Confundir novidade com evolução pode ser uma armadilha quando falamos de inovação no franchising. Uma nova ferramenta, um novo canal ou uma nova tecnologia podem até modernizar uma operação, mas não necessariamente tornam o negócio melhor. Para mim, inovação só acontece quando a tecnologia deixa de ser assunto e passa a ser resultado.
Qual problema estamos tentando resolver? Em uma rede de franquias, devemos fazer essa pergunta. Se uma equipe perde horas todos os dias conciliando informações de diferentes sistemas, automatizar essa tarefa é inovação. Se o franqueado precisa abrir cinco telas para descobrir se sua unidade deu lucro, integrar esses dados também é. Tecnologia boa é aquela que desaparece da frente do usuário e deixa a decisão mais simples.
O dado só vale quando muda uma decisão
Imagine uma rede em que uma unidade mantém o faturamento, mas vê sua margem cair mês após mês. Sem dados integrados, o problema pode passar despercebido. Com informações de vendas, custos, estoque e recebíveis organizadas, a gestão consegue identificar que o crescimento do faturamento veio acompanhado de descontos maiores ou de um aumento nas vendas de produtos com menor margem de lucro. O dado não resolveu o problema. Ele permitiu que alguém percebesse o problema a tempo.
O mesmo vale para o consumidor. Uma rede pode ter loja física, aplicativo, e-commerce e programa de fidelidade, mas, se esses canais não conversam, é apenas uma empresa com vários canais. Se o cliente pesquisa um produto online, encontra disponibilidade na unidade mais próxima e consegue retirá-lo na loja, aí existe tecnologia trabalhando para uma experiência melhor e não apenas para aumentar a lista de funcionalidades.
Há também uma oportunidade enorme na personalização. Uma rede não precisa tratar todas as suas unidades da mesma maneira. Uma loja em uma região turística pode ter comportamento de consumo completamente diferente de outra em um bairro residencial. Usar os dados para ajustar estoque, campanhas e ofertas a essas realidades é transformar tecnologia em inteligência operacional.
E existe uma inovação ainda mais importante: fazer franqueador e franqueado enxergarem os mesmos dados e indicadores. Quando ambos trabalham com as mesmas informações, a conversa muda. Em vez de discutir percepções (“acho que as vendas caíram”, “acho que o custo aumentou”), é possível discutir causas e caminhos, entendendo se a conversão caiu, o ticket mudou, determinado produto perdeu participação ou a despesa saiu da curva.
Inovar também significa saber o que não fazer
Outro erro comum é acreditar que inovação precisa acontecer em toda a rede ao mesmo tempo. Não precisa. Uma nova solução pode começar em algumas unidades, gerar hipóteses, ser medida e corrigida antes de ganhar escala. É assim que uma rede descobre se uma tecnologia realmente resolve um problema ou apenas cria outro.
Um totem de autoatendimento, por exemplo, não deveria ser considerado um sucesso porque reduziu o número de atendimentos no caixa. A pergunta é outra: as filas diminuíram? O ticket aumentou? O cliente ficou mais satisfeito? A equipe passou a dedicar mais tempo ao que importa? Automatizar uma atividade ruim não é inovação. É apenas fazer o erro mais rápido.
No fim, acredito que o futuro do franchising será menos sobre quem adota mais tecnologia e mais sobre quem consegue transformá-la em simplicidade. Menos tempo conferindo, mais tempo decidindo. Menos informação espalhada, mais inteligência disponível. Menos processos manuais, mais capacidade de olhar para o cliente.
Porque inovação, no varejo, não deveria ser medida pela quantidade de tecnologia que colocamos dentro da operação. Deveria ser medida por tudo aquilo que conseguimos tirar do caminho para que o negócio funcione melhor.
Fonte Oficial: https://startupi.com.br/no-franchising-inovar-nao-e-ter-mais-tecnologia-e-ter-menos-desperdicio/