A Turbi, startup de carros compartilhados, começou a operar em agosto de 2017 e terminou o ano passado com 67 veículos, e pouco mais de 5 mil viagens no total. Ao final de 2019, a empresa terá uma frota de mais de 600 carros e já realiza, em média, 7 mil viagens a cada mês – com atuação apenas na cidade de São Paulo. O crescimento exponencial já posiciona a Turbi como o maior player de aluguel de carros no mercado digital da América Latina.

Com uma nova rodada de investimentos em vista – até hoje, já captou quase R$ 5 milhões –, a Turbi mira resultados ainda mais expressivos. A expectativa é encerrar 2020 com 5 mil veículos e faturamento de US$ 34 milhões. No entanto, a startup quer manter a expansão em um modelo sustentável, com tecnologia robusta para atender à demanda.

“Decidimos crescer aos poucos e focar em produto. Então, ficamos com uma tecnologia estável que consegue aguentar a escala”, conta Diego Lira, CEO e cofundador da Turbi, em entrevista exclusiva à StartSe.

Carros compartilhados

A Turbi funciona no formato de round trip: o usuário pega o carro em um estacionamento e devolve ele na mesma vaga. O valor pago é de uma taxa por hora, que varia de acordo com o modelo do veículo, mais um valor de R$ 0,50 por quilômetro rodado. O combustível fica por conta da startup, que deixa um cartão de abastecimento no porta-luvas para uso livre do cliente.

Este formato foi escolhido por Diego Lira e seu sócio Daniel Prado por facilitar a logística. Os empreendedores estudaram empresas de car sharing nos EUA e na Europa e verificaram que outros modelos, como one way trip (o usuário pega o carro em um local e estaciona em outra vaga da startup) e free float (como nos apps de patinete, o usuário deixa o veículo em qualquer lugar dentro de um perímetro), trazem mais custos e desafios logísticos. Ou, como Lira descreve, seriam “pesadelos operacionais”.

De acordo com o CEO, a concentração de aluguéis por meio do aplicativo da Turbi está nos finais de semana, para clientes que viajam, mas não têm carro próprio. Durante a semana, os usos são variados, embora grande parte dos clientes seja formada por trabalhadores autônomos, que não precisam de um veículo todos os dias e têm reuniões pontuais.

“O usuário típico é de classe média e faz as contas para escolher o transporte mais vantajoso. Ele já está acostumado a usar diversos apps de mobilidade”, descreve. “Mas, ao contrário do que imaginava no início, não há um padrão de idade. Temos clientes de todas as faixas etárias”.

Mercado e concorrência

Diego Lira afirma que a principal concorrência da Turbi não é o modelo tradicional de aluguel de carros. Tampouco são os aplicativos de mobilidade urbana: “todos os modais são complementares”, diz. “O nosso maior concorrente é o carro próprio, e ele está diminuindo”.

No entanto, a preocupação do empreendedor, neste momento, não é a concorrência. “Carro aluga. Há 800 mil carros de aluguel no país, e a Turbi tem pouco mais de 500”, explica. “O desafio está em educar o consumidor. Faz parte do nosso trabalho mostrar que vale a pena compartilhar um veículo”.

Para este fim, a tecnologia é um instrumento essencial. Além de tornar muito mais prático o processo de alugar um carro, o software do aplicativo permite avaliar os veículos e também o comportamento do condutor. “O usuário que não leva multa, que deixa o tanque com pelo menos metade da capacidade e que não tem nenhum report de mal uso recebe mais vouchers de desconto. Nós sabemos quem anda acima do limite”, explica.

Uma estratégia adotada pela startup para restringir o mercado e entendê-lo para depois ganhar escala foi iniciar com o segmento premium – ou “copiar o Uber”, como diz Diego Lira. Hoje, por exemplo, os modelos de carros mais modestos da plataforma são o Hyundai HB20 e o Chevrolet Onix, enquanto o mais caro é o Mini Cooper Cabrio conversível.

Próximos passos

Para um futuro distante, expansão geográfica e lançar novos modelos de car sharing são destinos inevitáveis, principalmente com a chegada de mais investidores. No entanto, Diego Lira e sua equipe veem as parcerias como estratégia atual de desenvolvimento do produto.

A colaboração com outras empresas vem tanto para melhorar a experiência do cliente enquanto dirige quanto para melhorar a distribuição dos carros pela cidade. Diego Lira dá exemplos de parcerias já realizadas em ambos os sentidos.

Em alguns prédios residenciais da Vitacon, por exemplo, algumas das vagas são ocupadas por veículos da Turbi. Não há nenhuma contrapartida financeira dos dois lados. Para a incorporadora, é um atrativo ao morador que tem mais um modal de transporte dentro de casa. Para a startup de mobilidade, é uma forma de atrair mais clientes e ter uma vaga gratuita (hoje, a maioria das vagas estão em estacionamentos e são pagas).

Muitos clientes pedem para levar pets nos carros. No entanto, isto cria um problema de limpeza dos veículos. Assim, a Turbi fez uma parceria com uma rede de pet shops, e agora todos os veículos da empresa têm disponível uma capa protetora com cinto de segurança para o animal.

“Tudo o que o cliente me pede, eu estudo para ver a viabilidade financeira. Se for viável e for melhorar a experiência dos consumidores, nós vamos fazer”, afirma Diego Lira, que ressalta que a Turbi está aberta a novas parcerias.

Fonte Oficial: StartSe

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