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piloto de tokenização recebe 39 propostas e 50 instituições

O painel “Blockchain do Setor Financeiro”, que ocorreu nesta sexta-feira no Blockchain Rio, evidenciou de forma clara uma mudança no mercado de capitais brasileiro: a tokenização deixou de ser exercício conceitual para se tornar um esforço coordenado de infraestrutura. Marcelo Billy, o responsável pela Inovação da Anbima, apontou os avanços do piloto de tokenização conduzido pela entidade e os dilemas que ainda cercam a construção de uma rede interoperável para o sistema financeiro nacional.

A questão que norteou a discussão

A provocação inicial que deu início à discussão foi: “estamos diante de projetos isolados ou do começo de uma nova infraestrutura financeira?”. Billy foi sincero ao dizer que não há uma resposta definitiva ainda. Entretanto, os indícios, de acordo com ele, são claros.

> “Quando nós começamos a desenhar o piloto, prevíamos mais ou menos 10 casos de uso inscritos na nossa plataforma. No final, foram recebidas 39 propostas e, com a participação de mais de 50 instituições, vamos testar pelo menos 20 casos de uso”, afirmou.

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Os números são impressionantes, não apenas pelo volume — quase quatro vezes a projeção inicial —, mas também pela sofisticação. “Não estamos falando só de ideias iniciais e exercícios conceituais simples. Muitas instituições vieram com propostas bem elaboradas, abordando questões de precificação, tributação e desafios operacionais do mercado”, acrescentou Billy.

Do desmembramento de bens às operações transfronteiriças

O painel trouxe diversas visões sobre a aplicação prática da tecnologia e mostrou exemplos de como o blockchain possibilita a fração de ativos, ampliando o acesso dos investidores a oportunidades que antes exigiam grandes aportes. Marcos Sarris, de GoLedger, levantou durante a discussão a possibilidade de que as novas infraestruturas possam simplificar e tornar mais eficientes as transações internacionais — um entrave histórico do sistema financeiro.

Segurança e governança: o setor responsável pela gestão de riscos

Houve um tema que foi unânime na discussão: segurança e governança. Sarris observou que o setor financeiro é, acima de tudo, uma indústria de gestão de riscos. Isso tem uma consequência prática: não é suficiente questionar o que a tecnologia *é capaz* de realizar — é essencial compreender de que maneira ela funciona, garantindo segurança, confiabilidade e conformidade com as normas regulatórias do setor.

O real obstáculo não é a tecnologia

Talvez a maior descoberta no testemunho de Billy tenha sido que o maior bloqueio não reside na parte técnica.

> “O maior desafio não é a tecnologia. O maior desafio tem sido harmonizar processos, normas e governanças entre as dezenas de instituições que farão parte do piloto e do mercado tokenizado estruturado. Compreender o que realmente faz sentido colocar em blockchain, o que pode permanecer fora dela e como criar modelos que funcionem para todos os participantes”, disse.

Uma única rede? “Não sabemos”

Quando foi questionado sobre como ficará no fim das contas a infraestrutura — se será uma única rede, privada ou pública — Billy não hesitou em admitir que não sabe:

> “O que temos respondido até agora é que não sabemos. O que sabemos é que precisamos de uma infraestrutura segura, interoperável e acessível para todos os participantes”.

Para Billy, a mensagem do painel pode ser resumida em uma frase: o mercado não se pergunta mais se a tecnologia funciona. “Agora estamos discutindo como transformar esse potencial em soluções que realmente gerem valor para o nosso mercado e para os investidores brasileiros”, finalizou.

Fonte Oficial: https://startupi.com.br/nao-sabemos-se-sera-uma-rede-unica-anbima-revela-que-piloto-de-tokenizacao-superou-expectativas-em-4x-e-redesenha-a-infraestrutura-financeira-brasileira/

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