnologicamente e no comportamental, de boa convivência social, há o risco de faltar mão de obra qualificada para as fábricas”, admite Guerra.

 

Ele lembra que as transformações tecnológicas devem impactar os empregos na indústria, mas observa que vão surgir outras atribuições e que é para elas que os trabalhadores devem se preparar, como mostra o Mapa  do Trabalho Industrial. “O Mapa possibilita um inserção rápida de cursos de especialização, técnicos e superior para que o Senai consiga contribuir com a formação dessa mão de obra qualificada”, afirma Guerra. O Mapa é elaborado a partir de cenários com base no comportamento da economia e dos seus setores, projetando o impacto dessas premissas sobre o mercado de trabalho para estimar a demanda por formação profissional com base industrial. O estudo é feito a cada quatro anos e atualizado anualmente. (MM)

Fonte Oficial: EM.

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