No ano em que o Brasil viu ressurgirem as ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), a BR Distribuidora se perfila como uma das operações com maior poder de atrair o pequeno investidor. A expectativa é que os papéis da maior subsidiária da Petrobras comecem a ser negociados em bolsa a partir do dia 13, em operação que pode chegar a
R$ 7,5 bilhões.

Se confirmada a estimativa, deve ser a segunda maior oferta inicial de ações na bolsa brasileira desde abril de 2013, quando a BB Seguridade – braço de seguros do Banco do Brasil – levantou quase R$ 11,5 bilhões.

A força da marca BR, espalhada em postos de combustíveis no País, deve atrair pessoas físicas que deixaram a Bolsa nos últimos anos, diz Joel Roberto, responsável pela área de investment banking para América Latina do Deutsche Bank. “Em casos em que a marca é bem conhecida pelo consumidor ou em que a oferta dá condições especiais para o varejo, pode ter mais participação da pessoa física.” A recomendação de especialista é sempre ter cuidado extra no mercado acionário, zelo que deve ser redobrado nas ofertas iniciais de ações.

O preço dos papéis é um dos pontos a serem levados em conta. Das oito ofertadas do ano até agora, cinco saíram no piso inferior da faixa de preços ou abaixo. “Não dá para saber se estamos vendendo barato ou se a oferta não está sendo colocada adequadamente”, diz Ivan Clark, sócio e líder de mercado de capitais da consultoria PwC.

No caso da subsidiária da Petrobras, há ainda preocupações adicionais. A estatal colocará à venda de 25% a 33,75% do capital da BR. “É uma operação muito grande e precisa desse desconto no preço (a ação sairá na faixa entre R$ 15,00 e R$ 19,00) porque o investidor será sócio minoritário de uma estatal”, diz Paulo Bilyk, sócio fundador da gestora Rio Bravo.

“O ativo é bom, o preço está com desconto, mas há risco. A Petrobras não vai sair de lá, vai continuar controlando. No ano que vem tem eleição. E se entrar um populista e usar a estatal com fins políticos? Esse desconto foi suficiente?”, questiona, por sua vez, Andrea Minardi, professora de finanças do Insper.

Por outro lado, a vitória de um nome que agrade ao mercado poderia valorizar os papéis. “O ativo é bom. Se resolver a incerteza de 2018 e entrar um candidato com agenda econômica, o preço ajusta. Aí esse investidor terá perdido a chance de comprar o ativo barato.”

Fonte Oficial: Jornal do Comércio

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