Chega de resolver apenas uma dor de cada vez e ficar com um pedacinho do coração do cliente. Às vésperas da regulamentação do cadastro positivo pelo Banco Central – prevista para o início de julho -, e diante das expectativas em torno de uma primeira fase do open banking ainda em 2020, a grande missão dos bancos é tirar o máximo proveito da imensidão de dados que possuem e oferecer ao cliente não uma, mas todas as soluções de que ele precisa, mesmo que essa solução venha de uma fintech parceira.

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Nesse sentido, a chamada jornada do cliente é uma das obsessões do CIAB Febraban 2019. O evento, que abriu nesta terça-feira (11), em São Paulo, começou décadas atrás como algo próprio para profissionais de TI , mas se tornou um dos maiores congressos de tecnologia financeira em geral na América Latina.

Essa missão de “cercar” o cliente de todas as formas, mas, ao mesmo tempo, da maneira mais sutil possível, está levando o setor a apostar suas fichas em tecnologias como Inteligência Artificial (incluindo uma de suas vertentes, o machine learning e o uso de algoritmos) e a Internet das Coisas.

Dados da última Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária mostram que o setor investiu mais de R$ 19,6 bilhões nessas tecnologias em 2018, 3% a mais do que em 2017. E nesse universo, as fintechs, mesmo as mais promissoras e que estão conquistando autorizações cada vez mais parecidas àquelas dos bancos de varejo, não são vistas como concorrentes.

“Temos de ter um olhar cuidadoso sobre o que é ameaça e o que é oportunidade. Esse casamento [entre bancos e fintechs] é um casamento vitorioso”, disse o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior durante uma palestra sobre “o banco da era digital”.

No caso do Bradesco, a atuação tradicional do banco, como gestor e provedor de produtos de crédito, por exemplo, está sendo somada a uma gama de serviços de parceiros diversos, de maneira a formar o que está sendo chamado de “Bradesco como serviço”.

O Next, banco digital lançado pelo Bradesco em 2017, faz parte dessa visão, mas, promete Lazari Junior, não é uma evolução do bancão. “O Next é feito para um público diferente, hiperconectado, de outras gerações e tem como meta atingir 1,5 milhão de clientes até o fim de 2019”, disse o presidente do Bradesco no evento.

Segundo Lazari Junior, esse esforço de preparação para a era do open banking está consumindo pelo menos 50 times de funcionários, com 2,1 mil pessoas dedicadas a vencer 14 desafios estratégicos, usando uma das metodologias tipicamente usadas por quem trabalha com Saas (software as a service), a Agile.

Pelo conceito do open banking, os dados financeiros pertencem ao cliente, que pode escolher compartilhá-los com qualquer instituição financeira, para que ela ofereça a ele serviços mais baratos e melhores, de pagamentos instantâneos a crédito pessoal mais barato devido a uma avaliação de perfil mais profunda e ágil.

Na prática, o open banking é feito por meio de Interfaces de Programação de Aplicação (APIs, na sigla em inglês), portanto os dados não são, efetivamente, visíveis a qualquer um dos atores do sistema e nem podem ser compartilhados livremente. É algo mais sofisticado, mas semelhante ao que foi pensado para o cadastro positivo.

Nesse contexto, Sergio Biagini, sócio-líder da Deloitte para serviços financeiros no Brasil, diz que o setor não escapou da tendência do customer empowerment, ou seja, do cliente no poder ou no centro de tudo.

“Com o smartphone [que é o dispositivo cujo uso mais cresce hoje no setor de serviços financeiros] em mãos, o cliente/usuário tem a capacidade de escolher o serviço que mais conveniência traz para ele”, diz Biagini. E o open banking só deve acelerar essa tendência já em curso.

“A gente não sabe ainda que modelo será seguido no Brasil. No Reino Unido, por exemplo, você tem os shoppings ou marketplaces financeiros, que são multiprodutos, multimarcas, e trazem o melhor para o cliente segundo um perfil pré-determinado pelo próprio cliente. [Nesse ambiente do open banking] será muita mais fácil você tomar uma decisão entre A e B”, explica Biagini.

Olhando para o que já está andamento no mundo hoje, o Banco Central tem, basicamente, três caminhos para o open banking no Brasil: o da regulação abrangente, com padronização das APIs, controle dos diferentes prestadores do serviço e sistema de governança responsável, por exemplo, por resolver disputas entre empresas e revisar periodicamente os padrões estabelecidos (caso do Reino Unido); o da regulação dos padrões de APIs, apenas, e adoção, mais tarde, de um papel de observador de uma etapa seguinte de autorregulação (caso de Singapura); e o da abertura dos dados seguida de uma autorregulação por si só, tendo a autoridade monetária mais como uma observadora de todo o processo (caso dos Estados Unidos).

Segundo fontes do mercado que acompanham de perto as discussões sobre a regulamentação do open banking, o Brasil deve ter um modelo híbrido, importando boas práticas já em andamento em outros países, mas também olhando para soluções que façam sentido no próprio quintal.

Seja como for, a tendência é de que open banking aumente gradativamente a competição no setor financeiro do país e, o mais importante, reduza custos.

Fonte Oficial: Gazeta do Povo

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