Confederação levou ao debate análises sobre custos, emprego e produtividade, reforçando a visão do setor na construção de soluções sustentáveis
A Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) realizou, nesta quarta-feira (11), em Brasília, a primeira reunião de trabalho de 2026 com o tema “Trabalho, Renda e Produtividade”. O encontro reuniu parlamentares, lideranças empresariais, especialistas e jornalistas. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) esteve presente com a diretora de Relações Institucionais, Nara de Deus, e o economista-chefe, Fábio Bentes, que apresentou estudos sobre os impactos da proposta de redução da jornada de trabalho em discussão.
Foto: Flávio Barbosa
O debate foi conduzido pelo presidente da FPN, deputado Mendonça Filho (União-PE), e reuniu diferentes visões sobre produtividade, competitividade, bem-estar dos trabalhadores e sustentabilidade econômica.
Construção de consensos
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da PEC de redução da jornada de trabalho, abriu o debate destacando a importância de construir consensos. Ele lembrou que o Brasil vive um período de forte transformação tecnológica e afirmou que o País tem condições de promover uma reindustrialização moderna.
“Perdemos participação na indústria mundial e precisamos reagir com mais inovação, sustentabilidade e produtividade”, afirmou.
Lopes defendeu a convergência em torno da jornada semanal de 40 horas, no modelo 5×2, a ser implementada de forma gradual. Segundo ele, pesquisas indicam que trabalhadores rejeitam a escala 6×1 e valorizam formatos que ampliem qualidade de vida. “A sociedade quer mais equilíbrio e isso precisa ser considerado”, disse.
O parlamentar observou que empresas de diversos setores já testam modelos diferentes de jornada, reportando ganhos consistentes de produtividade; e reforçou a importância de políticas de qualificação e atenção especial a micros e pequenas empresas, mais sensíveis a aumentos de custos.
Riscos de informalidade
O deputado Kim Kataguiri (União–SP) alertou para o risco de que as mudanças propostas aumentem custos trabalhistas e ampliem a informalidade. “A maior parte das pessoas quer estar no mercado formal, mas o custo impede que isso aconteça”, afirmou.
O parlamentar citou a experiência de formalização das domésticas, que resultou em aumento da informalidade, e defendeu que o debate avance com base em análises econômicas sólidas. Ele também ressaltou a necessidade de políticas públicas mais consistentes voltadas à saúde mental dos trabalhadores.
Escuta aos setores
Relator da PEC da Jornada 6×1, o deputado Paulo Azi (União–BA) destacou que o debate exige equilíbrio, especialmente em ano eleitoral. “Reduzir jornada sem reduzir salários é um princípio básico, mas isso precisa ser feito com responsabilidade e transição”, afirmou.
Azi adiantou que o Parlamento iniciará um ciclo de audiências com governo, centrais sindicais e setores produtivos — incluindo a CNC — para construir um diagnóstico preciso dos possíveis efeitos da mudança nas relações de trabalho.
CNC apresenta estudo técnico
O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, apresentou uma análise técnica sobre os efeitos potenciais da redução da jornada. Ele destacou que, embora a literatura reconheça benefícios ao trabalhador, os impactos sobre a economia variam amplamente entre setores.
“Medidas desse tipo podem ser positivas, mas precisam ser sustentáveis. Há efeitos significativos sobre custos, preços e competitividade”, explicou.
Bentes lembrou que a formalização do trabalho doméstico gerou a eliminação de cerca de 300 mil empregos formais devido ao aumento dos custos. No comércio, estudo da CNC mostra que uma mudança na jornada pode elevar, em média, 21% as despesas com folha de pagamento.
“Um trabalhador mais saudável, satisfeito e produtivo interessa à economia e ao comércio. O desafio é equilibrar bem-estar, produtividade e preservação do emprego”, afirmou.
O economista-chefe reforçou ainda a importância da negociação coletiva como instrumento para ajustar jornadas conforme a realidade de cada segmento econômico.
Após o debate com a participação de todos os setores representados, o relator da matéria encerrou a reunião afirmando que o diálogo será fundamental: “Queremos construir algo que seja bom para a classe trabalhadora, mas que também preserve os empregos e a capacidade do setor produtivo”, disse.
A CNC continuará acompanhando as discussões no Congresso e contribuindo com estudos técnicos que ajudem a calibrar propostas capazes de promover produtividade, competitividade e geração de empregos, pilares essenciais para o desenvolvimento do comércio, serviços e turismo no País.
Fotos: Felipe Soares