A reforma tributária entrou de vez na agenda das empresas, principalmente do C-level. A transição para o novo sistema de IBS e CBS altera a forma como empresas contratam serviços — inclusive saúde. Fora os grandes avanços e modernização. Além dos grandes avanços e da modernização no sistema tributário nacional, análises apontam que o custo tributário para benefícios corporativos, como planos de saúde, pode subir entre 9% e 26%, já que a tributação passa a ser destacada “por fora” do preço, sem a possibilidade de compensação.
Essa mudança chega a um sistema já tensionado. Dados oficiais da ANS mostram que a saúde suplementar registrou um lucro líquido de R$ 11,1 bilhões em 2024, mesmo ano em que a sinistralidade alcançou 82,2% no 4º trimestre, um dos menores índices desde 2018 — mas ainda muito elevado.
Do lado do beneficiário — e do contratante corporativo — os custos continuam subindo. Para 2025/2026, a ANS definiu um reajuste máximo de 6,06% para planos individuais, mas o próprio relatório da agência registra que as despesas assistenciais per capita aumentaram 9,35% em 2024. Ou seja, a pressão real continua acima da inflação oficial.
Nesse cenário, a pergunta não é mais “se” os custos vão subir, mas como as empresas vão reagir.
Tributação é inevitável. Sinistralidade, não.
A reforma influencia o preço “fiscal” da saúde. Mas o que mais pesa na fatura corporativa continua sendo a sinistralidade que, diferentemente dos tributos, pode ser influenciada diretamente pela empresa dependendo diretamente de como a empresa gere a saúde dos seus colaboradores. Dependendo de como ela gere a saúde de seus colaboradores.
Estudos internacionais reforçam essa perspectiva. Segundo análise da Avalere Health, programas estruturados de bem-estar e gestão preventiva geram até 47% de ROI, somando produtividade, redução de custos médicos e diminuição de afastamentos. Já o McKinsey Health Institute estima que investimentos consistentes em saúde e bem-estar podem liberar US$ 11,7 trilhões em valor econômico global na próxima década, impulsionados por maior produtividade e redução de internações evitáveis.
Ou seja, se a reforma aumenta o custo fixo, a prevenção reduz o custo variável, que é justamente o variável que mais cresce no Brasil, que é justamente o que mais cresce no Brasil.
Por que prevenção é a melhor resposta estratégica
O ambiente regulatório muda, os custos sobem e a população corporativa se torna mais complexa — com mais casos crônicos, maior carga de estresse e aumento de uso do plano. Ou seja, a saúde corporativa não pode mais ser tratada como um benefício reativo e a reforma tributária reforça uma necessidade que já era urgente: transformar o modelo baseado em uso para um modelo baseado em risco. E isso passa por três movimentos centrais.
As empresas que mais reduzem custos assistenciais e evitam reajustes explosivos são aquelas que:
1. Integram dados para enxergar a população
Em vez de relatórios fragmentados (absenteísmo, PCMSO, uso do plano, saúde mental), constroem uma visão integrada que permite identificar riscos, padrões e oportunidades de intervenção.
2. Substituem o modelo reativo por um modelo preditivo
Com dados integrados, conseguem antecipar riscos e direcionar programas segmentados para crônicos, saúde mental, gestão de estresse e atenção primária.
3. Reposicionam a atenção primária como porta de entrada
Boa parte da sinistralidade em contratos corporativos vem do uso descoordenado da rede.advém do uso descoordenado da rede. A atenção primária organizada evita consultas desnecessárias, exames repetidos e internações evitáveis.
4. Cuidam do colaborador antes que ele precise do sistema
É aqui que prevenção reduz custo: quando diminui a necessidade de uso, e não apenas o preço negociado.
A reforma como gatilho, não como vilã
A reforma tributária não é o problema central da saúde corporativa. Ela é o alerta. Ao encarecer o “preço fiscal”, expõe a fragilidade de empresas que ainda tratam a saúde como despesa inevitável — e não como ativo estratégico.
A empresa que investe apenas em negociação de preço está sempre um passo atrás, onde cada aumento de tributo ou de sinistralidade vira reajuste, em que cada aumento de tributo ou de sinistralidade se torna um reajuste. Já quem investe em dados, prevenção e gestão populacional reduz o risco assistencial e, consequentemente, amortiza os efeitos dos novos tributos.
A decisão que as empresas precisam tomar agora
Diante de um setor pressionado por inflação médica, um ambiente regulatório em transformação e uma reforma tributária que tende a tornar os custos mais transparentes (e menos negociáveis), a questão para os C-levels é simples: vamos esperar a próxima rodada de reajustes ou usar a reforma como gatilho para redesenhar a estratégia de saúde da empresa?
A resposta determinará não só o custo assistencial dos próximos anos, mas a capacidade da organização de reter talentos, manter produtividade e construir uma cultura de bem-estar sustentável. A tributação muda por lei. A prevenção muda por decisão.
Fonte Oficial: https://www.contabeis.com.br/artigos/74570/reforma-tributaria-impacto-e-estrategias-para-custos-de-saude-corporativa/