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Implementação parcial e desafios para contadores

A proposta da NFS-e Nacional era clara: unificar o emaranhado de modelos municipais em um sistema padronizado, que simplificasse a vida de empresas, contadores e desenvolvedores de ERP.

Mas, ao observarmos o cenário atual, o que vemos é uma implementação parcial, com portais distintos, prefeituras que adotaram o modelo nacional apenas formalmente e uma convivência incômoda entre o novo e o velho.

Neste artigo, analiso o percurso até aqui, a realidade fragmentada da emissão de NFS-e e o papel que contadores e provedores de tecnologia desempenham nesse período de transição.

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O contexto histórico: da multiplicação municipal à promessa de unificação

Historicamente, cada município brasileiro criou seu próprio modelo de emissão de nota fiscal de serviços. Isso gerou milhares de layouts, sistemas e regras locais. A ABRASF tentou padronizar entre as capitais, mas sem caráter nacional. Em 2022, a Receita Federal e o Serpro lançaram o projeto da NFS-e Nacional, com um emissor público, layout unificado e um ambiente de dados nacional. O objetivo era integrar os 5.570 modelos municipais sob um só padrão. Em 2025, a promessa ainda não se cumpriu plenamente.

Fragmentação atual: adesões parciais, modelos próprios e ausências

Esse cenário híbrido contradiz a proposta de unificação e torna mais complexa a vida de empresas que atuam em várias localidades. Essa realidade híbrida contradiz a proposta de unificação e torna mais complexa a rotina de empresas com presença em várias cidades — um verdadeiro labirinto fiscal.

Impactos práticos: conciliação fiscal, SPED e DCTFWeb

Conciliação fiscal: a fragmentação exige que empresas e contadores lidem com diferentes regras, layouts e processos de integração. Isso dificulta a automação e aumenta o risco de divergências entre notas, registros contábeis e declarações.

SPED: a heterogeneidade de modelos compromete a uniformização dos dados que alimentam o SPED. Cada modelo de NFS-e pode gerar dados em formatos diferentes, dificultando o cruzamento automatizado.

DCTFWeb e eSocial: sem padronização nacional, a integração de dados de serviços — principalmente das retenções de ISS e INSS — continua sujeita a inconsistências que impactam o cálculo correto de tributos e contribuições.

O papel do contador e dos ERPs como “ponte”

Nesse período de transição, contadores e ERPs são as verdadeiras pontes entre o ideal e o real. Seu papel é garantir continuidade e conformidade em meio à fragmentação.

Conclusão e insight final

A padronização da NFS-e é uma promessa em construção. O modelo nacional avança, mas a fragmentação ainda prevalece. Para que a visão de um sistema unificado se concretize, será preciso mais do que tecnologia: será necessária uma governança digital que alinhe ações da União, estados e municípios. Até lá, o trabalho de contadores e ERPs seguirá sendo o elemento de estabilidade no meio do caos.



Fonte Oficial: https://www.contabeis.com.br/artigos/75082/nfs-e-nacional-implementacao-parcial-e-desafios-para-contadores/

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