O salário continua sendo o principal fator que leva brasileiros a trocarem de emprego. No entanto, ele está longe de ser o único motivo considerado atualmente. De acordo com Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África, a decisão de mudança profissional passou a envolver também aspectos como qualidade de vida, perspectivas de crescimento e, principalmente, a relação com a liderança direta.
“Remuneração e benefícios ainda são o número um”, afirma Beck à revista Exame. Ainda assim, ele ressalta que o mercado vive uma transformação mais ampla desde a pandemia. Muitos profissionais passaram a avaliar não apenas quanto recebem, mas também como trabalham e o impacto da rotina na vida pessoal.
Flexibilidade e bem-estar entram no centro das decisões
O cenário atual mostra que temas como equilíbrio entre carreira e bem-estar, modelos híbridos e flexibilidade ganharam relevância. Além disso, a expectativa por evolução mais rápida na carreira tem aumentado — e a frustração surge quando esse crescimento não acontece dentro das empresas.
Para Beck, mesmo companhias reconhecidas podem perder talentos caso falhem na gestão direta.
“A empresa pode ser a melhor do mundo. Se a sua relação com o seu chefe não é boa, você tem que sair”, destaca à Exame.
Mais do que oferecer bons salários, as organizações precisam construir ambientes onde haja reconhecimento, desenvolvimento e uma rotina sustentável. Nesse contexto, cultura corporativa, propósito e qualidade da liderança se tornam fatores decisivos para atrair e reter profissionais.
“Se você não sabe lidar com pessoas, a chance de ter uma equipe de sucesso é pequena”, reforça.
O fim da carreira linear e a ascensão de trajetórias flexíveis
A própria trajetória de Milton Beck exemplifica essa mudança. Formado em engenharia mecânica, ele atuou em diferentes setores, passou pela indústria, empreendeu e trabalhou por mais de uma década na Microsoft antes de chegar ao LinkedIn em 2012.
Desde então, acompanhou o crescimento da plataforma no Brasil, que saltou de cerca de 5 milhões para mais de 90 milhões de usuários.
Para o executivo, a ideia de uma carreira totalmente planejada está cada vez mais distante da realidade.
“A gente pensa que a carreira é toda planejada, mas, na prática, ela é uma série de decisões e oportunidades”, explica.
Curiosidade, adaptabilidade e visão sistêmica são habilidades que, segundo ele, se tornaram essenciais em um mercado em constante transformação.
Recrutamento muda: diploma segue relevante, mas habilidades ganham protagonismo
Outra mudança marcante apontada por Beck é a evolução dos processos seletivos. O recrutamento deixou de ser baseado exclusivamente em formação acadêmica e passou a valorizar competências práticas e comportamentais.
O diploma ainda tem importância, mas já não é o único critério. As empresas buscam profissionais capazes de resolver problemas reais, com habilidades alinhadas às demandas do dia a dia.
“As empresas estão buscando pessoas para resolver problemas e, muitas vezes, o mais importante é a habilidade que elas têm, não só onde estudaram”, afirma.
Essa tendência também ampliou a valorização das chamadas soft skills, como comunicação, empatia, resiliência e capacidade de adaptação — competências que ganharam ainda mais destaque durante a pandemia.
Inteligência artificial acelera transformações no trabalho
A inteligência artificial também aparece como um dos principais vetores de mudança no mercado. Beck lembra que o LinkedIn utiliza IA há anos para recomendações de vagas, conexões e conteúdos, mas o avanço recente ampliou significativamente o impacto dessas ferramentas.
Atualmente, a tecnologia já apoia desde a construção de perfis profissionais até recrutamento e treinamentos. A tendência, segundo ele, não é substituir pessoas, mas automatizar tarefas repetitivas para liberar tempo para atividades mais estratégicas.
“As tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas, enquanto o humano fica com o que exige análise, criatividade e relacionamento”, explica.
Como se destacar no LinkedIn e na carreira hoje
Para quem deseja aumentar a visibilidade profissional, Beck recomenda práticas básicas, como:
- manter o perfil sempre atualizado;
- evidenciar conquistas concretas, e não apenas cargos;
- investir no desenvolvimento contínuo de habilidades;
- fortalecer o networking;
- cultivar uma reputação profissional sólida.
Ele alerta que um erro comum é usar a plataforma apenas como um currículo online. “Perfil parado dificilmente gera oportunidade”, afirma.
Sucesso profissional vai além do cargo e da remuneração
Ao final, Beck reforça que carreira não deve ser confundida com identidade profissional. Para ele, cargos mudam, mas habilidades e capacidade de relacionamento permanecem.
“Eu não sou o meu cargo. Eu sou minhas habilidades, minha capacidade de construir e me relacionar”, diz.
Sua visão de sucesso vai além do salário ou hierarquia: envolve impacto positivo, evolução pessoal e desenvolvimento das pessoas ao redor.
“Meu sucesso é quando a empresa cresce, os usuários têm resultado e meu time evolui junto”, conclui o executivo.
Fonte: Exame
Fonte Oficial: https://www.contabeis.com.br/noticias/75109/salario-nao-e-o-unico-fator-3-principais-motivos-que-brasileiros-mudam-de-emprego/