O Banco Central (BC) seguirá apostando na cautela quanto à taxa básica de juros e não deve iniciar o ciclo de cortes da Selic na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom), avalia a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). De acordo com a Entidade, a inflação dos Serviços e a política fiscal fragilizada do governo, somadas ao ano eleitoral e à instabilidade da conjuntura internacional, compõem um cenário no qual ainda não há um horizonte confiável para o cumprimento da meta.
Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha desacelerado, caindo para 4,3% em 12 meses, a inflação do setor de Serviços — indicador que mais reflete o mercado de trabalho e funciona como termômetro da demanda — tem se mantido acima de 6% nos últimos meses. Além disso, o desemprego próximo de 5% e os reajustes salariais acima da inflação indicam que a demanda seguirá elevada, o que mantém o setor pressionado.
Na avaliação da FecomercioSP, além disso, o compromisso com o equilíbrio das contas públicas é um dos pontos basilares para a redução da Selic. Enquanto não houver um movimento consistente nesse sentido, não haverá ambiente para a queda da taxa básica de juros. Atualmente, a expectativa é de que a dívida bruta ultrapasse 79% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o boletim Focus projeta inflação entre 3,8% e 4% para os próximos anos, patamar acima do centro da meta.
A proximidade do calendário eleitoral adiciona mais um elemento de cautela: anos de eleições costumam trazer mais volatilidade, aumento do risco-país e movimentos mais intensos no câmbio. Em 2022, por exemplo, o Credit Default Swap (CDS) brasileiro subiu mais de 30% no período pré-eleitoral. Diante de um ambiente de mais incerteza política, o BC tende a agir com prudência para evitar que ruídos de curto prazo contaminem a trajetória da inflação.
Ademais, ao se observar a conjuntura internacional, são evidentes as tensões geopolíticas, os riscos de desaceleração em grandes economias e as dúvidas em torno das políticas comerciais dos Estados Unidos. Contudo, há também fatores que podem contribuir, mais adiante, para um ambiente mais favorável à redução dos juros, como o ciclo gradual de cortes pelo Federal Reserve (FED). Esse movimento tende a reduzir o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, o que pode abrir espaço para cortes no caso brasileiro. Soma-se a isso o alívio nos preços globais de alimentos e manufaturados e um dólar mais comportado, fatores que ajudam a suavizar as pressões inflacionárias internas.
Para a FecomercioSP, é fundamental que a política fiscal esteja em consonância com a monetária para que o ciclo de queda da Selic possa se beneficiar dessa conjuntura. Caso contrário, as empresas continuarão sendo penalizadas pelo alto custo do crédito e pelo encarecimento de empréstimos já contraídos atrelados à Selic — como é o caso do Pronampe —, e os números de falências e pedidos de recuperação judicial tendem a continuar piorando.
Na avaliação da Entidade, a cautela neste momento evita erros que poderiam custar mais caro adiante. Quando os sinais forem mais consistentes — especialmente no campo fiscal e na inflação dos Serviços —, haverá espaço para um ciclo de cortes mais firme e sustentável.
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Fonte Oficial: https://www.fecomercio.com.br/noticia/na-primeira-reuniao-do-ano-copom-deve-optar-pela-cautela-e-adiar-cortes-na-selic