O Emprega Mais Ribeirão é uma importante engrenagem de um motor ainda maior idealizado pelo Sincovarp
Quando o desafio é grande, pensar pequeno não é opção. Foi com essa lógica que os temas ligados à empregabilidade e à articulação institucional ganharam destaque na reunião do Comitê de Relacionamento das Assessorias de Comunicação e Marketing (CRACM) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), na última terça-feira (24). Na ocasião, André Rezende, assessor do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp), apresentou as ações lideradas pela entidade para lidar com o problema da escassez de mão de obra qualificada e posicionar o sindicato como agente ativo do desenvolvimento socioeconômico local.
O Brasil ocupa a 9ª posição entre os países com mais dificuldade para encontrar profissionais qualificados, onde 81% dos empregadores relatam esse problema. No comércio varejista, 57% das principais ocupações registraram sinais de escassez de mão de obra entre 2024 e 2025. Diante disso, o Sincovarp decidiu agir para transformar um problema coletivo em agenda estratégica.
Estratégia e protagonismo
Na ocasião, Rezende destacou que, primeiro, foi desenvolvida a base do projeto, considerando os desafios mapeados com o comércio varejista. “A estratégia central foi unir as forças de todos os players, que já realizavam mutirões de empregabilidade isoladamente, em um grande movimento forte e escalável. “Desde 2023, já realizávamos alguns feirões focados no varejo e percebemos que havia uma sobreposição de esforços. Era a chamada ‘bola dividida’, ruim para todos”, explicou.
Com total respaldo da presidência do Sincovarp, o próximo passo foi iniciar um intenso trabalho de articulação institucional que resultou na criação do Emprega Mais Ribeirão. Inédita na cidade, a iniciativa unificou esforços da sociedade civil organizada e do Poder Público, eliminando conflitos de datas e integrando todas ações de forma inteligente e otimizada a baixo custo.
Além do Sincovarp, o núcleo realizador também é composto pela Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto, pelo Sindicato dos Empregados do Comércio de Ribeirão Preto (Sincomerciários RP), pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Ribeirão Preto (CDL RP) e pelo Instituto Brasileiro do Emprego e Empreendedorismo (iBee). “Cada entidade lidera a ação que já programava fazer, todas atuando em conjunto e compartilhando estrutura, comunicação e equipe”, afirmou Rezende.
O Emprega Mais Ribeirão conta com o engajamento de outras 49 instituições, como sindicatos, associações empresariais, instituições de ensino profissionalizante, movimentos setoriais, terceiro setor e a própria FecomercioSP. Tamanha rede de apoio permitiu que o projeto pudesse alcançar todo o setor produtivo local.
Resultados e próximos passos
Os números mostram o alcance da coalizão. Em 2025, foram realizados 17 mutirões, entre julho e dezembro, com quase 16 mil vagas ofertadas. Para 2026, a previsão é ampliar para 23 feirões com cerca de 20 mil vagas e aproximadamente 60 apoiadores.
Mais do que conectar quem precisa trabalhar com quem tanto precisa contratar, a iniciativa também atua nas frentes de capacitação profissional, geração de renda, inclusão produtiva e empreendedorismo.
“Os mutirões oferecem diversas trilhas de qualificação gratuitas, ou de baixo custo, com objetivo de qualificar a mão de obra. A abordagem é sempre motivacional. Não e trata só de encaminhar a pessoa para a vaga. Também é sobre preparar para permanecer e crescer. A visão precisa ser de longo prazo”, completou Rezende.
Parte de um todo
O Emprega Mais Ribeirão é uma importante engrenagem de um motor ainda maior idealizado pelo Sincovarp, que inclui a estruturação de um Mapa do Desenvolvimento Socioeconômico balizado por um Comitê de Desenvolvimento, composto por representantes das entidades do setor produtivo.
Na prática, esse conjunto de iniciativas fortalece o posicionamento, a liderança e a representatividade do Sincovarp, que cada vez mais exerce papel estratégico como articulador de soluções coletivas baseadas no diálogo permanente com Poder Público, demais entidades setoriais, imprensa e sociedade. Em um cenário de escassez de mão de obra e tamanha pressão competitiva, isso significa menos improviso e mais previsibilidade para quem precisa contratar, investir e manter o negócio vivo.