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solução que se tornou referência no apoio a mulheres em situação de violência

O aumento dos casos de violência doméstica no início da pandemia, apontado por dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, levou um grupo de estudantes da UFRJ e UNIRIO a desenvolver uma alternativa digital para garantir acesso a medidas protetivas. A iniciativa, batizada de Maria da Penha Virtual, permitia que vítimas solicitassem proteção sem sair de casa, antecipando uma digitalização que a lei já previa desde 2006, mas que ainda não tinha aplicação prática.

“A motivação veio da urgência em combater a subnotificação, já que muitas mulheres, por medo ou burocracia, não procuram a polícia. Com a tecnologia como ferramenta para concretizar direitos, criamos o Maria da Penha Virtual”, explica Rafael Wanderley, fundador do projeto.

A experiência, realizada em parceria com a Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, o TJRJ, TJPB, resultou na criação da startup Direito Ágil. Com apoio do programa BNDES Garagem, o projeto evoluiu para a plataforma ElaProtegida, voltada para a gestão pública no enfrentamento à violência de gênero. O foco foi suprir uma lacuna: em muitas cidades, os registros ainda eram feitos em fichas de papel, planilhas e e-mails, com alto custo e pouca eficiência.

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Estrutura da plataforma

O sistema oferece recursos de denúncia, inclusive para testemunhas, além de acompanhamento em tempo real dos casos. A solução inclui chat de orientação, acessibilidade para pessoas com deficiência visual, integração com serviços municipais por geolocalização, cálculo automatizado de risco e ferramentas de análise para gestores. “O ElaProtegida reúne recursos importantes para o acolhimento de mulheres em situação de violência e oferece uma gestão integrada aos municípios atendidos”, comenta Rafael.

Além da etapa de denúncia, a plataforma organiza o fluxo de atendimento, com agendamento de eventos, relatórios para equipes técnicas e integração com órgãos públicos. O diferencial, segundo ele, é garantir eficiência administrativa enquanto facilita o acesso ao serviço por parte das vítimas.

Investimentos e parcerias

O projeto atraiu aportes estratégicos que confirmaram seu potencial. A Shell investiu após selecionar a startup em um programa internacional de aceleração. A Prefeitura de Niterói contribuiu por meio do Acelera Niterói, acelerando o desenvolvimento do software. A empresa também foi finalista de programas como IdeiaGov e Citztech, além de receber apoio do Sebrae Nacional.

Entre os reconhecimentos, estão o Prêmio do Conselho Nacional de Justiça Viviane Vieira do Amaral, voltado a projetos de enfrentamento à violência de gênero, e menção honrosa no Prêmio Innovare. No setor privado, empresas como Mary Kay passaram a apoiar iniciativas relacionadas, como o Guia ElaProtegida, disponível online em linguagem simples para informar mulheres sobre direitos e canais de proteção.

Liderança feminina e impacto social

A metodologia de desenvolvimento contou com entrevistas de três meses com vítimas, gestoras públicas, secretárias municipais e profissionais de centros de atendimento. Essa escuta orientou os ajustes na plataforma para garantir adequação às necessidades reais.

“O papel das mulheres é central em todas as etapas do projeto. Essa abordagem confirmou que a plataforma pode ser efetivamente um canal que atenda às necessidades de quem está na linha de frente e de quem precisa de ajuda”, afirma Rafael.

A empresa busca ampliar a participação feminina na tomada de decisão, inclusive com a entrada de uma investidora estratégica que contribua com capital e experiência. “Buscamos ativamente uma mulher smartmoney — uma investidora estratégica — que, com sua expertise e visão, possa apoiar a missão e ajudar a escalar o projeto”, acrescenta.

Expansão municipal

Implantado pela primeira vez em Maricá, em setembro de 2024, o sistema já está em operação em mais de 15 municípios de diferentes regiões. Entre eles estão Caxias do Sul (RS), Senador Rui Palmeira (AL), Valença (BA) e nove cidades do Vale do Jamari, em Rondônia. Há ainda negociações em andamento com outras localidades, incluindo Gramado (RS) e Ponta Grossa (PR).

Esse crescimento ocorre em um cenário em que 91,7% dos municípios não possuem delegacia da mulher, segundo dados do IBGE. A falta de infraestrutura física reforça a necessidade de alternativas digitais que descentralizem o atendimento e ampliem o alcance do serviço.

“O Maria da Penha Virtual já atendeu mais de 12.000 mulheres no Rio de Janeiro e na Paraíba. Hoje o ElaProtegida vem sendo adotado por prefeituras em diferentes estados, mostrando a necessidade de soluções digitais nesse campo”, diz o fundador.

Inovação tecnológica

A plataforma Orkeia, desenvolvida pela própria startup, é mais um recurso para ajudar no combate a violência feminina. A tecnologia coordena agentes de inteligência artificial especializados e dará suporte por meio de uma assistente virtual. O app oferece orientações básicas em temas como divórcio, guarda, pensão e medidas protetivas, aumentando a capacidade de atendimento das equipes locais.

“Graças à Orkeia, lançaremos uma assistente virtual inteligente para oferecer orientações jurídicas básicas. Isso ampliará a capacidade de atendimento e o alcance social do projeto”, antecipa Wanderley.

O sistema também utiliza inteligência artificial para cálculo de risco de vida, orientando as técnicas responsáveis pela triagem sobre a prioridade dos casos. Essa automação busca reduzir a sobrecarga das equipes municipais e permitir maior agilidade nos encaminhamentos.

“Nosso objetivo é levar a plataforma para todo o Brasil, ampliando o acesso à proteção e oferecendo às prefeituras uma ferramenta de gestão mais eficiente”, concluiu Wanderley.


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Fonte Oficial: https://startupi.com.br/elaprotegida-solucao-referencia-no-apoio-mulheres/

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