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O que a falta de temas como inovação e transformação digital em planos de governo dizem sobre o futuro do Brasil

A campanha presidencial teve início de forma oficial, com temas como economia, segurança pública, costumes e a dimensão do Estado dominando os discursos — entretanto, a inovação e a transformação digital ainda estão à parte dos programas de governo. Mas há um contraste evidente entre a importância estratégica do assunto e a falta de iniciativas bem definidas para inteligência artificial, dados, conectividade, cibersegurança, digitalização de serviços e fomento ao setor de tecnologia. As referências, embora presentes nos documentos analisados, aparecem de forma dispersa e raramente acompanhadas de metas, orçamento, cronograma ou indicadores de execução.

Numa análise dos documentos publicados pelos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, o plano de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cita a digitalização de forma direta, com o texto prometendo expandir a saúde digital, integrar o prontuário único, empregar inteligência artificial na triagem e no diagnóstico, garantir acesso universal à internet nas escolas e criar normas para os trabalhadores de plataformas digitais, incluindo a transparência dos algoritmos. Fala ainda de incentivo à inovação, inclusão digital e financiamento para autônomos e pequenos empresários. Apesar disso, esses aspectos são tratados como parte de agendas mais amplas relacionadas à saúde, ao emprego e ao desenvolvimento da produtividade, sem constituir uma política central voltada para a transformação tecnológica do país.

Já no plano do candidato Flávio Bolsonaro (PL), a tecnologia é apresentada principalmente como uma ferramenta de segurança, com a promessa de implementar um sistema nacional de reconhecimento facial e usar câmeras para vigilância. O texto ainda aborda questões como crimes cibernéticos e telessaúde, mas não traz uma estratégia global para inteligência artificial, setor de software, capacitação de talentos, inovação no setor privado ou governo digital. Essa perspectiva mostra um uso da tecnologia que é, em sua maioria, operacional: monitorar, detectar, punir ou aumentar a eficiência de serviços, sem entrar em uma discussão consistente sobre a infraestrutura e a capacidade nacional necessárias para suportar essas tecnologias.

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Projetos ameaçados

É pertinente a falta dos temas visto que o próprio Estado já possui planos que são, por si só, grandiosos. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que foi apresentado pelo governo, destina R$ 23 bilhões para investimentos entre 2024 e 2028 e é dividido em áreas como infraestrutura, capacitação profissional, serviços públicos, inovação no setor privado e governança. A Estratégia Nacional de Governo Digital, que foi revista em julho, também sugere a interoperabilidade dos dados, uma identidade digital, serviços integrados, segurança cibernética, a contratação de startups e o uso de compras públicas como meio para fomentar a inovação. O que falta é que esse suporte técnico se transforme em uma disputa política evidente sobre o que deve ser priorizado, a continuidade das ações e a responsabilidade do presidente.

Um reflexo do eleitor?

O vácuo também revela uma possível interpretação do comportamento do eleitor. Enquanto questões como inflação, emprego, renda, violência e saúde geram reações rápidas no dia a dia, inovação e transformação digital ainda não parecem despertar o mesmo fervor no eleitorado. As campanhas, por sua vez, se adaptam ao que enxergam como a necessidade política mais premente. Mas essa justificativa não isenta os candidatos de responsabilidade: questões estratégicas raramente são bem aceitas antes de se tornarem crises, oportunidades de negócio ou serviços tangíveis para a população.

Efeitos no cotidiano

A ausência de projetos minuciosos prejudica, em especial, três áreas. Para as empresas, isso deixa em aberto temas como crédito para startups, compras públicas de inovação, capacitação de profissionais, computação em nuvem e a competitividade do setor tecnológico. No que tange ao serviço público, não estabelece que a União, os estados e os municípios compartilharão dados, integrarão seus sistemas e oferecerão serviços digitais de forma a não aumentar as desigualdades nem comprometer a privacidade dos cidadãos. Para a segurança nacional, não detalha como o Brasil defenderá infraestruturas críticas, bancos de dados, eleições e redes públicas do aumento dos ataques cibernéticos e do uso prejudicial da inteligência artificial.

O resultado são campanhas que versam sobre modernização, eficiência, segurança, mas sem um projeto de “país digital”, com a tecnologia aparecendo como ferramenta auxiliar e não como plataforma de desenvolvimento econômico, soberania, inovação empresarial e qualidade do Estado.

Até o término da campanha, os candidatos precisarão se posicionar sobre a sua intenção de apenas gerenciar sistemas que já estão em operação ou se desejam desenvolver uma política de longo prazo para um Brasil que, assim como qualquer outro país em 2026, dependerá de dados, software, conectividade e inteligência artificial.

Fonte Oficial: https://startupi.com.br/o-que-a-falta-de-temas-como-inovacao-e-transformacao-digital-em-planos-de-governo-dizem-sobre-o-futuro-do-brasil/

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