* Por Guilherme Cavalcanti
Nos últimos anos, o Brasil consolidou-se como um dos ecossistemas mais dinâmicos de startups no mundo, ultrapassando a marca de 18 mil empresas ativas em diferentes setores, segundo dados do SEBRAE Startups. Essa expansão revela o potencial do empreendedorismo nacional e expõe o desafio de transformar projetos inovadores em negócios escaláveis e sustentáveis diante de um cenário de forte competitividade e rápidas mudanças.
Desde o início, startups são desafiadas a lidar com dados em escala, IA e aplicações digitais que exigem agilidade e eficiência. Por isso, a base tecnológica escolhida torna-se tão estratégica quanto o próprio modelo de negócio, assegurando escalabilidade, adaptação rápida às transformações do mercado e sustentação de operações intensas. Empresas digitais precisam nascer com infraestrutura sólida e eficiente.
De acordo com o relatório State of AI 2025, da McKinsey, a adoção de IA generativa avançou rapidamente e se consolidou como um pilar de competitividade em diferentes setores: 72% das organizações utilizam essa tecnologia em pelo menos uma função de negócio. Mais do que uma tendência, a IA tornou-se indispensável para a otimizar processos e direcionar investimentos. Para startups, o desafio deixou de ser a adoção e passou a ser a integração estratégica da tecnologia para impulsionar inovação e ganhar vantagem competitiva.
Um exemplo desse movimento é a Pipefy, startup brasileira de automação de processos low-/no-code, que vem ampliando o uso de IA generativa para fortalecer sua presença global. A empresa desenvolveu agentes capazes de automatizar fluxos críticos em áreas como compliance, finanças e operações, atendendo setores altamente regulados. Ao incorporar IA em processos de missão crítica, fica claro como startups podem ganhar eficiência, reduzir riscos e gerar valor em escala. Essa combinação entre automação e governança digital deixa de ser apenas um suporte para o crescimento e se torna condição essencial para sustentar a inovação contínua desde os primeiros passos.
Nesse contexto, destacam-se as plataformas unificadas que integrem infraestrutura, banco de dados e aplicações já projetadas para operar com IA de ponta a ponta. Além de eliminar a complexibilidade de soluções fragmentadas, elas permitem uma atuação segura sobre dados vivos e consistentes, garantindo aderência ao contexto dos processos e as regras de negócio. O resultado é uma adoção mais ágil, escalável e confiável, capaz de sustentar a inovação em áreas críticas como finanças, saúde, varejo e supply chain.
As aplicações empresariais também evoluem com recursos inteligentes nativos, que vão desde agentes autônomos até funcionalidades preditivas e generativas, incorporadas em ciclos curtos de atualização. Isso permite que empresas, mesmo em estágios iniciais, ampliem produtividade e automatizem fluxos sem depender de longos ciclos de customização.
Da mesma forma, o fortalecimento do ecossistema de startups exige acesso a iniciativas complementares, como créditos em nuvem, mentorias especializadas e redes de parceiros estratégicos. Esses recursos ajudam a superar barreiras iniciais desde a escassez de capital à complexidade técnica, abrindo espaço para que novas ideias alcancem escala. Assim, o modelo de joint go-to-market exerce um papel decisivo ao conectar startups a clientes enterprise em diferentes mercados globais. Essa ponte permite que empresas emergentes acessem grandes contratos, ampliem receitas recorrentes e acelerem sua maturidade comercial, ao mesmo tempo em que organizações estabelecidas ganham velocidade de experimentação, contratação e acesso a soluções inovadoras. O efeito multiplicador é evidente: cada startup apoiada impulsiona não apenas o próprio negócio, mas toda a rede de inovação ao seu redor.
A adoção de inteligência artificial deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser um requisito essencial para a sobrevivência das startups no mercado. Mais do que incorporar tecnologia, é fundamental adotar um pensamento AI-first, no qual o desenvolvimento de novos produtos e serviços e a modernização dos existentes, parte da pergunta central: como a IA pode ser a solução. Ao mesmo tempo, a evolução do setor de tecnologia aponta para um horizonte especialmente promissor. O avanço acelerado da infraestrutura de nuvem, das estratégias multicloud e da IA integrada cria um ambiente sem precedentes para a inovação. Não por acaso, vemos o surgimento de uma nova geração de startups AI-native, que já nascem com produtos e modelos de negócio baseados em inteligência artificial. Empresas que incorporarem essa visão estarão mais bem preparadas para transformar inovação em resultados consistentes e consolidar sua relevância em um ecossistema global cada vez mais competitivo.
* Guilherme Cavalcanti é Diretor Sênior de Vendas da Oracle Brasil, responsável por liderar uma equipe especializada que vende soluções de plataforma de infraestrutura e AI em nuvem para empresas de alta tecnologia no Brasil
Fonte Oficial: https://startupi.com.br/inovacao-em-escala/