A mudança de foco ocorreu, de forma geral, com recursos direcionados, sobretudo para imóveis
(Arte: TUTU)

Nos últimos dez anos, o mercado de crédito no Brasil sofreu mudanças relevantes. Em agosto de 2010, o montante de recursos disponibilizado por bancos às empresas representava 55% do total, restando 45% direcionados aos cidadãos. Em agosto de 2020, esta proporção se reverteu: hoje, as Pessoas Físicas (PF) detêm 56% do total do volume emprestado, enquanto que as Pessoas Jurídicas (PJ), 44%. Os dados analisados pela FecomercioSP fazem parte de relatórios de crédito do Banco Central (BC). 

Este é um fenômeno interessante de se avaliar no mercado de crédito. A mudança mostra que, de forma geral, o Brasil focou mais em consumo do que em investimento. 

Isso destoa da necessidade de se aumentar a poupança interna do País, o que proporcionaria expansão dos investimentos empresariais – responsáveis pela geração de empregos, renda e consumo de forma mais consistente e duradoura no longo prazo. 

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A FecomercioSP destaca que o volume de crédito cresceu, em termos reais, muito mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) ao longo desses anos. Além disso, mesmo que a taxa de crescimento para PF consumir tenha sido maior, a economia funciona melhor com um mercado de crédito bastante ativo, fomentando tanto investimentos quanto consumo (que também viabiliza, indiretamente, mais investimentos). Confira, a seguir, as tabelas que contam esta história.

Abaixo, a tabela com dados da variação nominal, da variação real (que considera a inflação do período) e da variação em relação ao PIB acumulado em dez anos. Lembrando que a inflação foi de 72% entre agosto de 2010 e agosto de 2020, e o PIB cresceu, aproximadamente, 6% desde então.

Abaixo, os dados completos do ambiente de crédito em agosto de 2010 e em agosto de 2020.

A FecomercioSP faz as seguintes constatações a respeito desse cenário. 

1. O total do volume de crédito cresceu 135% em termos nominais, 37% em termos reais e quase 30% em relação ao PIB em dez anos.

2. A mudança de foco, que fez com que o crédito para PF fosse predominante, ocorreu de forma geral com recursos direcionados; carteiras como a imobiliária foram as que cresceram mais, saltando de 7% do total de crédito, em 2010, para 18%, em 2020.

3. O cheque especial está reduzindo gradativamente sua participação – hoje, representa menos de 0,5% do total de crédito.

4. O uso do cartão de crédito em relação ao total dos recursos melhorou sua composição e passou de 5,4% do total das carteiras, em 2010, para 6,7%, em 2020. A participação do rotativo caiu, e as participações do pagamento à vista e do parcelamento no cartão aumentaram. Cada vez menos o consumidor usa o perigoso crédito rotativo. Já o parcelamento sem juros, famoso no comércio, representa apenas 1,1% do total do crédito no País.

5. Em relação à carteira com recursos livres às empresas, a modalidade mais importante ainda é o capital de giro, apesar de a sua participação ter caído em dez anos (atualmente, mais de 40% dos empréstimos com recursos livres para negócios são feitos para capital de giro. Em 2010, esta proporção era de metade dos empréstimos com recursos livres).

6. Para as PFs com recursos livres, a maior carteira ainda é a de aquisição de veículos, mas também houve queda da modalidade no bolo de participação.

7. A inversão de proporções de crédito a PF e PJ ocorreu praticamente apenas no crédito direcionado, tendo em vista que as participações sobre os recursos livres são praticamente as mesmas de uma década atrás, ainda que o volume total tenha crescido.

8. O montante de crédito direcionado cresceu de 38% para 42% do total disponibilizado. Como explicado, esta transição se deve ao aumento significativo do crédito imobiliário para PF. Foi este impulso que definiu a mudança de paradigma que não afetou apenas o direcionamento de crédito para aquisição de imóveis, mas também ampliou a participação das pessoas físicas no total de crédito do País.

 

Fonte Oficial: FecomercioSP

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