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Faturamento das plataformas de apostas online cresceu 27,3% em março em São Paulo


É necessário um fortalecimento do debate sobre publicidade, proteção dos consumidores e preservação dos equilíbrios econômico e social

O faturamento das plataformas de apostas online cresceu 27,3% em março, em São Paulo, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), no terceiro mês do ano, a receita bruta do segmento atingiu R$ 1,7 bilhão, superando o registrado em março do ano passado, quando a atividade somou R$ 1,4 bilhão.  

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Faturamento real do Setor de Serviços — março de 2026

Fonte: FecomercioSP 

Em 2026, o grupo já acumula alta de 23,1%, mantendo-se entre as atividades de maior expansão dentro do setor. Segundo a FecomercioSP, o avanço do segmento tem sido influenciado pela digitalização do consumo, pela consolidação do PIX como principal infraestrutura de pagamentos instantâneos e pela elevada recorrência no uso das plataformas em dispositivos móveis. Por se tratar de uma atividade com forte capacidade de captura de renda e elevada escalabilidade, os serviços de aposta têm crescido mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. 

Prova disso é a expansão da atividade em um contexto de desaceleração do consumo e mais restrição financeira entre as famílias, somadas aos juros elevados, ao crédito mais seletivo, à inadimplência e ao comprometimento da renda. Parte do dinheiro disponível das famílias está sendo direcionado a plataformas de apostas, muitas vezes com a expectativa de complementação de receita ou obtenção de ganhos rápidos. De acordo com sondagem recente realizada pela FecomercioSP, um terço (35%) dos paulistanos faz apostas em plataformas online com o objetivo de aumentar a renda doméstica

Esse comportamento acaba produzindo efeitos sobre os segmentos dependentes do consumo discricionário, especialmente varejo, lazer, alimentação fora de casa, turismo e serviços pessoais, alterando gradualmente a dinâmica do consumo urbano.  

Na avaliação da FecomercioSP, que acompanha o tema desde a regulamentação das plataformas no Brasil, é necessário um fortalecimento do debate sobre publicidade, proteção dos consumidores e preservação dos equilíbrios econômico e social, levando em conta, inclusive, o combate às plataformas clandestinas e as internacionais não autorizadas a operar no País. 

Setor de Serviços cresce, mas de forma heterogênea 

Em março, o faturamento real dos Serviços na capital paulista atingiu R$ 89,5 bilhões, apontando crescimentos de 12,1%, em relação ao mesmo mês de 2025, e de 10,1%, na comparação com fevereiro. Em valores absolutos, são R$ 9,7 bilhões adicionais. O que explica esse crescimento, em parte, é o carnaval — que, no ano passado, ocorreu em março —, reduzindo o número de dias úteis e impactando diversas atividades empresariais na ocasião.  

Como neste ano a festa aconteceu em fevereiro, a FecomercioSP avalia que houve uma ampliação da base operacional no período, contribuindo para um crescimento mais intenso em diversos segmentos. No acumulado do ano, o faturamento registra expansão de 11,4%, enquanto em 12 meses, houve um avanço de 12,1%. 

Embora o setor demonstre uma trajetória positiva, esse crescimento não tem ocorrido da mesma forma em todos os segmentos. O avanço está concentrado em atividades relacionadas a digitalização, intermediação, tecnologia, comunicação, saúde e serviços corporativos. Esses grupos, tradicionalmente, apresentam mais resiliência em ambientes de crédito restritivo e menor dinamismo do consumo das famílias. 

Construção civil avança 13,4% no comparativo interanual 

Além das apostas virtuais, as principais altas na comparação interanual foram registradas nos serviços de agenciamento, corretagem e intermediação (28,3%), mercadologia e comunicação (20,8%), serviços técnico-científicos (17,2%), serviços de saúde (15,6%), outros serviços (14,2%) e construção civil (13,4%). 

Este último chama a atenção pela alta acumulada no ano, de 28%. Para a Entidade, os investimentos em infraestrutura urbana, mobilidade e saneamento e a continuidade de projetos contratados anteriormente estão sustentando a atividade, ainda que também haja uma influência da base de comparação mais favorável em comparação com o ano passado. 

Turismo perde dinamismo em março

O segmento de turismo, hospedagem, eventos e assemelhados (-28,6%) e serviços de representação (-10,9%), por sua vez, apresentaram quedas, refletindo, no caso do turismo, um ambiente de consumo mais cauteloso e a própria influência da realização do Carnaval em março de 2025.  

O setor acumula quedas de 17,4%, no ano, e de 2,5%, em 12 meses, sugerindo uma perda de dinamismo recente, principalmente em atividades mais dependentes da renda familiar disponível e do fluxo corporativo. 

Já a cautela das empresas diante do elevado custo do crédito e das incertezas que ainda cercam o ambiente de negócios ajuda a explicar o mau desempenho dos serviços de representação. 

Ambiente econômico exige adaptação dos negócios 

Para a FecomercioSP, os resultados de março confirmam a continuidade da expansão do setor, ainda que de forma seletiva e concentrada em atividades específicas. Nesse contexto, a competitividade dos Serviços dependerá não apenas da expansão da demanda, mas da capacidade das empresas de operar com eficiência, utilizar inteligência de mercado, fortalecer canais digitais e adaptar-se rapidamente às mudanças estruturais no comportamento do consumidor.

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Fonte Oficial: https://www.fecomercio.com.br/noticia/faturamento-das-plataformas-de-apostas-online-cresceu-27-3-em-marco-em-sao-paulo

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